Por Maíra Pasin Pozzer, Psicóloga – CRP 07/14830

As redes sociais vem crescendo exponencialmente nos último tempos e, com isso, se tornando um fenômeno por vezes difícil de ser acompanhado e compreendido. Através das facilidades em se manter conectado o tempo todo, criou-se uma espécie de imediatismo que abrange diversas direções. Um imediatismo em responder, em opinar, em mostrar suas ideias frente à assuntos de interesse, em mostrar afetos, em concordar e em discordar.

O comportamento do sujeito nas redes sociais reflete seus mais individuais e intensos sentimentos, sendo a agressividade bastante observada nos dias atuais. Mas de onde vem tamanha agressividade frente à situações, na maioria das vezes, não diretamente ligadas a quem agride? Como pode tantos julgamentos e opiniões muitas vezes sem maior aprofundamento do assunto em questão?

Estes e outros questionamentos saltam aos olhos quando pensamos no tema. Sabemos que a agressividade é inerente ao ser humano, sendo, além de uma expressão individual, uma impulsão para que o sujeito não se acomode e consiga ir atrás de seus desejos enfrentando as dificuldades encontradas pelo caminho. Porém, o que percebemos nas redes sociais não se trata disto e sim de ataques movidos à “pré-conceitos” e opiniões carregadas de sentimentos negativos com o intuito de ferir o outro.

Cada vez mais cresce o número de casos de crimes cibernéticos levados à justiça ligados a crimes de racismo, homofobia, bullying, dentre outros. Parece que cada vez mais as pessoas vem se dando conta de que não é preciso tolerar e aguentar em silêncio tais agressões e que estas, em determinados casos, podem ser enquadradas como crimes, tendo espaço para serem julgadas como tais.

De um modo geral estamos inseridos dentro de regras sociais e limites que nos permitem conviver em sociedade respeitando uns aos outros. Porém quando se trata de internet e redes sociais, parece que o mesmo nem sempre se aplica e que algumas pessoas valem-se disso para extravasar sentimentos que parecem não estar bem em si mesmas e acabam atacando, agredindo e humilhando. Tal fato pode ser pensado pelo viés de que diferentemente de um contato real, “ao vivo”, o virtual proporciona certa distância e um sentimento de impunidade, como se não estar próximo anulasse as consequências de seus atos.

Desta forma é importante que cada vez mais se possa pensar e discutir tais situações, visto que, as redes sociais ocupam um grande e importante espaço tanto de interação social, quanto profissional nos dias atuais. Tem que se encontrar formas de manter os limites e regras, fazendo com que o respeito pelo outro ultrapasse a barreira do real/virtual, onde a empatia e saber se colocar no lugar do outro tenham a cada dia mais valor.