Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Bullying, palavra de origem inglesa que tem como raiz o termo bull, é um termo utilizado para designar pessoa cruel, intimidadora e/ou agressiva.  O bullying se apresenta enquanto prática de violência sem motivo aparente e que é praticado no contexto escolar, podendo ser presencial o virtual. Este chamado de cyberbullying e que vem aumentando de incidência entre os jovens.  Entretanto, esta violência pode ser mascarada pelas brincadeiras (mesmo que de mau gosto) ou informadas pelos agressores como acidentes. Mas, o que se presencia são cenas de terror e agressões graves exercidas sobre outros alunos e preocupa educadores, pais e juristas.

O ato bullying ocorre quando um ou mais alunos passam a perseguir, intimidar, humilhar, chamar por apelidos cruéis, excluir, ridicularizar, demonstrar comportamento racista e preconceituoso ou, por fim, agredir fisicamente, de forma sistemática, e sem razão aparente, um outro aluno. A pessoa que pratica bullying possui a necessidade de dominar, subjugar e de impor sua autoridade mediante a coação. Além disso, possui necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo, bem como de se autoafirmar chamando a atenção para si. A inabilidade de expressar sentimentos e a incapacidade de se colocar no lugar do outro também são características do agressor.

As causas deste comportamento abusivo incluem carência afetiva, ausência de limites, como também um modo de afirmação de poder e autoridade, práticas estas advindas dos pais sobre os filhos, que sofrem maus-tratos físicos e explosões emocionais violentas por parte dos pais. A prática do bullying no âmbito escolar pode levar ao desinteresse em aprender, ao déficit de concentração, à queda no rendimento, ao absentismo e até mesmo à evasão escolar. No aspecto emocional pode ocorrer além da baixa autoestima, estresse, sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, fobia, depressão e, nos casos mais graves, o suicídio.

 O bullying é um tipo de violência que pode ser difícil de identificar pela escola e pelos familiares da vítima. Isto porque o medo de sofrer represálias e a vergonha em admitir que está passando por essa situação humilhante impede a vítima de pedir ajuda. Outra prática bem atual e cada vez mais comum é o cyberbullying. Nesta prática, que acontece na internet nas redes sociais, o agressor cria falsos perfis para falar mal de alguém ou até mesmo se passando pela pessoa, difamando e ameaçando repetidas vezes a vítima. Como as pessoas não estão cara a cara, aumenta a crueldade dos comentários e das ameaças.

O papel da escola é fundamental neste tipo de violência, devendo mostrar que esta prática não é inofensiva e que, inclusive, pode vir a destruir a vida do outro. É importante que a escola possa abrir espaço para a discussão desse tipo de violência, incluindo a participação dos pais quando esses episódios ocorrem. Quanto mais rápido for identificado e diagnosticado o bullying, maiores as chances de ajudar a vítima evitando que ela sofra traumas e problemas graves no futuro.

Para evitar o cyberbullying, os pais podem e devem adotar os seguintes comportamentos:

– Mostrar interesse pela vida do filho, tanto online quanto offline, mantendo-se atento às atividades que realizam na internet, inclusive verificando quais sites são visitados.

– Procurar pesquisar e entender como funcionam os aparelhos tecnológicos usados pelos filhos para poder ficar a par do que eles fazem no mundo virtual.

– Cultivar e estimular o diálogo em casa, mostrando que estão disponíveis para ouvir o filho caso ele queira contar sobre a sua vida. Muitas crianças e adolescentes têm medo ou vergonha de contar que sofrem bullying por acharem que os pais vão culpá-los ou puni-los.

– Explicar os prós e contras da internet, bem como a necessidade de manter a privacidade, divulgando somente o necessário na rede.

– Pensar sempre na possibilidade de seu filho estar praticando ou “compactuando” com o bullying em suas diferentes formas. Cabe também conversar sobre os dois lados do bullying: da vítima e do agressor; das punições que podem ser dadas ao agressor e as maneiras de se proteger na perspectiva da vítima.

O principal tratamento no caso de bullying é o acompanhamento psicológico, pois o lado emocional é o mais atingido por quem sofre esta violência. Sentimentos de vergonha, medo e raiva são muito comuns nessas situações, impedindo a vítima de manter as atividades às quais estava acostumada, restringindo a vida desses indivíduos. O atendimento psicológico vai ajudar a recuperar a estabilidade emocional da vítima de bullying, que se sente bastante fragilizada. O apoio da família e dos amigos é fundamental, mostrando à vítima que ela não é culpada pelas humilhações e perseguições que sofre. Estimular vinganças é algo que deve ser evitado: violência gera ainda mais violência.