Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

Então, TPM existe mesmo ou é frescura de mulher? Existe sim e, desde o último lançamento do DSM-V em 2012, ela se encontra junto na categoria dos Transtornos Depressivos, logo é séria e precisa ser tratada como tal.

Primeiramente vamos começar falando que a tão conhecida TPM, tensão pré-menstrual, na verdade se divide em duas categorias, a síndrome pré-menstrual e a TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual), forma mais intensa da TPM (tensão pré-menstrual). A TPM e a TDPM foram, por muito tempo, erroneamente associada ao temperamento de mulheres mais sensíveis. Contudo, os novos achados mostram que existem causas biológicas e genéticas para as alterações físicas, comportamentais e emocionais por que passam as mulheres com o transtorno.

A TPM atrapalha a vida pessoal e profissional de diversas mulheres por  todos os meses e essa tensão é gerada por alterações hormonais que antecedem a menstruação. Em geral, os sinais da TPM aparecem na metade do ciclo menstrual e desaparecem em até dois dias após o início da menstruação.

A TDPM, que afeta as mulheres em idade fértil, é marcada por sintomas físicos e comportamentais semelhantes aos da TPM, mas muito mais intensos e severos. Além da sensibilidade alterada nas mamas e o inchaço na barriga, a irritabilidade, tristeza e ansiedade chegam a ser tão extremados que incapacitam as mulheres de realizarem suas tarefas de cotidiano, prejudicando a vida destas e, consequentemente, das pessoas que com elas convivem.

Segundo o DSM-V os critérios diagnósticos são:

-A. Na maioria dos ciclos menstruais, pelo menos cinco sintomas devem estar presentes na semana final antes do inicio da menstruação, começar a melhorar poucos dias depois do inicio da menstruação e tornar-se mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual.

-B. Um (ou mais) dos seguintes sintomas deve estar presente:

  1. Labilidade afetiva acentuada ( por ex, mudanças de humor, sentir-se triste ou chorosa, sensibilidade aumentada a rejeição)
  2. Irritabilidade ou raiva acentuadas ou aumento nos conflitos interpessoais.
  3. Humor deprimido acentuado, sentimentos de desesperança ou pensamentos autodepreciativos.
  4. Ansiedade acentuada, tensão e/ou sentimentos de estar nervosa ou no limite.

-C. Um (ou mais) dos seguintes sintomas deve adicionalmente estar presente para atingir um total de cinco sintomas quando combinados com os sintomas do critério B.

  1. Interesse diminuído pelas atividades habituais.
  2. Sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar.
  3. Letargia, fadiga fácil ou falta de energia acentuada.
  4. Alteração acentuada do apetite; comer em demasia; ou avidez por alimentos específicos.
  5. Hipersonia ou insônia.
  6. Sentir-se sobrecarregada ou fora de controle.
  7. Sintomas físicos como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor articular ou muscular, sensação de inchaço ou ganho de peso.

Nos casos graves, é necessária uma medicação mais específica. Atualmente, o tratamento usado com melhores resultados são os antidepressivos. Estudos recentes mostram que essa medicação usada na menor dose possível e durante a fase de tensão pré-menstrual tem melhorado muito a qualidade de vida das mulheres que experimentam essa disfunção.

Na psicoterapia, a mulher vai compreender sua oscilação de humor e aprender a lidar melhor com suas habilidades de manejo quando as “crises” estiverem chegando, bem como aprender a conhecer melhor tanto a si como o seu corpo, que também faz parte do processo de amadurecimento feminino.