Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

O que é cuidar? O que é superproteger? Onde está a linha que marca cuidado e crescimento pessoal ou superproteção e atrasos no desenvolvimento? Este tema sempre trouxe dúvidas! Atualmente ainda mais, em função dos riscos que a vida moderna apresenta. Esta realidade não pode servir como justificativa para encerrar o assunto e evitar outros questionamentos.

Muitos pais acreditam que, sendo  “super presentes”, atuam como melhores pais.  Tornam-se proibitivos e exigentes, eternos acompanhantes para realizar atividades ou resolver problemas para a criança.  Na verdade a tarefa dos pais será identificar  as situações de risco real à serem evitadas e aquelas que devem ser permitidas e até incentivadas. Assim serão bons pais ao proporcionar o desenvolvimento da autonomia. Esta tarefa depende do bem estar emocional dos pais. Muitas vezes, aparecem conflitos! A autonomia da criança, leva a um certo grau de afastamento e quebra de dependência, podendo ser sentida como abandono, rejeição ou perda de controle.

Desenvolver a autonomia da criança, desde as primeiras tarefas do desenvolvimento, proporcionará maiores recursos, capacidades, segurança e adequação para as tarefas futuras, inevitavelmente maiores, mais complexas e algumas vezes mais solitárias.

As crianças demonstram muito prazer quando sentem-se capazes de realizar tarefas sem a ajuda dos adultos. Logicamente às responsabilidades e permissões devem estar em acordo com a etapa de desenvolvimento. Sentir que é capaz é fundamental para que desenvolva boa auto estima, desenvolva habilidades e tenha confiança em si mesmo. Por outro lado, ao perceber que tudo é feito para ela e por ela, aparecem sentimentos de insegurança, desconfiança e intolerância à frustração. Não amadurece! Passa a acreditar, que o mundo está sempre pronto para resolver suas dificuldades, e imediatamente disponível para realizar seus desejos. Ainda poderá sentir o mundo, como um lugar perigoso, sendo melhor não arriscar-se.

Na verdade, os adultos não conseguem impedir a autonomia da criança. Conseguem apenas atrapalhar, mas gerando prejuízos importantes. Poderão aparecer dificuldades variadas e em diferentes intensidades. Dificuldades no relacionamento social, timidez, estados de medo e ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem, crises de birra, entre tantos outros. Problemas futuros, já na vida adulta, também poderão aparecer, em consequência da superproteção. Pessoas marcadas pela insegurança e medo, sentem-se incapazes para enfrentar os desafios da vida, podendo apresentar insucessos na vida pessoal, profissional e afetiva.

A criança precisa sentir-se competente, capaz de realizar as tarefas de seu desenvolvimento. Precisa também sentir que pode contar com seus pais e buscar ajuda, se necessário. Os pais precisam festejar sua condição de formar um ser independente. Todos precisam confiar na estrutura do vínculo construído e perceber que ele não se perde, apenas se transforma conforme a etapa da vida.