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CULPA x RESPONSABILIDADE : como anda a sua relação consigo mesmo?

Por Larissa Mendonça Lütkemeyer CRP 07/16189

O que vem à nossa mente quando pensamos em CULPA? Partindo de uma rápida busca no Dicionário Online de Português, entre outras definições, culpa é a “responsabilidade por uma ação que ocasiona dano ou prejuízo a outra pessoa” ou o “sentimento doloroso de quem se arrependeu de suas ações”.

Podemos definir a culpa como a reprovação consciente ou inconsciente que a pessoa faz de um ato ou comportamento dela própria no passado. Associada a uma atitude que gera reprovação, a culpa desencadeia um novo sentimento de frustração pela percepção da contradição entre como fizemos e como deveríamos ter feito. Essa censura, desperta inconscientemente a necessidade de autopunição, no intuito de aliviar o sofrimento.

Freud, o “pai da psicanálise”, conceitua o sentimento de culpa como o resultado de uma tensão entre o ego e o superego, que se manifesta como uma necessidade de castigo. Para ele, “mau” é tudo aquilo que nos faz sentir ameaçados com a perda do amor. E, se perdemos o amor de outra pessoa da qual dependemos, deixamos de estar protegidos dos perigos e ainda ficamos expostos à manifestação da sua superioridade na forma de punição. No seu entendimento, inicialmente, a culpa viria do medo da perda do amor e a evitação do mau estaria vinculada ao medo de ser descoberto pela autoridade externa. Mais tarde, quando essa autoridade é internalizada, dando origem à instância psíquica que chamamos de superego, não existe mais diferença entre fazer o mau e desejar o mau, pois não se consegue esconder do superego os desejos proibidos. Assim, o superego assume sua característica sádica, atormentando o ego com o mesmo sentimento de ansiedade. Com a instauração do superego, somente a renúncia à satisfação do desejo já não é suficientemente libertador, então o sentimento de culpa se instala.

Assim, posteriormente, surge o medo do superego, esse agente crítico, tornando a punição uma manifestação instintiva por parte do ego que se tornou masoquista sob a influência de um superego sádico. Nesse caso, a agressividade que seria destinada para fora, é voltada para dentro de si mesmo. Apareceria então o sentimento de não ser bom o suficiente e, portanto, merecedor de castigo. Esse sentimento inconsciente de culpa e punição provoca, através da compulsão repetitiva, situações adversas, que darão motivos para queixas.

As clássicas cenas de filmes em que alguém sofre uma decepção e devora um pote de sorvete com o objetivo de compensar a sua frustração, pode servir como um exemplo desse mecanismo. Atitudes de procrastinação ou somatizações, como um mal-estar, uma dor de cabeça ou de estômago, também podem estar a serviço do superego punitivo. Se acompanhada de sentimentos de remorso, vergonha e medo de repetir o mesmo comportamento, a culpa pode originar uma sensação de que se está aprisionado, como se não houvesse saída. Nesse caso, a pessoa pode seguir vivendo como se a situação geradora da culpa fosse eterna, segundo a ideia inconsciente de que todo culpado merece punição, portanto, nunca podendo desculpar-se e infligindo-se o castigo da auto recriminação. Quando esses sentimentos persistem por muito tempo e mobilizam uma sensação constante de desprazer com a vida, surge a depressão.

Já a psicanalista Melanie Klein postula que, no desenvolvimento primitivo, a mãe é percebida de forma parcial, ou seja, ideal ou perigosa, boa ou má, conforme a resposta que manifesta em relação às necessidades do bebê. A satisfação das necessidades básicas gera um sentimento de segurança, que aumenta a gratificação em si e se transforma em parte importante da satisfação de receber amor. Pouco mais tarde, quando o bebê adquire condições para introjetar a mãe como pessoal total, ou seja, perceber que a mãe que gratifica é a mesma que também frustra, surge um conflito entre amor e ódio (pulsões agressivas) direcionados para o mesmo objeto (mãe). Esse conflito seria o gerador do sentimento de culpa e da necessidade de reparação. Assim, dá-se a tentativa de controlar os impulsos agressivos e os objetos, com o intuito de prevenir a frustração, impedir a agressão e o consequente perigo para os objetos amados. Em resumo, para Klein a culpa viria da fantasia agressiva e voraz de destruição da mãe frustradora e ativaria o impulso de curar esses danos imaginários e repará-la.

Esse impulso de reparação, quando atenuada a pressão do superego, geralmente, consegue afastar os sentimentos de desespero suscitados pelo sentimento de culpa, fazendo com que prevaleça a esperança. Nesse caso, o amor e o desejo de reparação da criança são inconscientemente estendidos a novos objetos de amor, portanto, a reparação consolida a possibilidade infantil de aceitar amor e incorporar a bondade proveniente do meio externo, exercendo, assim, uma influência positiva sobre o desenvolvimento humano. A reparação então, seria uma forma de elaborar a culpa e reconstruir a relação com os objetos atacados em fantasia e introjetados, de forma que a reparação dos objetos também seria uma reparação de si mesmo.

Essa perspectiva põe em evidência a existência de uma saída para o ciclo ação – reprovação – punição. Através dessas atitudes reparadoras, podemos encontrar novamente a satisfação consigo mesmo e a esperança “de dias melhores”.

De acordo com as definições de Freud e Klein acima, podemos entender que os processos inconscientes influenciam nossas ações e a forma como percebemos o mundo ao nosso redor. Em última análise, poderíamos dizer que a culpa surge da fantasia de controle sobre a vida, da busca pela perfeição. Quando algo foge do esperado, se manifesta a crença de que se fez algo que causou o acontecimento ruim. Essa sensação ilusória de poder é, na verdade, uma tentativa de superar a nossa real condição de fragilidade.

Entretanto, quando passamos a compreender que não temos o poder de controlar os outros ou as situações ao nosso redor e que somos responsáveis apenas pelas nossas atitudes, podemos assumir a RESPONSABILIDADE pelo que acontece conosco. Sermos responsáveis por nós mesmos, significa abrir mão da posição de vítima das pessoas e situações e implica num empenho constante na busca de conhecer o que motiva as nossas atitudes e escolhas, para que então possamos decidir de forma mais consciente e, consequentemente, façamos escolhas mais satisfatórias. Dessa forma, podemos abrir mão do sentimento de culpa ou atribuir a ele uma função produtiva – quando serve para nos conhecermos mais e avaliarmos nossas atitudes, aceitando que não se pode desfazer algo que já ocorreu, acolhendo os sentimentos envolvidos e decidindo como proceder dali em diante.

Nem sempre, infelizmente, conseguimos realizar esse processo de tomada de consciência e abdicação desse ciclo de culpa sozinhos. Esse é então o momento de pedir ajuda aos profissionais habilitados para auxiliar nessa jornada. A psicoterapia psicanalítica, como uma ferramenta de autoconhecimento, visa possibilitar o entendimento das motivações inconscientes que embasam nossas atitudes, daquilo que não percebemos conscientemente, mas que, por nossa escolha, e muitas vezes de forma repetitiva, nos faz sofrer. Desse modo, potencializamos nossa capacidade de decisão, aprendemos a enfrentar melhor os sentimentos de frustração e, consequentemente, aumentamos nossa sensação de satisfação e bem-estar, melhorando consideravelmente a nossa qualidade de vida.

Não precisa chorar! Não foi nada!

Por Rafaela Haas Oliveira Zanini, Psicóloga – CRP 07/14351

Quando uma criança se machuca é comum escutarmos uma mãe dizendo: “não precisa chorar, não foi nada!”. Mas será que não foi nada mesmo? Muitos pais na busca de acalmar uma criança tendem a usar frases desse tipo para lidar com uma determinada situação. Mas se pensarmos mais cuidadosamente, um tropeço, um arranhão no braço, um empurrão de algum amigo, pode sim ser alguma coisa para uma criança que está aprendendo a lidar com suas emoções.

Um bebê, por exemplo, sabe se expressar através do choro quando está com fome, ou frio, ou sono. Sendo assim, até que uma criança saiba se expressar verbalmente, chorar é a única forma de comunicação.Pode ser tanto a expressão de alguma emoção quanto de alguma necessidade. Com o tempo a mãe vai dando nome a tudo isso: “você está chorando porque está com sono, vamos dormir então!”. Desta forma, através do olhar e da palavra, a mãe identifica, compreende e da significado ao choro do seu bebê, que com o tempo e crescimento vai tendo a oportunidade de encontrar outras formas de expressar esse sentir.

Muitos pais exigem que os filhos engulam o choro, talvez pela dificuldade em lidar com o sofrimento, ou por uma extrema rigidez. Talvez eles não saibam o mal que estão fazendo nesse momento, reprimindo emoções que estão buscando uma forma de expressão. Emoções estas que vão ficando guardadas e que encontram, seja na infância ou na vida adulta, outras formas de escape, causando sofrimento e podendo levar a doença.

Se o choro num primeiro momento da vida é a única forma que uma criança tem de se expressar, é importante validar este sentimento e não reprimir. Assim, quando uma criança chora porque caiu e se machucou, é válido dizer: “está doendo meu filho, pode chorar! Eu estou aqui contigo!”. Com isso, estamos acolhendo a dor, porque dói mesmo cair, e ainda passando segurança de que ele não está sozinho nesse momento. Os pais precisam aprender a tolerar o choro de um filho e aceitar a dura realidade de que não podem sempre protegê-los do sofrimento.

Sabemos também que nem todo choro tem sofrimento por trás. Existe aquele choro por contrariedade ou aquele que está sendo usado para alguma finalidade. Mesmo estes precisam ser compreendidos e nominados, talvez acompanhados por algum limite. Entretanto, limite é diferente de repressão. Se o choro for permanente e difícil de ser compreendido, talvez seja importante procurar ajuda de um profissional especializado para encontrar a melhor forma de lidar com este comportamento.

Assim, é fundamental para o crescimento ensinar uma criança a lidar com seus sentimentos, auxiliando-os a encontrar formas saudáveis de expressão.

Afinal, o que é um psicoterapeuta?

Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

A crescente preocupação com a saúde, aumento da expectativa de vida, acesso a informação e a oferta cada vez maior de tratamentos e alternativas tem tornado os cuidados com a saúde um mercado atrativo e lucrativo. São inúmeros os tratamentos oferecidos: procedimentos estéticos, desde cirurgias a processos nada invasivos, cosméticos, massagens, alimentos, vitaminas, compostos naturais. Todos prometendo melhorias na aparência física e qualidade de vida. E, junto com essa promessa, surgem também ofertas para melhorar a autoestima, a saúde emocional, aliviar o estresse, tratar a depressão, ansiedade, pânico, e tantos outros sintomas ou diagnósticos clínicos. Mas qual a diferença entre esses cuidados oferecidos por massagistas, esteticistas ou terapeutas e os tratamentos oferecido por psicólogos ou psiquiatras clínicos?

Começamos pela definição: tratamento requer conhecimento cientifico, estudo aprofundado e reconhecimento técnico. Existem técnicas de massagem que promovem o relaxamento que podem auxiliar a aliviar os sintomas, porém essas técnicas não tratam o problema, a doença em si. Aliviam rapidamente e temporariamente o sintoma. Nada melhor do que sair leve, desestressado e feliz de uma sessão de massoterapia com pedras quentes! Mas, a origem da dificuldade segue atuando, não se altera o funcionamento da personalidade pela massagem e a tendência é que a situação logo se repita.

Vivemos numa sociedade que o imediatismo impera. São as mensagens em tempo real, videoconferências, transmissões on line, remédios que prometem o alivio imediato da dor… Soluções rápidas e superficiais. O antiácido que alivia o desconforto imediato pode também ocultar um refluxo ou uma gastrite crônica, que desgasta as paredes do estomago e intestino pode causar ulceras e câncer. O imediatismo, a busca por soluções rápidas e indolores por vezes trás prejuízos percebidos em longo prazo. Assim também acontece com nosso funcionamento emocional.

E quando devemos buscar um profissional da saúde mental?

Frente a qualquer desconforto emocional, tristeza, dificuldade de tomar decisões, dúvida, dificuldade de relacionamento profissional ou social, medo, insônia, ansiedade, euforia, agitação, abuso de substancias ou álcool, excesso de apetite, perda de peso, e inumeráveis outras situações que interfiram no desempenho das atividades diárias. Muitas dores físicas também podem necessitar a avaliação por um profissional da saúde emocional.

E quais são esses profissionais? Qual a diferença entre eles?

Atualmente as ofertas de terapia estão muito intensas, porem, pouca gente sabe a diferença entre terapia e psicoterapia. Terapia é todo o tratamento que visa amenizar ou acabar com os efeitos de uma doença qualquer. Já psicoterapia é a técnica de uso exclusivo do psicólogo e do psiquiatra, especifica para o tratamento dos problemas de origem emocional, sendo eles físicos ou psicológicos.

É também muito comum a confusão entre os papeis do psicólogo e do psiquiatra. As inúmeras dúvidas vão desde quando procurar um ou outro, até a ideia de que um só ajuda em casos leves e o outro, casos graves. Na realidade, isso tudo gera grandes mal entendidos e até resistência a buscar um profissional. Em primeiro lugar, ambos estão habilitados ao tratamento de doenças leves ou graves. Normalmente situações mais intensas pedem o acompanhamento dos dois profissionais.

O psicólogo é o profissional que fez a faculdade de Psicologia, e tem registro no CRP de sua cidade. A psicologia é a ciência que trata dos estados mentais do comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e social. Estuda o desenvolvimento humano, as inter relações no ambiente familiar, social, profissional e físico, os afetos e sentimentos. Todo psicólogo pode realizar o acompanhamento clinico de pessoas, em consultório ou ambulatório. Utiliza técnicas de entrevista, testagens, exercícios, interpretações, confrontações para tratar sintomas e doenças psicológicas e psiquiátricas. O numero de encontros varia de acordo com a avaliação do psicólogo em parceria com o paciente, habitualmente se recomenda uma ou duas sessões semanais.

A psiquiatria é o ramo da medicina que se ocupa do diagnostico, tratamento e da terapia medicamentosa de pacientes. Também pode atuar em consultório ou ambulatório. Os atendimentos visando medicar e acompanhar a evolução do uso da medicação acontecem normalmente em encontros quinzenais ou mensais.

Tanto os profissionais formados em psicologia quanto os médicos psiquiatras podem realizar a especialização em psicoterapia, que é o estudo aprofundado das varias técnicas de tratamento das doenças e problemas psicológicos e psiquiátricos. Assim, passam a ser chamados de psicoterapeutas. As sessões de psicoterapia normalmente tem duração em torno de 45 minutos e acontecem uma ou mais vezes por semana, de acordo com a indicação de tratamento.

Existem varias linhas de psicoterapia, as mais comuns no Brasil são a Psicanálise, a Técnica Cognitiva Comportamental (TCC) e a Teoria Sistêmica.

A Psicanálise é o campo clinico e de investigação da psique humana, desenvolvido por Sigmund Freud. Ocupa-se em explicar o funcionamento da mente humana, visa o entendimento das reações, condutas, ideias, afetos do sujeito via a interpretação de suas palavras. Trabalha com conceitos como consciente e inconsciente, ego, id, superego. O objetivo desse tratamento é a mudança dos padrões de funcionamento, a reavaliação dos sentimentos, pois o objeto de estudo da psicanálise concentra se entre na relação entre o desejo inconsciente e o comportamento e sentimento vivido. Pela livre associação das palavras e historias o psicanalista consegue analisar e encontrar os motivos de determinadas neuroses ou a explicação de certos comportamentos. A Psicoterapia Psicanalítica é baseada no estudo da teoria e da técnica psicanalítica, aplicadas no atendimento semanal, sem exigir as condições para um tratamento em psicanálise clássica, como o uso de divã. Não há tamanho para o sofrimento do paciente, o que está em foco é aquela história, aquela pessoa. Para o psicoterapeuta psicanalítico, toda situação é exclusiva e tem sua total atenção, independente da opinião pessoal.

A Técnica Cognitiva Comportamental (TCC) se baseia em métodos que visam ensinar técnicas para identificar padrões de pensamentos, regras, hábitos e atitudes que estão na origem dos problemas psicológicos e aprender pensamentos, atitudes, crenças e estratégias mais uteis para incorporar no seu dia a dia e melhorar seu bem estar. Oferecem exercícios para os pacientes recodificarem as atitudes, modificando o comportamento.

A Abordagem Sistêmica é baseada na ideia de que o sujeito é sempre referido por um sistema e a matriz de sua identificação é a família. O processo terapêutico tem o objetivo de intervir de modo intenso e por tempo limitado com o intuito de modificar o padrão de relacionamento intra ou extra familiar, as técnicas são pautadas no aqui e agora, emprega por vezes técnica da TCC ou da psicanálise, assim como algumas técnicas do teatro (psicodrama). Muito comumente utilizada para o atendimento de casais e famílias.

Assistentes sociais, pedagogos, filósofos e outros profissionais da saúde podem estudar algumas das técnicas psicológicas e oferecer atendimento clinico em consultório, porém não podem realizar a psicoterapia, pois essa pratica é exclusiva de psicólogos e psiquiatras. Hoje existem alguns consultórios de psicanálise onde o atendimento é realizado por assistentes sociais, filósofos, pedagogos, fonoaudiólogos, advogados e, até mesmo outros profissionais, embora não haja consenso, não são considerados tratamentos clínicos pela comunidade cientifica.

A decisão entre buscar um psicoterapeuta formado em psicologia ou em medicina é muito pessoal. Ambos estão aptos a avaliar e tratar as dificuldades emocionais. Psicólogos e psiquiatras tendem a trabalhar em parceria, pois normalmente o psiquiatra que medica não atende em psicoterapia seus pacientes os encaminhando para atendimento com um psicólogo. Já o psicólogo psicoterapeuta tem amplas condições de avaliar a necessidade de utilizar alguma medicação psiquiátrica e encaminhar para o psiquiatra de sua confiança avaliar e indicar a medicação adequada.

Na Clinica Equilíbrio a equipe é formada por psicólogos especialistas em psicoterapia, habilitados para o atendimento de crianças, adolescentes, adultos, idosos, casais, famílias e grupos. Seguindo como linha teórica principal a psicanálise. A equipe conta também com psiquiatras, que auxiliam sempre que há necessidade de avaliar o uso de medicação psicotrópica. Tanto psicólogos e psiquiatras atendem particular e convênios.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA ADOÇÃO

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Ter um filho, seja biológico ou adotivo, requer sempre uma preparação. Em primeiro lugar, é importantíssimo que exista entre o casal um ambiente interpessoal no qual será inserida uma terceira pessoa, frágil, que exigirá cuidados e muita atenção. Se o casal não estiver preparado poderá surgir, por parte de um dos pais, ciúme e rivalidade além do sentimento de que o filho estará roubando seu espaço afetivo.

Poder entender os desejos reais que motivam o casal a querer um filho também faz parte dessa preparação. Por exemplo: o filho vem para “salvar” o casamento? Fazer companhia a um dos pais? Substituir o filho morto? Suprir a falta de afeto entre o casal? Aproximar os pais?

Ter filhos é um ato de profunda responsabilidade: envolve a vida de uma criança, bem como o seu desenvolvimento físico e emocional. Estar ciente dos motivos que levam a adoção ajuda muito nesta árdua tarefa: ser pais.

Os pais que adotam também precisam trabalhar as suas feridas narcísicas em relação as questões que envolvem a infertilidade: a culpa pela impossibilidade de gerar um filho, a tortura das inúmeras tentativas e suas frustrações, a corrida atrás de tratamentos…

Faz parte desse processo, inclusive, a tranquilidade do casal para poder lidar adequadamente com os problemas que surgirem no âmbito familiar. É provável que ao entrar num novo ambiente a criança se mostre insegura, pois ao mesmo tempo em que está feliz por ter um novo lar, tem medo de perdê-lo, podendo até mesmo mostrar-se agressiva até poder adquirir confiança nessa nova família.

Outra dificuldade que pode ocorrer, quando a criança é mais velha, é a dificuldade para formar vínculos, já que ela perdeu os laços afetivos anteriores, o seu ambiente conhecido, o seu modo de viver, ou seja, as suas referências. Mas se a família adotante for paciente, carinhosa e puder compreender que a criança adotada é alguém que vivenciou abandono e rejeição pelos pais verdadeiros e tiver uma postura de acolhimento estas dificuldades serão mais facilmente superadas.

Uma questão importante, também, é com relação a revelação: contar ou não que o filho foi adotado? A adoção nunca deve ser omitida ou negada. Embora muitos pais temam revelar a verdade com medo de causar sofrimento ao filho, a mentira provocará um sofrimento muito maior pois gera sentimentos de traição e culpa em relação aos pais originais.

Dessa forma, o conhecimento da condição de adotado e a liberdade de procurar os pais biológicos, são duas condições que contribuem em favor da saúde mental do adotado favorecendo um melhor relacionamento com os pais adotivos. A verdade estabelece um padrão de confiança e sinceridade nesse relacionamento e desperta no filho sentimentos de gratidão, aumentando sua autoestima e seu sentimento de identidade.

Deve-se ter em mente que os problemas e dificuldades sempre existirão, seja numa família naturalmente constituída ou adotiva. O essencial é que o novo lar possa ser um continente afetivo e adequado ao filho possibilitando que ele possa trabalhar seus medos e dores e, principalmente, perceber que é amado e desejado, caso contrário, não estaria nessa família.

É importante ressaltar que os casos de maior sucesso na adoção encontram-se entre os casais que aceitam sua realidade bem como do adotado. Esses casos, possivelmente em consequência de uma melhor relação interna com os pais, apresentam um componente amoroso maior. Ninguém deve ser desaconselhado a adotar, desde que a adoção não tenha o intuito de “resolver” um problema externo ou interno do casal. O adotado deve ser alguém que irá “completar” um par adaptado à realidade e, de forma sadia, desejoso de uma criança.

A VIOLÊNCIA QUE VIVEMOS É ATUAL?

Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Ao ligarmos o rádio, ao sentarmos diante da TV, ao abrirmos um jornal, ao falarmos com amigos, colegas, familiares e até com desconhecidos parece que sempre acabamos no mesmo assunto: a violência no nosso país, no nosso estado, na nossa cidade, diante de nós. São tantas histórias de  corrupção, de miséria, de abandono que nos fazem sentir impotentes, desanimados diante dos fatos.  Tudo isso nos faz pensar, refletir sobre nosso papel como indivíduos, nossa função como terapeutas em uma sociedade que se mostra injusta. Mas será que essas mazelas são algo novo? O homem e a sociedade estão mais violentos e corruptos que em outras épocas? Estamos falando do Brasil, mas e a guerra na Síria tratada como um genocídio? E os atentados terroristas ao redor do mundo? E as matanças em escolas e universidades americanas?

Em 1915, no início da 1ª Grande Guerra, Freud escreveu um ensaio intitulado “Reflexões para os tempos de guerra e morte”, onde inicia falando de sua perplexidade diante da devastação e degradação humana causada pela guerra. Refere “o indivíduo que não é ele um combatente, sente-se atônito em sua orientação e inibido em seus poderes e atividades”. Sente uma aflição mental que provoca desilusão e força uma mudança de atitude diante da morte. Aponta a diversidade de condições dos países, da vida humana, a animosidade pelas diferenças de raça como alguns fatores que levam a guerra.

Nações dominadoras, com desenvolvimento tecnológico e científico, com elevadas normas de conduta moral, comunidades civilizadas, não conseguiram solucionar os conflitos sem guerra. Isso exigiria, conforme Freud, “uma grande dose de autodomínio, de renúncia à satisfação dos instintos”.

Este texto de Freud poderia estar numa das colunas dos jornais ou revistas semanais da atualidade. O homem ainda mata e morre; as diferenças sociais, econômicas, raciais e culturais parecem aumentar cada vez mais. Recebemos informações de guerras aqui e acolá, conflitos e acirramento de ânimos por todo o globo. Sim, vivemos numa guerra que até podemos chamar de “mundial”.

Freud falou em autodomínio e renúncia de satisfação dos instintos para evitar a guerra, podemos então pensar que nossos instintos são maus, destrutivos?! Percorrendo a obra de Freud, ele nos mostra como o homem, desde seus primórdios, precisou de uma força externa para controlar seus impulsos internos. Desde estas proibições iniciais, passando pela religião, a ciência, o homem buscou satisfazer seus desejos e seus pensamentos onipotentes, numa tentativa de dominar o que estava a sua volta, a natureza  –  o próprio homem.

Da necessidade de viver em grupo, surgiu a primeira proibição: a do incesto. Desejos proibidos  sujeitos a tentação, violação sujeita a punição. É o início da civilização. Pequenos grupos se transformaram em povos, que são representados pelos Estados, e estes, pelos governos que os dirigem. Existem leis que os indivíduos têm de obedecer, precisam reprimir os maus instintos. Estes “maus instintos” (egoísticos e cruéis) não são erradicados, fazem parte da essência mais profunda da natureza humana; são domados, reprimidos – mas permanecem ativos.

A transformação dos “maus” instintos depende de sua suscetibilidade à cultura, à civilização, à obediência às leis morais. Mas a tensão é permanente; pois, como vimos, os instintos permanecem ativos no inconsciente.  “O fato da coletividade de indivíduos da humanidade… terem mutuamente ab-rogado de suas restrições morais, naturalmente estimulou esses cidadãos individuais a se afastarem momentaneamente da constante pressão da civilização e a concederem uma satisfação temporária aos instintos que vinham mantendo sob pressão.” Freud estava se referindo a situação da 1ª guerra, mas podemos ver que é atual, vale para “nossa” guerra também, pois a vida instintual não tem idade. O homem tenta aprimorar artifícios para conter os instintos:proibições, regras morais, civilização, sua inteligência. Mas as vicissitudes da vida, o contágio do grupo, podem desfazer estes artifícios.

O processo de civilização é acompanhado de um progressivo deslocamento dos fins instintuais e  de uma limitação imposta aos impulsos instintuais. A obediência às leis morais, ensinadas pelo pai, o amor pelo objeto e o medo de perdê-lo leva o indivíduo à renúncia instintual. Sim, nossos instintos são destrutivos, agressivos, mas também são eróticos, sexuais. Um não anda sem o outro, mas ambos precisam ser limitados, educados. A satisfação precisa ser postergada ou simplesmente proibida, deve ser dado novo destino à pulsão.

A psicoterapia pode ajudar o paciente a reconhecer seus desejos, a buscar o destino mais adequado para suas pulsões e com isso um melhor equilíbrio emocional.

DEPOIS EU FAÇO! DEIXANDO A VIDA PARA DEPOIS!

​Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

Procrastinação é o adiamento de uma ação. Torna-se um problema quando impede o funcionamento normal da vida das pessoas. As causas variam muito, mas geralmente envolvem ansiedade, baixa estima, mentalidade destrutiva e sabotadora.

O adiamento acontece em função da idealização. As pessoas vivem baseadas em sonhos e desejos de realização e perfeição. Não conseguem realizar uma apreciação realista de seu momento de vida, suas obrigações, habilidades e dificuldades. Existe um grande temor em não conseguir ou não ser aprovado e valorizado, uma crença de que já está condenado ao insucesso. Então nem adiante tentar! Aparece também a ideia de que “amanhã estarei melhor, então eu faço!” Enquanto não se termina algo é possível imaginar a perfeição. Na prática somos falhos e temos que lidar com a realidade. Precisamos lidar com as frustrações e incapacidades. Muitas pessoas evitam esta tarefa.

A procrastinação geralmente vem associada a outros transtornos mentais como depressão, fobias, TDAH, dislexia e TOC, entre outros. Geralmente encontramos na família um padrão autoritário de parentalidade. A criança tende a se adaptar a este modelo na tentativa de ser mais assertivo e receber menos punições e/ou críticas. Passa a reprimir impulsos e desejos. Insegura e desconfiada, não reconhece suas potencialidades e vai perdendo seu potencial de ação. O medo de não fazer as escolhas certas ou sentir e pensar em não ter condições é o combustível perfeito para procrastinação.

Constantemente dizemos que “não estamos preparados e deixamos a tarefa para depois!” Nunca estaremos totalmente preparados! Sempre haverá coisas novas para descobrir e aprender, novas habilidades a desenvolver, incapacidades para aceitar. Tentar tornar-se perfeito para então assumir as tarefas é uma sabotagem! Muitas vezes a vida exige outras providências, mais rápidas e imediatas no desenrolar da situação. Exige confiança! Muitas vezes a pessoa vive cultivando uma fantasia , esperando algo ideal. Em igual proporção, inevitavelmente aparece a frustração.

A vida vai tornando-se vazia e empobrecida. Nos extremos da idealização e frustração “aparece a paralisia.” Não posso fazer porque não acontece perfeitamente! Não posso fazer porque sei que dará errado! Para evitar o vazio, vive imaginando, potenciais obras primas que nunca se realizam. Este funcionamento pode ser debilitante e um campo fértil para o desenvolvimento de patologias psiquiátricas mais graves como citado acima.

O tratamento envolve psicoterapia, associado a possível uso de medicamentos, objetivando a superação dos conflitos relacionados a este funcionamento, melhora da auto estima, superação da insegurança e desenvolvimento de habilidades e atividades.

Relacionamento entre irmãos

Por Carolina Fernandes de Abreu Marques, Psicóloga – CRP 07/11647 

Um dos maiores desejos de um casal que se une em casamento é construir uma linda e unida família. Sendo assim, a chegada dos filhos é sempre um momento especial, envolto de muita magia e expectativa.

Muitos casais planejam e buscam ansiosamente ter mais de um filho; geralmente por esperarem que estes sejam amigos e parceiros por toda a vida e principalmente quando eles, os pais, já não estiverem mais vivos.

E quando isso não ocorre? E quando mesmo sendo parceiros e amigos, os irmãos brigam e discutem? Esse passa a ser um momento de grandes conflitos entre as famílias e principalmente entre o casal de pais. O que fazer? Como manter os filhos unidos e fortalecidos em seus laços fraternos?

É importante frisar que todos os irmãos brigam e isto não necessariamente é algo negativo. É entre irmãos que começamos a aprender o processo de dividir e emprestar, por exemplo. Logo na chegada do irmão, o filho mais velho já aprende que precisará dividir a atenção com o recém-chegado e isso pode gerar medo, insegurança, incerteza e a assustadora rivalidade.

Quando os pais e demais familiares não conseguem entender, aceitar e ajudar o filho mais velho a compreender que esses sentimentos são naturais e aos poucos tendem a se “acomodar”, a criança pode apresentar muita culpa e até sintomas de depressão e maiores dificuldades na vida adulta por conta de auto-boicotes e dificuldades de lidar com seus sentimentos.

Outro ponto importante a ser observado é não anular ou invalidar a individualidade de cada filho. Cada indivíduo é único e, mesmo sendo membro da mesma família, terá suas características próprias e particularidades e estas devem ser respeitadas e reverenciadas, quando necessário. É comum por uma questão de identificação e até por aspectos transgeracionais, os pais terem mais afinidade ou se identificarem mais com um filho do que com outro; porém isso não pode ser motivo para que não se reconheça a personalidade do outro ou até mesmo deixe de se posicionar ou impor os limites necessários àquele filho com que tem mais “proximidade”.

Contudo, o que se mostra sempre eficiente para o bom relacionamento entre irmãos são os modelos, principalmente os de pai e mãe. Pais que se respeitam e se tratam com educação, demonstram que é possível resolver conflitos e rivalidades com respeito e afeto.

Relações Abusivas

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

Relações abusivas são aquelas onde predomina o excesso de poder sobre o outro. Normalmente são relações com ciúmes exagerado, agressividade, possessividade, controle e manipulação. Este tipo de relação pode ocorrer em diferentes contextos como: amizades, trabalho, família, mas. na grande maioria dos casos, ocorre nos relacionamentos amorosos. Aqui vamos focar nos relacionamentos abusivos amorosos.

Sempre que pensamos em relações abusivas vem à mente questões de agressividade física ou sexual, mas não necessariamente acontece desta forma.  A violência emocional é uma forma de relação abusiva que deixa marcas na psique da pessoa.

No Brasil mais de 12 mil mulheres sofrem algum tipo de violência. A grande sofre caladas, seja por medo, culpa, vergonha de se expor ou dependência financeira do parceiro.

Geralmente o perfil das pessoas que sofrem abuso é: de baixa auto-estima, falta de confiança em si mesmo, pessoas que passaram ou vivenciaram algum tipo de violência na família de origem.  Do outro lado temos pessoas com perfil de manipulação, controle e alto grau de perversidade.

Como na grande maioria das vezes o abuso é velado, muitas pessoas tem dificuldade em reconhecer que esta num relacionamento abusivo. Importante ficar atento a estes sinais: relações abusivas normalmente vem com muita desqualificação e humilhação; ataque a sua percepção da realidade; ciúmes exagerado, possessividade e controle; pessoas abusivas não reagem bem as conquistas do parceiro e não gostam que você socialize com outras pessoas; agressões físicas e psicológicas.

Se você esta em um relacionamento abusivo ou conhece alguém é importante buscar ajuda. A pessoa precisa estar disposta a entender o porque busca ou se mantém neste tipo de relação. Nestes casos é muito indicado a psicoterapia individual que é uma poderosa aliada no processo de redescoberta, readaptação e auto-conhecimento.

As Festas de Fim de Ano e o Risco de Suicídio

Por Fernanda Thones Mende, Psicóloga – CRP 07/1378

As festividades de fim de ano trazem consigo os símbolos da paz, da reconciliação, do amor ao próximo e a sensação implícita da “felicidade”. No entanto, nem sempre chegamos nessa fase carregados de bons sentimentos e iluminados como as luzes de Natal. E é por isso que não apenas em Setembro, mas ao longo do ano, necessitamos refletir sobre os riscos de suicídio. E não somente o suicídio executado, mas tudo aquilo que carrega a ideia deliberada de dar fim à vida humana, pois neste caso estamos falando de um conjunto de fatores que carecem solução, pois se trata de um grave problema de saúde pública. Querer tirar a própria vida não é normal, mas sim um sintoma que precisa ser tratamento.

O Brasil está entre os 28 países, de um universo de mais de 160 analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que possui estratégia de prevenção ao suicídio, oferecendo atenção integral em saúde para os casos de tentativa, no entanto, as campanhas envolvendo esse tema devem ser cada vez mais acessíveis a fim de termos resultados cada vez mais eficazes.

Segundo o perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil na rede de atenção à saúde, o suicídio é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do mundo. Estima-se que, anualmente mais de 800 mil pessoas morrem no mundo por suicídio e, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se, em 2012, a 15 causa de mortalidade na população geral; entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte. Busca-se que em 2020, possamos reduzir em 10% essas estatísticas alarmantes, mas sem um trabalho intenso de conscientização podemos aumentar esses valores para mais 50%.

Embora com um cenário desses, o suicídio pode ser prevenido e é por esse motivo que o alerta faz toda a diferença. Sabe-se que o fenômeno do suicídio é complexo, influenciado por vários fatores e que, generalizações de fatores de risco, são contraproducentes. A partir de uma análise contextual é possível compreender situações de maior risco, entre elas ter acesso aos meios letais, apresentar dificuldade em lidar com estresses agudos ou crônicos da vida, sofrer violência baseada em gênero, abuso infantil ou discriminação. O estigma em relação ao tema do suicídio impede a procura de ajuda, que pode evitar mortes. Da mesma forma, sabe-se que falar de forma responsável sobre o fenômeno do suicídio opera muito mais como um fator de prevenção do que como fator de risco, podendo, inclusive, se contrapor a suas causas.

Existe muita confusão a respeito do tema, e a fantasia de que aquele que se suicida teria certo “livre arbítrio”. Essa ideia desadaptada cai por terra no momento em que evidenciamos 90% dos casos de suicídio associados a distúrbios mentais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Com o transtornos de humor, entre os quais se destaca a depressão, que representam o diagnóstico mais frequente nesses casos, presente em 36% das vítimas. Também estão relacionados ao problema a dependência de álcool (em 23% dos casos), esquizofrenia (14%) e transtornos de personalidade (10%).

Um transtorno mental acaba alterando a percepção da realidade e por isso torna-se um fator de risco bastante determinante nesse desfecho. Muitas dessas pessoas nunca buscaram tratamento psicológico e ou psiquiátrico, ou se receberam um diagnóstico não trataram como deveria.  A partir dos dados da OMS, apenas 3,2% dos casos não foi possível identificar um diagnóstico preciso entre as vítimas. Daí destaca-se a importância de um tratamento contínuo por parte do paciente que garanta um equilíbrio preventivo na manutenção dessa saúde mental.

Sabe-se que de uma pessoa que morre por suicídio numa população de 100 habitantes, 17 pensaram, 5 planejaram e 3 tentaram suicidar-se. Por esta razão precisa-se estar atento as pessoas que estão a nossa volta, aquelas que sentem dores crônicas, que falam que são um peso para as outras, que parecem ter desistido de tudo e de si, acolhendo-as sem julgamento. Assim como já se aprendeu a prevenir doenças cardíacas, doenças oftalmológicas, precisa-se estar atento para a dimensão muitas vezes minimizada das doenças psiquiátricas. Levar a sério um apelo torna-se um meio de garantir a saúde mental de alguém. A maior parte das pessoas que falaram em terminar com suas próprias vidas suicidaram-se. Nem sempre uma tentativa de suicídio é um desejo de chamar atenção, pelo contrário aumenta de 5 a 6 vezes o risco de suicídio.

A desesperança, a impulsividade e o desespero, são combinações letais e comportamentos novos em alguém que conhecemos bem, deve ser um ponto a ser observado. Principalmente se envolvem abuso de substâncias químicas e obstinações por vingança. Nesses casos, retirar meios letais de perto dessas pessoas e encaminha-las para uma consulta psicológica e psiquiátrica, ou emergência em casos extremos, podem salvar uma vida.

Nessas datas festivas, mais do que iluminar as casas e árvores de Natal a nossa volta, iluminar nosso interior, poderá fazer toda a diferença! Contar com o suporte profissional sem preconceitos pode reverter de vez uma situação grave como essa. Principalmente se estamos enlutados, com sentimentos comuns de culpa e raiva da perda, numa época assim. Não hesite, dê para você o melhor presente neste Natal, encontre o seu equilíbrio e tenha sua saúde mental em dia.

Sobre a busca por soluções mágicas no mundo contemporâneo e a psicoterapia psicanalítica

Por Letícia Schmitz, Psicóloga – CRP 07/18830

Quem procura um tratamento psicoterápico em busca de ajuda para alívio de sofrimento, entendimento de alguma situação, muitas vezes se encontra frente a um psicólogo pela primeira vez na vida. É comum a pessoa não saber por onde começar a explorar as situações, o que contar ao profissional, ficar um pouco perdido neste início. Geralmente, o psicoterapeuta precisa explicar à pessoa que busca a psicoterapia, como se dá este trabalho, baseado em uma teoria e uma técnica, que aqui, neste artigo, abordarei através do olhar da psicanálise.

Costumo mostrar, sempre que possível, que esta é uma tarefa feita em conjunto, através da dupla, um trabalho feito a dois por quem busca por ajuda e quem se dispõe a ajudar e que, se uma das partes não está disposta, ficará gravemente prejudicado. Resistências inconscientes fazem parte deste processo e são esperadas que apareçam, afinal Freud já nos apontava que estes bloqueios irão acontecer.

No entanto, me refiro aqui, ao quanto as pessoas estão em busca por respostas rápidas e soluções mágicas no mundo contemporâneo. É notável que hoje muitos não apresentam certa paciência para investir tempo e se dedicar ao autoconhecimento, ao entendimento de seus conflitos e como melhorar alguns pontos de sua vida. Apenas desejam que seus problemas sejam solucionados o mais brevemente possível, e de preferência, sem muito esforço.

Para que este trabalho de psicoterapia seja satisfatório, é necessário que a pessoa que busca este serviço esteja disposta, motivada a encarar pontos que, até aquele momento, estavam encobertos, estavam sendo negados. Entende-se que para fazer este mergulho para dentro de si mesmo, no qual é visto o trabalho de uma psicoterapia psicanalítica, o desejo de encontrar as suas verdades esteja presente.

Tenho percebido, cada vez mais, que as pessoas esperam que o profissional dê respostas prontas, diga o que fazer em determinadas situações, diga em pouco tempo o que a pessoa tem e como ela pode melhorar. O que está se apresentando são dificuldades em se deparar, de verdade, com o que está acontecendo em suas vidas, pensar a respeito dos motivos que as fizeram buscar um tratamento psicoterápico. Muitas destas respostas estão dentro do paciente, mesmo que ele não saiba. E é justamente aí que entra a importância da psicoterapia e o quanto ela pode ajudar.

No entanto, para que estas respostas sejam encontradas, se faz necessário o auxílio do profissional com este olhar diferenciado, com uma escuta empática, que este caminho à melhora será trilhado. Apesar de a trajetória de descobertas ser realizada em conjunto com profissional, é imprescindível que a pessoa deseje compreender melhor a si mesmo e não apenas busque um entendimento pronto, que pode até auxiliar em um primeiro momento, aplacando ansiedades momentâneas, mas não fará com que os conflitos sejam solucionados de uma forma profunda.

Caso contrário, se ela esperar que o terapeuta fale tudo o que precisa fazer, não estimulando que a pessoa busque recursos internos para se colocar a pensar sobre suas questões, este trabalho não alcançará o objetivo final. Desta forma, a psicoterapia psicanalítica pode ajudar a pessoa a refletir e perceber quais são as melhores soluções reais para seus conflitos. Este trabalho busca por auxiliar o paciente a ter estas condições, não necessitando esperar do outro uma resposta e mais, tendo a capacidade para refletir e avaliar as possibilidades e fazer escolhas mais saudáveis para si.