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No meio disso tudo…

Por Fernanda F. da Costa GarciaPsicóloga – CRP 07/14007

Que estamos vivendo um momento impar todos já sabemos. Momentos como estes, onde não temos registro de comportamento ou defesas emocionais, faz com tenhamos que nos reinventar e buscarmos novas maneiras de lidar com situações extremas e nos adaptarmos a elas. É comum acompanharmos nas redes sociais e grupos entre amigos um desabafo por estar tudo muito pesado, tudo muito diferente, tudo muito. O que é novo não tem registro em nosso cérebro, então o que resta é sentirmos. Respeitarmos o que estamos sentindo e nos conectarmos com o que somos e podemos ser.

Quando ficamos inseguros buscamos os nossos referenciais simbólicos, nossas lembranças familiares e de família. É uma busca narcísica importante, uma maneira de nos voltarmos para nossas origens e o que andava esquecido no turbilhão de afazeres diários. Uma dessas lembranças é a comida. A alimentação saudável. O que seria uma alimentação saudável? Vemos muitas musas fitness dando receitas de comidas, o que comer e não comer. Esquecemos que o que é saudável está no sentir. Percebermos nossa fome, nossa saciedade e escutarmos nosso corpo que é tão inteligente e sabe do que precisamos.

É comum na clínica se ouvir relatos de um comer transtornado entre pacientes com esta dificuldade, mas neste momento até mesmo quem não tem um comer compulsivo está preocupado com sua alimentação e sua forma de comer. Os transtornos alimentares estão relacionados a períodos arcaicos de nossas vidas, períodos primitivos em que a relação mãe-bebê dita afetos, pensamentos e desejos futuros. A alimentação é o primeiro contato entre esta nova mãe e este bebê que estão se conhecendo e se reconhecendo. Com isso, é comum que misturemos nossos sentimentos com os alimentos e com a fome que sentimos. Acredito que mais do que uma alimentação saudável, podemos pensar em uma fome saudável. Colocar os sentimentos no lugar certo, sabermos o que é fome, o que é medo, insegurança, cansaço, tristeza e alegria.

Para conseguirmos pensar precisamos estar dispostos a sentirmos e até mesmo brigarmos de forma silenciosacom lembranças, pessoas e dores internas que nos atormentam e nos obstruem o pensamento. Roland Barthes (1977), teórico francês, relata que o Saber e o Sabor vêm da mesma origem em latim e, explica que é o gosto das palavras que faz o saber profundo e fecundo. Ou seja, quando colocamos em palavras na terapia e organizamos o nosso saber o pensamento flui e se organiza da maneira que cada um consegue. Se não conseguimos ter sabor no saber o pensamento fica obstruído. Somos um ser só com o corpo e as emoções interligadas e que buscam um no outro apoio para suas dores e sabores. Precisamos comer para viver, pensarmos e nos relacionarmos, mesmo distante, mas com afeto.

Saúde mental para os profissionais de cuidados em saúde: o front das epidemias

Por Fernanda Thones Mendes, Psicóloga – CRP 07/13782

Diante de um momento sem precedentes não dispomos de estudos anteriores capazes de nortear nossas ações, além das atuais constatadas pelos primeiros países afetados pela COVID-19, bem como epidemias mais recentes como a SARS-2002 ou MERS-2012. Epidemias de anos muito anteriores ao nosso, apenas nos trazem a história de como nossos ancestrais a vivenciaram e representaram, como por exemplo, a chamada gripe espanhola e todas as suas consequências e impactos gerados. No entanto, naquela época não haviam estudos capazes de dimensionar o que aconteceu cientificamente.

Além da ansiedade gerada pelo novo Coronavírus frente à imprecisão que nos traz, muitas pessoas acabam reagindo a tudo isso de uma forma fria, não conseguindo dar a devida atenção para a dimensão dessa pandemia, ou mesmo tentando minimizar os seus efeitos. De um outro extemo aparece o agravamento de patologias anteriores como transtornos depressivos, ansiosos, muitas vezes nem devidamente tratados que acabam por gerar ainda mais sofrimento e dor.

Profissionais de saúde são treinados a lidar com situações críticas, trabalhando em ambientes de extrema complexidade como as unidades de terapia intensiva, as U.T.Is, onde estão acostumados a adiar a morte. No entanto, no atual quadro de limitações, veem se diante de várias conflitivas, as quais envolvem a rápida disseminação da doença. Dentre elas a escassez de recursos, como por exemplo, dos equipamentos de proteção individual – EPIS, da necessidade de isolamento social mais intenso, principalmente de suas famílias para a proteção das mesmas, bem como do impasse de priorizar o adiamento da morte para um paciente em detrimento de outro em poucas horas. São muitas vezes assolados por uma sensação de fracasso frente ao insucesso na luta pela vida ao qual juraram buscar incansavelmente. Mesmo embasados em decisões regidas por protocolos médicos, acabam sendo envolvidos inevitavelmente em seu mais íntimo subjetivo tanto profissional, como quanto pacientes, quando precisam se ver muitas vezes do outro lado da relação.

Não sabemos com exatidão a respeito dos impactos dessa pandemia, mas sabemos que altos níveis de traumas aos profissionais de cuidados em saúde os acompanharão ao longo de meses após o surto, por isso a necessidade de logo já irmos pensando em terapêuticas e modalidades possíveis a serem oferecidas aos mesmos.

Segundo o Dr. Huremovic, autor de “Psychiatry of Pandemics” ainda não existem orientações para lidar com a atual realidade e nesse sentido nos motiva a realizar pesquisas e estudos que deem conta de nossas emoções e o endereçando das mesmas. Sugere o trabalho, com Grupos Balint para equipes de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais cuidadores, buscando trabalhar a relação médico-paciente. Ele destaca a necessidade de um trabalho de prevenção e tratamento do sofrimento psíquico, com a criação de espaços de fala para esses profissionais em hospitais, criando novas modalidades de tratamento com uso de telecomunicação, além de plataformas –softwears – para o suporte desses profissionais. Essas medidas buscam auxiliar nas relações médico-paciente, nas respostas emocionais, como forma até mesmo de superar a distância pessoal, causada pelo isolamento social. Para isso enfatiza que precisamos dar suporte as nossas comunidades, quebrando os muros do isolamento e assim estabelecer outras formas de comunicação, oferecendo esperança, ajuda e perspectivas apesar do luto e da dor que inevitavelmente enfrentaremos.

SEGUINDO COM O COVID-19 : O QUE ELE DESPERTA NAS PESSOAS?

Por Luciana Pandolfo Camaratta – Psicóloga – CRP 07/05918

COVID-19  um inimigo desconhecido, poderoso e invisível que dominou o mundo. Invadiu as manchetes e a nossa vida! Mudou nossa rotina, nossos hábitos, impediu a convivência social sob pena de uma grande catástrofe. Ele não permite ser esquecido! Desperta medo e impotência e a partir destes, vários outros sentimentos. Sem dúvida exige de todo uma grande força psíquica.

O medo é uma emoção natural do ser humano, responsável pela nossa sobrevivência. Ele pode ser positivo ou negativo. Frente ao COVID-19, se não tivéssemos medo seríamos insanos! É o medo que nos ajuda a tomar os cuidados necessários para proteção. Ele torna-se negativo quando ultrapassa nossa condição para lidar  favoravelmente com a situação. Pode evoluir rumo à quadros patológicos ou exacerbar os sintomas daqueles que já apresentam alguma dificuldade. Assim quadros de ansiedade, fobias, pânico, depressão e TOC, por exemplo, podem se fazer presentes.

Quando ocorre algo ameaçador, ficamos tomados pela percepção de fragilidade e impotência. Às vezes as condições emocionais da pessoa fazem com que apresente reações desproporcionais. Tudo que é proposto como cuidado parece não ser suficiente! A pessoa passa a cometer excessos ou a perder a iniciativa. Os extremos nos atrapalham. Deixam implícita a mensagem de que precisamos estar sempre pensando no assunto, como se isto trouxesse a solução, auxiliasse ou protegesse mais ou ainda preparasse para lidar com possível ocorrência. Não encontrando alívio com os cuidados propostos, aparece a ideia de que não há o que fazer. Pensamentos intrusivos e persistentes ou a sensação de falta de recursos, geram um círculo vicioso de ansiedade. Haverá também situações de negação, aqueles que  diminuem o problema e fazem de conta que nada está acontecendo.

Junto a todos os cuidados é proposto o isolamento social que  pode ser sentido como abandono. Uma grande ameaça com  enfrentamento solitário, pode acessar os aspectos depressivos das pessoas.

Estamos diante de uma situação traumática. Não é possível descrever antecipadamente como sairemos desta. Cabe a cada um ir trilhando seu caminho, dando atenção ao que se passa em seu mundo interno e lembrando que: Informação é necessária, mas deve ser filtrada e em excesso gera ansiedade; pensamentos pessimistas e vitimistas impedem a percepção clara da realidade e dos recursos disponíveis para aliviar a situação. A solidão é um fato, mas você pode e deve buscar contato virtual com as pessoas afetivamente importantes. Evite a inatividade, ela pode produzir desânimo. Tente manter sua rotina, estabeleça novas metas,dedique-se aos seus hobbies.

A solitude é um estado desejável que permite o exame de nosso mundo interno. Cabe a cada um identificar suas capacidades e fraquezas, ser criativo e honesto consigo mesmo para assim identificar alternativas de enfrentamento. Se você perceber-se confuso, ansioso, desanimado, com dificuldade para organizar-se procure auxílio, tendo neste momento como um dos recursos a psicoterapia online.

A pandemia do Covid 19 fazendo-nos questionar nossas inabaláveis verdades

Por Maíra Pigatto Kalil, Psicóloga – CRP 07/20814

Escolas fechadas, parques vazios, fábricas paradas e hospitais cheios. O Covid-19 chegou mostrando toda sua força, reforçando hábitos de higiene e obrigando a sociedade a enfrentar um atípico isolamento social pensando no bem coletivo.
Mas e agora, o que fazer com todo o tempo que sempre faltava e agora sobra demais?
O que fazer com todo o sentimento que transborda? O que fazer quando já não se tem mais pra onde fugir?
Como vai ser depois?
Épocas de incertezas e mudanças, nos obriga a olhar para dentro e perceber tudo o que está posto ali, perceber quem realmente somos, sem disfarces ou máscaras, para só assim conseguir olhar o outro de verdade.
É tempo de transformação, de se permitir.
É tempo de olhar para si para cuidar do outro!

Ser – Pai

Por Lucas Vijande Valladares, Psicólogo – CRP 07/23992

Venho aqui dirigir esse artigo exclusivamente para os pais, sejam eles: pais presentes, pais de primeira viagem, PAIdrastos, futuros pais e para os pais ausentes. Anuncio aqui uma conversa de psicólogo para pai.

A paternidade, caso muitos ainda não saibam, pode ser exercida por um cuidador, tio, irmão, avô; não necessariamente um pai biológico. Esse papel, além de ser exercido pelo sexo masculino, por diversas vezes, acaba sendo exercido também pelo sexo feminino, como por exemplo: uma mãe; mesmo não se fazendo presente a figura masculina.

Tenho certeza que todos que estão lendo este artigo carregam consigo uma imagem dessa figura, seja o próprio pai, assim como outra pessoa, desde que se tenha feito presente este cuidado, esta lembrança afetiva. Porém, aqui vão algumas más notícias. Infelizmente muitas famílias acabam sendo atingidas pela ausência desta figura, o pai. Seja por abandono, morte e até um simples descaso, onde a figura se faz presente fisicamente, porém ao se tratar de afetividade o mesmo se torna um completo ausente. Por incrível que pareça, isso é mais comum do que a gente possa imaginar.

Este que para mim é um dos fatores mais preocupantes, afinal, muitos não fazem ideia de como é receber o afeto desta figura, o que acaba invariavelmente trazendo um grande questionamento, principalmente ao se tratar de futuro: já que eu nunca tive pai, como eu vou ser um bom pai?

É exatamente aqui que contamos com o amor do próximo, este que é capaz de conseguir exercer este papel, através de amor, limites, cuidado, carinho, medos e receios. O amor paterno é sim muito importante, talvez para muitos seja algo insubstituível, porém com o passar do tempo vejo que ele pode ser até superado, mas infelizmente para muitos jamais será esquecido, seja por uma boa lembrança ou por uma lembrança que jamais existiu.Não nascemos pais, nos tornamos.

Talvez esse seja um ponto onde muitas vezes podemos nos perguntar, mas como podemos nos tornar?

Ser pai é: saber dividir, saber respeitar, ter a grandiosidade de errar, chorar, lembrar e conseguir através dos cuidados e principalmente do amor, cultivar afetos e conseguir construir juntos do mais simples ao mais complexo.

Acredito que é de grande importância ressaltar aqui o papel da psicoterapia, na qual pode colaborar diretamente com essas questões, desde incertezas, assim como lembranças que talvez sejam difíceis de serem relembradas, em função de inúmeros motivos. Saliento então a importância de conseguirmos relembrar para podermos reelaborar tanto situações positivas quanto situações muito mais delicadas. O mais interessante disso tudo, é que se trata de um trabalho construído e reconstruído numa dupla, terapeuta e paciente. Neste caso o psicólogo acaba sendo um facilitador durante este processo; capaz de colaborar com a escuta, assim como intervenções e técnicas que visam sempre o bem estar do paciente.

Espero que com este artigo, eu possa despertar um pouquinho mais do “pai” que somos capazes de construir ao longo de nossas vidas.

Terapia de Casal: Quando e porque buscar

Por Denise Helena Müller de Ávila, Psicóloga  – CRP 07/01582

Muitos casais relutam em buscar ajuda psicoterápica, entre outros motivos, por vergonha de expor suas dificuldades, por achar que ninguém pode ajudar, por não conhecer os benefícios que podem obter com este tipo de terapia.

Quando o casal  não se entende mais, quando não existe mais diálogo possível entre eles, quando o ciúme causa reações de raiva e intolerância e até violência, quando a infidelidade permeia a relação causando falta de confiança e levando a brigas constantes, quando o problema é a família de origem ou quando discordam sobre a educação dos filhos acarretando dificuldades com estes, quando o problema é na área sexual e/ou tantas outras situações que acabam afastando o casal, esfriando a relação e criando barreiras entre eles é o momento de buscar ajuda de um especialista em psicoterapia de casal.

O atendimento é feito ao casal e o terapeuta atua como um moderador, auxiliando na busca de solução do problema que está causando tanto sofrimento. É um momento de falar e também de ouvir o outro e pensar, refletir sobre o papel de cada um, sobre o que pode ou quer  fazer diferente, ou não. É um caminho para alcançar um conhecimento maior de si e do parceiro. Na terapia, cada membro do casal vai poder olhar para si e buscar entender como o seu comportamento afeta o outro e vice versa, propiciando que cada um se responsabilize pelos conflitos que vivenciam no vínculo.

O objetivo da terapia envolve o tipo e qualidade do vínculo, as expectativas e ideais de cada um, busca resgatar a comunicação, o afeto, a boa vida sexual, a vontade de continuar juntos. Mas também o casal pode concluir que a separação é o melhor pra eles.

Por preconceito ou medo, as pessoas acabam demorando pra buscar ajuda e muitas vezes chegam ao consultório com a relação tão desgastada que fica muito difícil resgatá-la. Quando isso acontece a terapia vai ajudar a que consigam fazer uma separação amigável, entendendo o que aconteceu de forma madura e, quem sabe, numa próxima relação, não incorrer nos mesmos erros.

Compulsão Alimentar

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377
Cada
vez mais recebemos nos nossos  consultórios pacientes com queixa de compulsão alimentar. Compulsão alimentar é uma doença em que a pessoa sente necessidade de comer, mesmo quando não está com fome, e que não deixa de se alimentar apesar de já estar satisfeito. Estas pessoas perdem o controle e ingerem grandes quantidades de alimentos. Estudos indicam que até 5% da população mundial sofre com algum distúrbio alimentar. A compulsão alimentar pode iniciar na infância e se estender ao longo da vida.

 Características desta compulsão são comer mais do que é preciso, a todo tempo, comer até passar mal, comer especialmente o que engorda como frituras, massas, doces e sentir-se triste depois de comer são alguns sintomas da compulsão alimentar, mas o principal é o comer quando sente-se ansioso, triste ou alegre.

  Muito fatores são associados a compulsão alimentar, o aspecto emocional serve muitas vezes de gatilho, dificuldades de suportar situações de frustração, angustia, perdas a comida entra como uma compensação. Problemas com a imagem corporal e baixa autoestima têm ligação direta com o descontrole em comer. Afinal, pessoas com compulsão alimentar normalmente não gostam de sua aparência. Elas constantemente acham que deveriam comer menos, mesmo que não consigam fazer algo a respeito disso.

  A compulsão alimentar pode estar encobrindo outras doenças como: depressão, ansiedade, transtornos alimentares como anorexia e bulimia. A comida serve muitas vezes para saciar dores emocionais e estas pessoas associam o alimento a uma tentativa de preencher um vazio em si, de forma inconsciente ou não.

  Por isto e muito importante ficar atento na relação com a comida e os aspectos emocionais. A psicoterapia auxilia o individuo a descobrir suas lacunas emocionais, entender melhor seus sentimentos e qual a relação que o excesso de comida tem com as emoções. A recuperação da compulsão alimentar inicia-se na identificação dos principais fatores psicológicos que desencadeiam o comportamento impulsivo e a perda do controle em comer.

O que está nos comunicando o desafio da rasteira?

Pelas Psicólogas Juliana Minuzzi Bergamaschi – CRP 07/21747 e Patrícia Crystobal Martins – CRP 07/21765 – Unidade Teresópolis

Diante dos últimos acontecimentos referente ao desafio da rasteira propomos uma reflexão a respeito dos motivos e intenções que levam os jovens a realizarem uma brincadeira de cunho agressivo. O desafio da rasteira, também conhecido nas redes como quebra-crânio e roleta humana, consiste em dois jovens se posicionarem ao lado de um colega, este é orientado a pular e recebe o golpe. A pessoa acaba caindo e batendo a cabeça no chão. O adolescente nesta etapa evolutiva da vida não tem total dimensão do que pode acarretar determinados comportamentos. Desta forma, tende a ver e compreendera vida como uma possível disputa, em que necessitam ser olhados, reconhecidos e valorizados, mesmo em decorrência do sofrimento do outro. O que torna legal e interessante o desafio é justamente colocar o outro no papel de bobo enquanto quem faz a brincadeira está em uma posição de destaque e liderança.

É na adolescência que o indivíduo está em busca da sua identidade, na qual há uma necessidade de autoafirmação, de pertencimento a um grupo ou um estilo e para tanto se utiliza da experimentação de maneira saudável ou através de comportamentos de risco. Aquilo que muitas vezes é considerado brincadeira, piada, ou palhaçada pode resultar em consequências, a noção do que é certo e errado ainda está em desenvolvimento. Visto que o adolescente não mede esforços para chamar atenção,deixando o desejo acima da realidade. Realidade essa, que é construída no educar. Que se dá a partir de um papel ativo dos pais para com este adolescente propiciando um ambiente de cuidado, diálogo, afeto e respeito. Permitindo ao jovem um espaço para o crescimento, bem como, com responsabilidade em relação a si e ao outro.

Na psicologia entendemos que neste desafio da rasteira há uma comunicação não verbal que pode sinalizarum desejo de ser olhado, um pedido de ajuda, e até mesmo uma busca por limites com o intuito de sentirem-se seguros e amparados. Sendo assim, pensamos ser importante que a rede de apoio (família e escola) valorize tais manifestações, acolhendo e propiciando um espaço de escuta e orientação. A psicoterapia para adolescentes é uma excelente ferramenta no auxilio dessas questões, pois ajuda no autoconhecimento, proporciona um espaço livre de julgamento ou crítica. Instiga o pensar, fazendo com que o adolescente compreenda com clareza seus comportamentos e atitudes, o que os leva a agirem de tal forma e sobre tudo como estes impactam no outro.

Como seguir em frente?

Por Maira Noroefe – Psicóloga, CRP 07/13825
Diariamente a vida nos coloca diante de situações as quais, se pudéssemos escolher, jamais viveríamos. A perda de um amor,
decepção com uma pessoa, a perda de um emprego muito importante, expectativas frustradas, são pequenos exemplos de dores muito grandes e intensas. O coração aperta, o peito doe, desaparece o apetite, o sono e, por vezes, a vontade de seguir em frente. Parece que já não há mais sentido nos planos uma vez traçados.

A tendência é que se tenha sentimentos e sensações muito ruins: sentir-se fraco, vulnerável, culpado, injustiçado, com raiva ou sozinho são emoções muito comuns de virem à tona quando nada está bem. Mas a realidade pode ser diferente do que todas essas sensações nos falam. A verdade é que a grande maioria das feridas são possíveis de serem tratadas e sanadas. Entretanto, esse é um processo que sem dúvida, custa! Custa tempo, custa dedicação, custo esforço. Custa percorrer um caminho que nunca trilhou e isso implica em fazer as coisas do jeito que nunca fizera antes.

Em geral, momentos de crises são sempre momentos de oportunidade também. Agir com calma e parcimônia são fundamentais para (re)começar. Este talvez seja o momento de investir muita energia em coisas que trarão benefícios tanto físicos como emocionais. Leva tempo, demora, mas o tempo vai passar de qualquer maneira.

Permita-se tentar. Peça ajuda e acredite, com esforço, dedicação e tempo é possível cicatrizar nossas feridas. Apaziguar o coração. É preciso também cuidar da saúde emocional. Cada vida traz uma história e cada pessoa precisa entender qual é a sua história, por quais motivos as coisas que acontecem nela, acontece assim? O caminho do autoconhecimento é tão precioso porque ele nos torna capazes de sermos mais fortes, abre mais possibilidades em como enfrentar a vida e talvez contribua para que melhores escolhas aconteçam. 

Bullying, afinal isso existe?

Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

Apesar de esse termo ser muito falado na mídia, ainda é comum desconhecimento tanto da comunidade escolar quanto dos pais sobre o assunto. Muito escutamos a frase que “fulano está sofrendo bulling na escola”, ou “esses assassinatos na escola foi porque o aluno sofreu bulling!”, e em seguida “no meu tempo isso não exista”, “isso é falta de laço”…, mas, afinal o que é o “bulling”?

Bulling é a situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou física, podendo ser inclusive online, de maneira repetitiva, por um colega ou um grupo contra outro colega. O termo tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão. Mesmo sem uma tradução literal para o português, o termo bulling é usado para designar uma situação de ameaça, humilhação, tirania, intimidação e maltrato. O apelido inofensivo pode afetar emocionalmente, e provocar além de afastamento, queda no rendimento escolar, doenças psicossomáticas (alergias, tosse, dores musculares, enxaqueca), e influenciar a formação da personalidade, em casos mais extremos, levando ao homicídio ou suicídio.

O bulling inicia sempre com um agente causador , ou seja, a pessoa que provoca o desconforto, que cria o apelido, o deboche. Habitualmente, esse busca auto afirmação, quer ser popular, precisa da aprovação e de uma boa imagem de si. Precisa da satisfação de ver o outro humilhado e assim se sentir poderoso. É alguém que não conseguiu aprender a transformar sua raiva em diálogo e a opressão O satisfaz.

Nas escolas essas situações são muito facilmente observadas, e cabe a comunidade escolar diferenciar uma brincadeira de uma situação de bulling. Não é qualquer desentendimento ou apelido que precisa de intervenção de um adulto, muitas situações fazem parte do desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Algumas dicas para trabalhar com crianças e adolescentes a prevenção do bulling:

*incentivar a solidariedade, a generosidade, o respeito as diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e a tolerância, atividades de cooperação, interpretação de diferentes papeis em simulações de conflitos. Lanches coletivos, atividades em grupos, gincanas colaborativas, são algumas alternativas.

*desenvolver um espaço-tempo em sala de aula para a comunicação entre os alunos

*estimular que todos estejam atentos e comuniquem qualquer situação de constrangimento percebidas dentro do ambiente escolar

Os professores devem sempre lembrar que são fundamentais  na formação emocional de crianças e adolescentes, e pode ser o agente transformador numa situação de bulling. Estimular apenas que uma briga encerre não auxilia no processo de construção. Incentivar a paz sem diálogo não ajuda na prevenção ou solução do bulling , pois pode favorecer o senso de injustiça. Não ensina como solucionar o conflito, não oferece alternativas construtivas, não oferta espaço para o diálogo. Uma sugestão é buscar trazer a situação para a turma, convidando todos a opinar, de forma orientada, e construírem novas saídas para o conflito.

A Clínica Equilíbrio – Centro de Psicoterapia oferece acompanhamento psicológico individual e familiar para as crianças e adolescentes com profissionais altamente qualificados, atentos as etapas evolutivas de cada indivíduo. Nossos profissionais estão aptos a entender todas as formas de comunicação, entre jogos e brincadeiras e oferecemos também avaliação psicodiagnóstica.