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Sentimentos Maternos Frente ao Nascimento do Filho Prematuro

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

A transição para a maternidade constitui-se numa experiência deveras complexa para a mulher, pois envolve aspectos fisiológicos, neurológicos, afetivos, sociais e relacionais. Desde o período de gestação até o nascimento, inúmeras são as expectativas em relação ao bebê e o papel da mãe: “Serei capaz de cuidá-lo? Serei uma boa mãe? Como será a minha vida após a maternidade? Meu filho se desenvolverá de forma saudável?”

Durante os nove meses de gestação a mulher se prepara para a chegada do filho, mas quando o nascimento ocorre prematuramente, ou seja, antes de completar 37 semanas, não só a gestação é interrompida, mas, também, a gravidez psíquica. Esta brusca interrupção gera consequências emocionais importantes, tais como angústia de separação e perda, culpa, ansiedade e medo, principalmente pela possibilidade de sequelas ou óbito de seu bebê.

O nascimento de um bebê prematuro provoca um severo golpe à auto-estima da mãe, às suas capacidades de maternagem e ao seu papel feminino. A maioria dessas mães vivenciam um importante sentimento de culpa. A culpa surge pela interrupção da gravidez e por não poderem levar o bebê saudável para casa, associa-se a este fato a impossibilidade de visitá-lo logo após o parto, tendo que deixá-los aos cuidados dos profissionais do hospital.

Como o bebê prematuro é rapidamente afastado de suas mães logo após ao parto, elas podem experimentar uma sensação de vazio, uma espécie de amputação. E, durante essa separação, imaginam as piores evoluções possíveis: que o bebê está morrendo ou então que é anormal. Em situações favoráveis, este rompimento no relacionamento começa a diminuir já no primeiro encontro entre a mãe e o bebê. Mas apenas quando a mãe pode tocar e manipular seu filho é que o relacionamento é revitalizado podendo ela, finalmente, experimentar sentimentos maternos.

A experiência da prematuridade representa uma crise e necessita passar um processo de elaboração, cabendo aos profissionais da saúde ajudarem e facilitarem a transição para a maternidade. O apoio psicossocial à mãe do bebê prematuro também deve fazer parte da ação da equipe multidisciplinar do hospital. O contato materno precisa ser estimulado desde o início pela equipe para que se estabeleça o apego e a mãe consiga se vincular ao seu bebê e atender as necessidades dele.

Felizmente, atualmente, em muitas unidades de tratamento intensivo neonatal grupos de pais de prematuros são formados encontrando-se semanalmente para conversarem e trocarem experiências. Esses encontros propiciam, além de apoio, um alívio considerável a esses pais por poderem expressar seus sentimentos, angústias e receios mais íntimos. Pesquisas apontam que os participantes destes grupos visitam seus bebês mais frequentemente que os demais pais. Eles, inclusive, conseguem olhar, tocar e falar mais com seus bebês. Além disso, as mães emocionalmente apoiadas conseguem apresentar um maior envolvimento com seus filhos durante a amamentação.

E por último, mais do que informações ou conselhos, as mães precisam mesmo de recursos do ambiente que estimulem a confiança nelas mesmas e em seu papel de cuidadoras. Elas precisam fundamentalmente ser ajudadas a entrarem em sintonia com seus bebês e, uma vez que estejam sintonizadas com eles, elas saberão, exatamente, o que fazer para que eles se desenvolvam favoravelmente.

ABUSO SEXUAL: IDENTIFICAÇÃO, MANEJO, CONSEQÜÊNCIAS E PREVENÇÃO

Por Luciana Pandolfo Camaratta,  Psicóloga – CRP 07/05918

Caracteriza-se abuso sexual qualquer forma de contato sexual ou erotização não desejado,forçado e ameaçador. Pode ocorrer na família através dos pais, padrastos , irmãos ou outro parente qualquer. Também fora de casa com amigos, vizinhos, alguém que cuida da criança ou também na forma virtual.  Identificar, manejar com a situação ou prevenir sua ocorrência é uma tarefa difícil que exige alguns cuidados.

A Psicanálise afirma que as crianças tem fantasias, desejos e experiências sexuais . Descobre as primeiras sensações de prazer com o toque , vai descobrindo seu corpo e as diferenças anatômicas. Existem fases no desenvolvimento psicossexual : Oral , Anal, Fálica ,Latência e Genital. Pensando no abuso sexual,  todo este ciclo é brutalmente quebrado. A criança vive imediata e violentamente a erotização e genitalidade.  Não apresenta nenhuma condição de personalidade para bancar esta experiência. ESTAMOS ENTÃO DIANTE DE UM TRAUMA e será necessário trabalhar esta situação. Alguns cuidados serão importantes!

A revelação de uma situação que envolve aspectos sexuais, geralmente é vivenciada com preocupação e ansiedade , fazendo com que as pessoas tomem atitudes imediatas ou sintam-se paralisadas pretendendo manter o segredo. Estes são extremos que não trazem benefícios. Será necessário observar o relato da criança e seu comportamento. A criança por estar em um momento de descobertas e de intensa vida de fantasia e o adulto por questões de sua história, dificuldades e vivências,  correm o risco de entender a situação de forma distorcida. Por vezes poderemos estar diante de uma situação que merece cuidado e atenção ,mas não é abuso!

Enquanto diante da suspeita, será necessário proteger a criança da repetição das possíveis situações de risco identificadas em seu relato e comportamento. Conversar com a criança sobre a hipótese de abuso ou nomear uma experiência como tal, sem que ela tenha vivido  a situação, também pode ser traumático. É também entregar-lhe uma vivência para a qual não tem condições nem estrutura de personalidade para administrar.Além disto, se ela está vivendo um segredo e for questionada ,” investigada de forma muito direta”  ,poderá sentir-se ameaçada e não concluir a revelação, em função de ameaças feitas pelo abusador a ela ou a sua família. Uma das possibilidades é MANTER O SEGREDO E CONSTRUIR UM SINTOMA. Segredos negativos ocupam grande espaço mental e consomem muita energia. Por exemplo , a criança poderá apresentar ótima condição cognitiva e apresentar queda no rendimento escolar em função de um bloqueio do pensamento. Pensar fica proibido, porque envolve o risco da revelação.

Quanto menos idade, menor será a condição para expressão em palavras, maior será a fantasia e a expressão por via do comportamento. Mudanças súbitas expressam alguma dificuldade , conflitos e sofrimento, algo que não se refere somente ao abuso sexual mas a toda e qualquer situação. Toda criança apresenta comportamentos que envolvem a sexualidade, porém na situação de abuso, serão as características e intensidade das manifestações que merecem atenção e ajudam a definir seus motivadores.  Comportamento erotizado, masturbação visível e freqüente, demonstração de conhecimento e informações excessivas para sua idade ; visíveis através da linguagem verbal ou das brincadeiras são importantes sinais.  Outro aspecto importante será observar seu corpo. A criança abusada traz na roupa íntima sujeiras à mais , queixa-se de dores e assaduras , podendo apresentar sinais e sintomas de doenças sexuais.

Algumas outras manifestações também são importantes, embora possam ser consequência de uma série de outras dificuldades. Apresentar comportamentos regressivos, demonstrando que necessita voltar a uma etapa ou situação onde sentia-se mais segura. Sentimento de medo, fobias e ansiedade, temendo a revivência de situações traumáticas. Alterações de humor- agitação, irritabilidade, agressividade, depressão e isolamento, choro sem causa aparente. Alterações no sono – insônia e pesadelos. Queda no rendimento escolar e dificuldade para concentra-se.

A criança deve ser orientada A NÃO GUARDAR SEGREDOS QUE INCOMODEM. Deve ser ensinada a ter RESPEITO POR SI MESMO E PELOS OUTROS. Ensinada a ter PRIVACIDADE. Deve receber CONHECIMENTOS RELATIVOS À SEXUALIDADE CONFORME SOLICITAR. As informações, manifestações relativas à sexualidade , a forma de lidar com elas em casa, auxilia a criança a ter limites e a dar limites para outras pessoas ,sendo portanto algo que proporciona amadurecimento e prevenção na ocorrência de situações difíceis, dentre elas o abuso sexual.

 

A importância da figura paterna no bem-estar das crianças

Por Camila Trevisol Fernandes – CRP 07/23581

Através das mudanças sociais e culturais na nossa sociedade, e com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, se fazem necessárias novas configurações no âmbito familiar. Observam-se significativas transformações nas relações entre homens e mulheres, assim como, nos papéis conjugais e parentais.

O pai anteriormente exercia a exclusiva função de provedor, desempenhando essencialmente uma função disciplinadora, e na maioria das vezes, através de códigos rígidos e repressivos. Sua autoridade não era questionada e as regras estabelecidas eram impostas tanto para os filhos como para a esposa que, na qual, mantinha uma relação de dependência. A relação entre pai e filho era distante, havendo pouca interação e participação nos cuidados diários com a criança.

A interação com a figura paterna é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, facilitando a capacidade de aprendizagem e a interação social. Torna-se importante ressaltar que a figura do pai pode ser representada por outro adulto que participe ativamente da vida da criança e tenha um vínculo significativo com ela.

A presença do pai poderá facilitar à criança a passagem do mundo da família para o da sociedade.  O pai poderá auxiliá-lo no desenvolvimento da capacidade de se defender, de explorar o ambiente, de lidar com os sentimentos decorrentes de situações de vida e na afirmação de si. Com o pai próximo e presente podem sentir-se mais seguros em suas atividades, na tomada de iniciativas e nos vínculos ao longo da sua trajetória.

De outro modo, a ausência paterna pode gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento. Pode-se observar que os filhos carecem de apoio, segurança e de valores que espontaneamente cabe ao pai também transmitir. Os jovens procuram no seu pai um modelo com o qual possam se identificar, necessitando de limites bem estabelecidos e a afirmação da noção de certo e errado para o bom desenvolvimento pessoal.

Crianças que não possuem uma figura paterna com vínculo satisfatório podem apresentar problemas de identificação, dificuldades de desempenhar seus papéis e de aprender regras de convivência social. Isso mostra a importância da internalização de uma figura simbólica, capaz de representar a instância moral do indivíduo. Desse modo, a falta pode se manifestar de diversas maneiras, entre elas uma maior propensão para o envolvimento com a delinquência.

Quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no crescimento e na educação da criança, melhor são os sentimentos de satisfação com a vida e a relação que se estabelece com as pessoas. As crianças que tem um bom relacionamento apresentam um nível maior de autoestima, confiança interna, segurança em si mesma e em relação àqueles que a rodeiam. Além disso, conseguem desenvolver estruturas psíquicas suficientemente fortes e seguras para enfrentar as dificuldades da vida cotidiana.

O vazio promovido pela ausência paterna pode desencadear vários déficits no bem-estar das crianças, podendo experimentar sentimentos de desvalorização, raiva, tristeza, melancolia, agressividade e violência. A privação pode trazer consigo angústia, uma exagerada necessidade de amor, fortes sentimentos de vingança, culpa e depressão.

Por fim, considera-se que a função do pai na vida de um filho é tão fundamental quanto à presença da mãe, quando se pensa em um bom desenvolvimento socioemocional da criança. Atualmente através da reorganização dos papéis familiares, os pais podem estar mais próximos fisicamente e afetivamente dos seus filhos, podendo participar ativamente dos seus cuidados desde o seu nascimento.

Suicídio e o Setembro Amarelo

Por Letícia Schmitz, Psicóloga – CRP 07/18830

Estamos finalizando o mês de setembro, mas, sempre em tempo, para falarmos sobre o suicídio e o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio que está se tornando cada vez mais conhecida. Eventos são realizados para debater, alertar e até mesmo desmistificar o assunto. Digo desmistificar, pois acredito que, quanto mais a sociedade possa falar a respeito, mais informação a população tiver sobre motivos que levam uma pessoa a pensar em tirar a própria vida, talvez menos casos se tornem reais e concretos nas estatísticas. A campanha teve como start o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, que acontece no dia 10 de setembro.

Muitos podem ser os motivos que levam alguém a cogitar o ato, como estar em um quadro depressivo, abuso de substâncias ou conflitos emocionais dos mais diversos, que por vezes, podem ser desencadeados por estressores familiares, problemas conjugais, dificuldades financeiras, entre outros. Porém, nem sempre as pessoas levam a sério um pensamento como este ou até mesmo uma tentativa real de suicídio. É comum, ainda hoje, ouvirmos o mito de que quem pensa ou comete uma tentativa de suicídio está querendo chamar a atenção, é percebida como uma pessoa fraca ou até mesmo louca.

O Setembro Amarelo está aí para mostrar que é importante que consigamos olhar para este indivíduo com todo o sofrimento que ele carrega, e pensarmos que o que ele realmente deseja é acabar com os seus problemas e não com a sua vida.

É necessário estarmos atentos àqueles que estão passando por algum tipo de conflito à nossa volta, pois quem pensa em cometer suicídio podenão expora ideia a outras pessoas. O mais comum é encontrarmos pessoas que sofrem caladas, muitas vezes com vergonha de expressarem seus pensamentos com receio de um julgamento e, aí sim, acabarem por ter uma atitude drástica como a tentativa de acabar com a própria vida.

Os profissionais da área Psi, psicólogos e psiquiatras, são os mais qualificados para auxiliarem alguém que está passando por este momento de pensamentos de morte e/ou tentativas de suicídio, exatamente por trabalharem com técnicas e conhecimentos específicos de cada área e não utilizarem do senso comum, muito menos de julgamentos com quem sofre tamanha dor. Com uma avaliação precisa, estes profissionais muitas vezes trabalham juntos, aliados no cuidado do paciente que sofre.

Em um processo de psicoterapia, podem ser explorados não só os motivos conscientes, mas, principalmente, os motivos inconscientes que fizeram o paciente cogitar tal ideia. Motivos que, em geral, não são claros e estão escondidos no íntimo da pessoa, e que, às vezes, a acompanham por anos, não sabendo identificar de onde vem tanto sofrimento.

Ser mãe é padecer no paraíso? Baby blues x depressão pós-parto

Por Larissa Mendonça Lütkemeyer CRP 07/16189

A maternidade costuma ser muito sonhada por grande parte das mulheres. A maioria delas idealiza esse momento e imagina seu bebê lindo e sorridente nos braços, despertando nelas somente os melhores sentimentos. Atualmente, na era das redes sociais, essas fantasias são ainda reforçadas pelas diversas postagens de mães felizes e contentes com seus rebentos fofinhos e tranquilos, afinal, poucos postam nas redes suas dificuldades e angústias. Porém, de fato, já durante a gestação é comum surgirem, junto com as expectativas, diversos sentimentos, alguns deles contraditórios inclusive. Ser mãe é mesmo uma das maiores realizações na vida de uma mulher e um momento de imensa felicidade, mas não é só…

A realidade pós-parto costuma ser bem diferente desse sonho ideal, principalmente nos primeiros dias e semanas após o parto. A gestação e o puerpério (período que tem início logo após o parto e se estende até a sexta ou oitava semana pós-parto) são períodos de muitas mudanças físicas e emocionais. Além das alterações que seu corpo sofre para gerar o bebê e depois para retornar ao estado pré-gestacional, também são necessárias muitas adaptações a situações novas. Agora surgem necessidades que antes não existiam, existe um ser que depende totalmente de suas percepções, decisões e atitudes e tudo isso impacta fortemente no estado emocional da nova mãe. Sentir-se mais sensível e vulnerável é muito comum nessa fase, assim como ter dúvidas e inseguranças, principalmente a respeito da sua capacidade para dar conta da nova vida e das necessidades do seu filho. Afinal, não é fácil se sentir controlada pelas constantes exigências desse pequeno ser que não lhe dá descanso, ter sua relação com o companheiro atravessada por um terceiro recém-chegado e pensar que sua vida provavelmente nunca mais será como antes. Em meio a tantas mudanças, novidades e adaptações um sentimento de solidão também pode aparecer de forma intensa.

É nesse contexto que pode manifestar-se a tristeza materna, ou Baby Blues. O Baby Blues é um estado que pode surgir nos primeiros dias após o nascimento do bebê e pode durar em torno de duas semanas. Nesse período é possível que existam momentos em que a mulher se sinta radiante e logo em seguida muito sentimental, chateada e chorando sem motivo. Algumas características do baby blues são: maior sensibilidade emocional, constante vontade de chorar, insegurança, impaciência, ansiedade, comentários autodepreciativos (como não ser capaz de cuidar do bebê), e ainda insônia e mudanças bruscas de humor. No entanto, esse estado não impede que ela realize suas atividades de rotina ou os cuidados com o bebê.

Diferentemente do baby blues, a Depressão Pós-Parto tem intensidade e duração maiores, podendo surgir logo após o parto, a saída do hospital ou ainda a qualquer momento durante o primeiro ano do bebê, repentinamente ou se desenvolvendo gradualmente. É caracterizada por uma tristeza intensa, desmotivação diante da vida, sensação de não ter forças para encarar a rotina e as tarefas do dia a dia, irritabilidade, choro frequente, sentimento de desamparo e desesperança, desinteresse sexual, ansiedade, sentimentos de incapacidade para lidar com situações novas. Em casos mais extremos, a mãe pode chegar até a rejeitar seu bebê. Logo, a depressão pós-parto é uma condição grave e que exige atenção profissional. O ideal é que, além do seu obstetra, a mãe seja atendida por um psicólogo e por um psiquiatra, caso haja necessidade de usar medicação para controlar os sintomas depressivos.

É importante termos consciência de que o estado emocional da mãe, tanto durante a gestação, quanto após o nascimento influencia diretamente no estado emocional do bebê e na relação que ambos vão estabelecer. Portanto, se a mãe está muito deprimida, se sentindo incapaz e demasiadamente insegura, certamente essa relação será abalada, gerando mais insegurança no bebê, que vai manifestar seu incômodo de alguma forma, podendo desde tornar-se mais choroso e irritadiço, até somatizar suas emoções através de sintomas corporais, como febres ou alergias, por exemplo. Essa relação mãe-bebê, claro, pode ser melhorada ao longo do tempo, mas as experiências inicias estabelecem marcas importantes no psiquismo da criança, que podem influenciar futuramente no seu modo de sentir e reagir aos acontecimentos posteriores. Assim, é essencial que a mãe atente para os seus sentimentos e cuide das suas emoções, antes e durante a gestação e após o nascimento do filho.

Para ajudar a mulher a enfrentar esse período naturalmente complicado e que exige tantas adaptações, é primordial que ela tenha uma rede de apoio com a qual possa contar. Antigamente, quando as mulheres tinham como principal atribuição cuidar dos filhos e do lar, elas contavam com a disponibilidade de suas mães, irmãs, tias e outras mulheres próximas para lhes auxiliar. Isso proporcionava um sentimento de acolhimento e de que não estavam sozinhas para lidar com todas as suas angústias, inseguranças e dúvidas. Hoje, essa realidade é bem diferente, a maior parte das mulheres trabalha fora, o que diminui muito esse respaldo dado à nova mãe. No entanto, esse apoio dos familiares, amigos mais próximos e, principalmente do companheiro, se faz muitíssimo importante, contribuindo positivamente para o aumento da segurança e confiança da mãe e diminuindo as chances de ela desenvolver sintomas mais graves.

Podemos concluir que tornar-se mãe não é um processo fácil. Ao mesmo tempo que é uma realização pessoal e promove muita felicidade, também gera frustrações e ansiedades, além de tantos outros sentimentos, variáveis em frequência e intensidade. Nesse cenário, a psicoterapia mostra-se como uma ferramenta positiva de auxílio para a mulher/gestante na preparação para a maternidade, na vivência desse período tão intenso que é o puerpério e na experiência diária da maternagem.

SOBRE O AMOR

Por Keylla Jung, Psicóloga – CRP 07/07683

O amor tem plasticidade, se expressa sob muitas linguagens, e ainda assim, para nós, seres racionais não nos basta sentí-lo, queremos explicá-lo.

Vez ou outra encontramos consolo nas palavras em poesia, no curso de um romance, na arte em imagens ou ritmos que nos falam do amor. Sobre ele, há quem diga que é apenas invenção humana e, portanto, pode ser modificado.

Passamos à entender que o amor é intrinsicamente constitutivo da forma como nos tornamos pessoas.

Para os gregos antigos, o amor está representado em Eros, uma força de ligação, um desejar ardente que não é necessariamente carnal. O desejo é sempre daquilo que nos completa. É desejo de conquistar e conservar o que não se possui.

O amor expresso na amizade é desejo de compartilhar, um prazer com a convivência. Fazer o bem para o outro, ainda que não exista nenhuma inclinação especial, é amor de benevolência.

Ao longo do século XIX, o amor passa a ser visto como indissociável do romantismo e, na esteira desse pensamento, surge a psicanálise que, entre outras investigações, se ocupa dos impasses amorosos da humanidade moderna. Porém, diferente de um folhetim, a psicanálise tenta dar corpo científico à compreensão que se possa ter sobre o amor. Ela assume uma posição nada ingênua e questiona a cerca da fixidez do amor romântico como via régia de acesso à felicidade. A psicanálise considera o amor como experiência que se reproduz na relação terapêutica, tal qual os modelos relacionais mais primitivos da vida do paciente.

Na concepção freudiana, projetamos em nossas escolhas amorosas as perfeições idealizadas da imagem que construímos de nós mesmo, isto porque desejamos ser protegidos, cuidados e reconhecidos como seres únicos diante da atenção emocional do outro, ou seja, o amor surge da necessidade de nos livrarmos de nosso sentimento de desamparo.

No transcorrer de um processo psicoterápico, essas experiências são novamente experimentadas de maneira mais ou menos sutil, e, a partir desse ponto, novos significados poderão ser atribuídos ao que cada um entende por amar e ser amado.

Conectando-se com os adolescentes

Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

A adolescência se caracteriza por ser o período de transição da infância para a fase adulta. Envolve mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais, uma fase de desafio permanentes, não só para os jovens, mas também para seus pais, familiares, professores e amigos.As transformações físicas, são gigantescas, sobretudo na estatura e no desenvolvimento do aparelho reprodutor, bem como na aquisição das características sexuais secundarias (pelos pubianos, aumento das mamas, aumento do pênis

Deve-se compreender a “crise normal da adolescência” como um momento em que se vivencia lutos (perda do corpo infantil, perda dos pais idealizados na infância) e conflitos, sendo fundamental o apoio e auxílio para lidar com todas as necessárias transformações.

Estudos com neuroimagens revelaram que o cérebro adolescente ainda esta em desenvolvimento. Mudanças drásticas nas estruturas encefálicas que afetam as emoções, o discernimento, a organização do comportamento e o autocontrole ocorrem entre a puberdade e a vida adulta, o que, de uma certa forma, justifica algumas das dificuldades dos adolescentes com impulsividade, responsabilidade com horários e compromissos. A necessidade do sono, o adolescente requer tanto ou mais de horas de sono de uma criança, privação de sono reduz a motivação e concentração para os estudos, por isso se faz tão importante cuidar o tempo em frente a Tvs e celulares antes de dormir, porque eles tiram o sono que vai faltar no inicio da manha.

As diferenças entre crianças e adolescentes não se resumem a aparência, eles também pensam e falam de forma diferente. Para Piaget, é na adolescência que o jovem se torna apto ao raciocínio hipotético dedutivo, de modo a poder estabelecer relações abstratas entre conceitos, fazer avaliações mais complexas e projeções para o futuro, ajudando na sua elaboração de identidade. A busca de identidade, uma das principais tarefas da adolescência, onde pode-se dizer, que a identidade se forma quando o jovem resolve 3 questões fundamentais: a escolha de uma profissão ou ocupação, a adoção dos valores pelos quais se guiar na vida e o desenvolvimento de uma identidade sexual que o satisfaça. Questionar crenças morais dos pais fazem parte, eles tentam por vezes com dificuldade conciliar suas opiniões com as dos pais. Eles tendem a se comparar com os pares (iguais, outros adolescentes) a compreender que seus comportamentos estão sob avaliação e a se preocupar mais com as implicações sociais de tais julgamentos.

Este afastamento dos país é fundamental para testar sua independência e autonomia, um ensaio para vida adulta.

Dificuldades:

Um aspecto essencial do desenvolvimento da adolescência é a interação com os pares, na medida em que representa uma aquisição fundamental na constituição da identidade e das escolhas pessoais. A necessidade de encontrar um espaço dentro de um grupo social pode influenciar os adolescentes na escolha de comportamentos que variam em termos de funcionalidade e adaptação. Eles tendem a se engajar em comportamentos que elevem seu status dentro do grupo, e alguns deles podem ser considerados de risco, tais como, uso de drogas, infrações, comportamento desafiadores….

Desafios da Tecnologia e mundo virtual. Pergunta-se como vai se dar esta formação de identidade neste mundo virtual?? Nesse sentido, além de superar as dificuldades geradas pelo tensionamento da comunicação entre país e filhos na adolescência, os país precisam se aproximar do mundo digital e se adaptar a ele, porque é praticamente impossível um jovem não ter interação em redes sociais nos tempos de hoje. Onde muitas vezes as amizades virtuais substituem as reais. Supervisão e atenção dos responsáveis são fundamentais para proteção contra cyberbuling, pessoas mal-intencionadas….

Hoje, é possível viver em dois espaços – o real e o virtual – ao mesmo tempo. Mas, que mundo virtual é esse e quem transita por ele? Quando estou no mundo real, estou realmente olhando para o aqui e agora ou estou de olho no virtual? É importante refletir até que ponto adultos e adolescentes têm consciência da distância entre essas duas dimensões e conseguem passar pelo virtual sem perder a conexão com o real.

Qual limite saudável para ocupação desses itens na vida de cada adolescente? Qual o limite saudável para a utilização das ferramentas virtuais por cada jovem? A resposta deve levar em consideração o momento de vida de cada um desses jovens, suas necessidades, vontades, seus limites, seus direitos e seus deveres. Não há receita certa para nós seres humanos como há receita para bolo. E a sutileza é exatamente essa: entender que aquilo  que serve para um “ser” pode não servir para outro, mesmo que os dois tenham a mesma idade.

Por vezes quando o jovem não encontra apoio em casa, sente-se sozinho, carente, que não tem ninguém olhando por ele. Pode ocasionar um adoecimento do contato deste e, consequentemente, o mundo virtual pode deixar de ser uma ferramenta utilizada para se tornar uma muleta. (A ferramenta é utilizada quando necessária e deixada de lado quando outras necessidades vêm à tona. A muleta mostra que há uma deficiência, uma dependência, serve como uma fuga da realidade.) Assim, o jovem passa a não mais transitar pelo virtual e pelo real com a flexibilidade e facilidade naturais desse momento de vida.Ele passa a ficar mais dependente do virtual, tornando suas relações cada vez mais escassas. O gatilho para esse comportamento pode ser  o fato de que o virtual pode ser controlado, enquanto o real está dolorosamente incontrolável. É uma tentativa de amenizar uma dor emocional, mas de uma forma disfuncional para o adolescente. Não é um comportamento saudável já que restringe a vida do jovem à uma única possibilidade e o afasta do convívio, tão importante nessa fase do desenvolvimento.

Outras situações difíceis podem trazer o mesmo comportamento. E por falar em comportamento, a mudança abrupta deste por parte dos jovens é quase sempre um pedido de atenção, de ajuda, os pais devem estar sempre atentos, há que se observar com zelo se a vida virtual não está tomando conta de todo o tempo dele. Se a resposta for positiva, pode haver um sofrimento tentando ser aliviado com esse comportamento de esquiva da realidade, como brigas frequentes dos pais, ameaças de que o jovem será abandonado por um dos genitores ou que terá de mudar de escola ou cidade por causa da separação etc.

Como já foi dito anteriormente, não existe receita para se criar gente, mas existem algumas palavras que, empregadas no dia a dia, podem evitar muito sofrimento: atenção, cuidado e observação. Observar o comportamento dos adolescentes e ficar atento e cuidadoso a como o sofrimento dos pais é transmitido a estes filhos, que não possuem, ainda, maturidade para lidar com carga tão intensa é fundamental. Com a dor emocional associada a uma fase de desenvolvimento tão delicada e instável, que é a adolescência, surge a necessidade da fuga.

Nessa hora, a acessibilidade fácil do mundo virtual o torna o destino mais “seguro”, por ser conhecido, em meio a um turbilhão de sensações estranhas. Enfim, havendo alguma mudança abrupta, alguma dependência do mundo virtual em detrimento das relações reais, deve-se abrir espaço para o acolhimento e para o diálogo, para que o adolescente consiga expressar o que sente e encontre, junto à família, formas de ser amparado e auxiliado.

Jovens que encontram nos país, na escola e na comunidade uma rede de apoio tendem a se desenvolver de forma mais positiva e saudável.

Como pais e escolas podem encontrar um caminho para educar os filhos, sabendo da curiosidade e o gosto pelo proibido naturais da adolescência? Falta um pouco de iniciativa para dizer ‘este jogo não é bom para você’, ‘novelas são para adultos’, ‘você não pode fazer algo que prejudique alguém dentro ou fora da internet’. E talvez as crianças, tão habituadas a TVs e computadores, desejem, na verdade, ouvir: ‘que tal desligarmos o computador e irmos brincar lá fora?’. Além do diálogo constante com os filhos, os pais podem estar mais próximos dos outros pais da escola. Podem participar de grupos de discussão na internet formado por pais, usar as redes sociais a seu favor e proteger seus filhos. Limitar e estabelecer regras, com horários e tempos, são medidas importantes de proteção e cada família vai definir como vai funcionar na sua casa.

Enfim, necessária e urgente a integração e conexão com o jovem adolescente. Um grande desafio dos tempos atuais.

 

A Saúde Mental do Policial

Por Fernanda Thones Mende, Psicóloga – CRP 07/1378

Vários estudos em diferentes países vêm destacando os benefícios da manutenção da saúde mental do policial, como forma de proteção e melhora do desempenho destes profissionais, os quais encontram-se expostos a intenso estresse. Tais cuidados garantem o bem estar não apenas do indivíduo, bem como da população como um todo.

Desde o ingresso do policial na instituição, seja civil quanto militar, o sujeito se depara com uma forte exigência para lidar com o perfil exigido a esse fazer. Desde a seleção, através de concurso público já se inicia essa adaptação ou mesmo a sua exclusão. A postura engajada na promoção do controle social e da ordem, repressiva muitas vezes,  passa a ser uma busca nos cursos de formação, além de uma capacidade de resiliência frente às adversidades a serem apresentadas ao jovem policial e conseqüentemente ao longo de sua carreira.

A forma como essa carreira irá se destacar positivamente ou mesmo negativamente se dará muito pelas características de personalidade desse profissional, que se observará mais ou menos identificado com a demanda, bem como a forma como este conseguirá se auto- regular e lidar com suas inúmeras vivências traumáticas ao longo dos anos. A busca pela carreira de policial, no entanto, é escolhida algumas vezes em função de “estabilidade” financeira por incluir-se no rol das profissões que envolvem o serviço público. Um equívoco, na maioria das vezes, principalmente quando o indivíduo mesmo tentando se “enquadrar no perfil” acaba se deparando no seu cotidiano, por uma vivência embora técnica, cheia de variáveis, horários e escalas de trabalho instáveis, além de vários imprevistos .

Nas instituições militares não podemos deixar de destacar a peculiriaridade de uma carreira caracterizada por obediência de base hierárquica, que confere uma vivência diferenciada até mesmo quanto às leis e normativas que irão nortear seu comportamento, comparado a população geral. Essas exigências específicas podem ser favoráveis no desenvolvimento do caráter desse indivíduo se ainda ingressar jovem, através da disciplina e posicionamento ativo preconizado por essas instituições, mas poderão ser um problema a uma personalidade mais opositora.

Doenças no trabalho às vezes são percebidas já em estágios avançados, uma vez que freqüentemente apresentam sinais e sintomas comuns a outras doenças, o que mascara a identificação precoce deste agravo, repercutindo tanto na saúde do trabalhador como gerando custos para a instituição e serviços de saúde.

Entre as classes de trabalhadores, os policiais possuem maior risco de morte e propensão ao desenvolvimento de estresse, devido à sobrecarga de trabalho e ao caráter das atividades que realizam e embora seu treinamento o ajude a lidar tecnicamente com suas atividades, estratégias de prevenção e principalmente a Psicoterapia podem diminuir o impacto da exposição a esses eventos traumáticos.

Segundo Lansing K, ao longo de suas carreiras, muitos policiais vivenciam eventos traumáticos que resultam em transtornos de estresse pós traumático (TEPT), ou suportam experiências traumáticas que se acumulam e se manifestam em TEPT de início tardio ao atingir algum limiar. A experiência clínica desses autores descobre que, sem uma recuperação completa esses policiais experimentam uma capacidade diminuída de gerenciar os estressores crônicos, bem como uma maior exposição aos perigos inerentes a sua atividade laboral.

UM OLHAR ATENTO SOBRE NOSSOS FILHOS

Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Se costuma dizer que quando nasce um bebê também nasce uma mãe. Pois é, quando um bebê nasce a mãe precisa aprender a ser mãe enquanto o filho vai se descobrindo indivíduo a medida que se vê refletido no olhar da mãe, como se estivesse num espelho. Para o bebê desabrochar, crescer e se descobrir como pessoa única ele precisa experimentar um contato afetuoso, íntimo e contínuo com sua mãe. Como vemos, essa relação mãe-filho vai sendo construída.

No início de sua vida o bebê é totalmente dependente da mãe, necessita de sua presença, não só física, como de sua disponibilidade interna, de sua atenção, necessita da mãe inteira, de “corpo e alma”.

Essa primeira experiência do bebê com sua mãe será a matriz de todas as relações futuras. Um pai presente (e cada vez mais os pais estão participando dos cuidados com os filhos, entendendo seu importante papel) será um reforço dessa “matriz” e poderá suprir falhas e principalmente, ajudar a mãe a se dedicar a este bebê. Se a mãe tem prazer, alegria, orgulho do seu filho este vai sentir-se como um presente para esta mãe. Mas ao contrário, se a mãe sente tristeza e ansiedade demasiada, o filho se sentirá como um incômodo, “não se sentirá “acolhido”.

O fracasso dessa experiência (mãe que não consegue ser continente, ser suficientemente boa) dá lugar a um vazio que leva a criança a buscar constantemente alguém que o preencha. Ela terá tudo para ser uma pessoa ansiosa, insegura, que precisa de atenção e afeto o tempo todo.

Tudo o que acontece posteriormente na vida de uma criança irá depender muito dos primeiros cuidados maternos, para os quais é necessário um olhar cuidadoso. É a partir da qualidade dos cuidados da mãe que a criança se tornará apta a adquirir uma “confiança básica”, confiança em si mesma e no mundo, que a torne uma pessoa feliz e alegre com sua existência.

Essa “confiança” é construída ao natural, gradativamente, a partir das experiências diárias de cuidado, proteção e intimidade com a mãe, é um processo construído pela dupla mãe-filho, podendo se dar também com a dupla pai-filho.

Se ao contrário de ser protegida, muito cedo a criança tiver que dispensar esses cuidados maternos, se tiver que aprender muito cedo a conviver fora de casa, sem o apoio dos pais, ela será forçada a “forjar” uma confiança por um processo artificial, “de fora pra dentro”(falso self). Quando isso acontece, o enfrentamento de situações que geram ansiedade, medo, tristeza são mais difíceis e penosos para a criança, podendo gerar intensas sensações de desamparo.

Tendo esses cuidados nos primeiros anos de vida a criança vai criando uma confiança no mundo. Confiará nas pessoas a sua volta e estará fortalecida para enfrentar os desafios da vida.

À medida que os pais vão cuidando de seu bebê também vão mostrando seus limites. As crianças desde cedo vão aprendendo e compreendendo de forma cuidadosa e amorosa as restrições que são impostas com autoridade (não falo de autoritarismo) pelos pais. Ter autoridade e impor limites para nossos filhos é difícil, cansativo mas é um ato de amor. Quem ama cuida! E as crianças sabem que podem confiar quando pais amorosos impõe regras com autoridade. Por mais que reclamem sabem que os pais são fortes o suficiente para protegê-los.

Ao contrário, os pais que “não conseguem” controlar seus filhos criam crianças ansiosas, inseguras, agressivas, insatisfeitas.  Quando estas restrições são feitas de forma impessoal, por estranhos, como por exemplo deixar para a escola colocar os limites, serão sentidas como desaprovação e não como cuidado e proteção, podendo causar sentimentos como solidão, medo de abandono, revolta,…

É nos cuidados amorosos e personalizados dos pais que estão os alicerces para a saúde mental da criança e não no que ela poderá aprender fora de casa. Confiança e saúde mental não se aprende, se vivencia.

 

E a Psicologia em tempos de Copa do Mundo?

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

Em época de Copa do Mundo, onde respiramos futebol e ficamos “paralisados” por alguns dias, podemos pensar alguns aspectos psicológicos associados à Copa. É um momento aonde uma grande variedade de sentimentos vem à tona. Sentimentos que ficam contidos como paixão, raiva, alegrias são liberados de maneira socialmente aceita, é uma catarse coletiva onde as pessoas se permitem expressar suas emoções.

Outro aspecto interessante é que o futebol desencadeia nos indivíduos um sentimento de grupo, identidade, união. As pessoas se permitem compartilhar alegrias, torcer juntas, vibrar a cada gol, vincular-se com desconhecidos por um mesmo objetivo.

O povo brasileiro veio de um trauma do fatídico, 7×1 uma das maiores derrotas da historia do futebol. Este trauma mostra a dificuldade do brasileiro de perder, lidar com a frustração e uma realidade tão cruel. Nestes momentos entra outro mecanismo psicológico, a negação. É mais fácil negar este trauma e pensar que ainda somos o país do futebol, como por muito tempo fomos reconhecidos.

A realidade mudou e o país do futebol continua exemplar nos ranking da desigualdade social, de violência interpessoal e da corrupção.  Seguimos dissociados perdidos sem saber qual o melhor caminho a seguir.

Espero que o sentimento que aflora com a copa do mundo, de união, amor a camisa, olhar com empatia para o outro, mostre que ainda temos esperança e podemos, juntos, fazer a virada para um Brasil melhor.