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Ser mãe é padecer no paraíso? Baby blues x depressão pós-parto

Por Larissa Mendonça Lütkemeyer CRP 07/16189

A maternidade costuma ser muito sonhada por grande parte das mulheres. A maioria delas idealiza esse momento e imagina seu bebê lindo e sorridente nos braços, despertando nelas somente os melhores sentimentos. Atualmente, na era das redes sociais, essas fantasias são ainda reforçadas pelas diversas postagens de mães felizes e contentes com seus rebentos fofinhos e tranquilos, afinal, poucos postam nas redes suas dificuldades e angústias. Porém, de fato, já durante a gestação é comum surgirem, junto com as expectativas, diversos sentimentos, alguns deles contraditórios inclusive. Ser mãe é mesmo uma das maiores realizações na vida de uma mulher e um momento de imensa felicidade, mas não é só…

A realidade pós-parto costuma ser bem diferente desse sonho ideal, principalmente nos primeiros dias e semanas após o parto. A gestação e o puerpério (período que tem início logo após o parto e se estende até a sexta ou oitava semana pós-parto) são períodos de muitas mudanças físicas e emocionais. Além das alterações que seu corpo sofre para gerar o bebê e depois para retornar ao estado pré-gestacional, também são necessárias muitas adaptações a situações novas. Agora surgem necessidades que antes não existiam, existe um ser que depende totalmente de suas percepções, decisões e atitudes e tudo isso impacta fortemente no estado emocional da nova mãe. Sentir-se mais sensível e vulnerável é muito comum nessa fase, assim como ter dúvidas e inseguranças, principalmente a respeito da sua capacidade para dar conta da nova vida e das necessidades do seu filho. Afinal, não é fácil se sentir controlada pelas constantes exigências desse pequeno ser que não lhe dá descanso, ter sua relação com o companheiro atravessada por um terceiro recém-chegado e pensar que sua vida provavelmente nunca mais será como antes. Em meio a tantas mudanças, novidades e adaptações um sentimento de solidão também pode aparecer de forma intensa.

É nesse contexto que pode manifestar-se a tristeza materna, ou Baby Blues. O Baby Blues é um estado que pode surgir nos primeiros dias após o nascimento do bebê e pode durar em torno de duas semanas. Nesse período é possível que existam momentos em que a mulher se sinta radiante e logo em seguida muito sentimental, chateada e chorando sem motivo. Algumas características do baby blues são: maior sensibilidade emocional, constante vontade de chorar, insegurança, impaciência, ansiedade, comentários autodepreciativos (como não ser capaz de cuidar do bebê), e ainda insônia e mudanças bruscas de humor. No entanto, esse estado não impede que ela realize suas atividades de rotina ou os cuidados com o bebê.

Diferentemente do baby blues, a Depressão Pós-Parto tem intensidade e duração maiores, podendo surgir logo após o parto, a saída do hospital ou ainda a qualquer momento durante o primeiro ano do bebê, repentinamente ou se desenvolvendo gradualmente. É caracterizada por uma tristeza intensa, desmotivação diante da vida, sensação de não ter forças para encarar a rotina e as tarefas do dia a dia, irritabilidade, choro frequente, sentimento de desamparo e desesperança, desinteresse sexual, ansiedade, sentimentos de incapacidade para lidar com situações novas. Em casos mais extremos, a mãe pode chegar até a rejeitar seu bebê. Logo, a depressão pós-parto é uma condição grave e que exige atenção profissional. O ideal é que, além do seu obstetra, a mãe seja atendida por um psicólogo e por um psiquiatra, caso haja necessidade de usar medicação para controlar os sintomas depressivos.

É importante termos consciência de que o estado emocional da mãe, tanto durante a gestação, quanto após o nascimento influencia diretamente no estado emocional do bebê e na relação que ambos vão estabelecer. Portanto, se a mãe está muito deprimida, se sentindo incapaz e demasiadamente insegura, certamente essa relação será abalada, gerando mais insegurança no bebê, que vai manifestar seu incômodo de alguma forma, podendo desde tornar-se mais choroso e irritadiço, até somatizar suas emoções através de sintomas corporais, como febres ou alergias, por exemplo. Essa relação mãe-bebê, claro, pode ser melhorada ao longo do tempo, mas as experiências inicias estabelecem marcas importantes no psiquismo da criança, que podem influenciar futuramente no seu modo de sentir e reagir aos acontecimentos posteriores. Assim, é essencial que a mãe atente para os seus sentimentos e cuide das suas emoções, antes e durante a gestação e após o nascimento do filho.

Para ajudar a mulher a enfrentar esse período naturalmente complicado e que exige tantas adaptações, é primordial que ela tenha uma rede de apoio com a qual possa contar. Antigamente, quando as mulheres tinham como principal atribuição cuidar dos filhos e do lar, elas contavam com a disponibilidade de suas mães, irmãs, tias e outras mulheres próximas para lhes auxiliar. Isso proporcionava um sentimento de acolhimento e de que não estavam sozinhas para lidar com todas as suas angústias, inseguranças e dúvidas. Hoje, essa realidade é bem diferente, a maior parte das mulheres trabalha fora, o que diminui muito esse respaldo dado à nova mãe. No entanto, esse apoio dos familiares, amigos mais próximos e, principalmente do companheiro, se faz muitíssimo importante, contribuindo positivamente para o aumento da segurança e confiança da mãe e diminuindo as chances de ela desenvolver sintomas mais graves.

Podemos concluir que tornar-se mãe não é um processo fácil. Ao mesmo tempo que é uma realização pessoal e promove muita felicidade, também gera frustrações e ansiedades, além de tantos outros sentimentos, variáveis em frequência e intensidade. Nesse cenário, a psicoterapia mostra-se como uma ferramenta positiva de auxílio para a mulher/gestante na preparação para a maternidade, na vivência desse período tão intenso que é o puerpério e na experiência diária da maternagem.

SOBRE O AMOR

Por Keylla Jung, Psicóloga – CRP 07/07683

O amor tem plasticidade, se expressa sob muitas linguagens, e ainda assim, para nós, seres racionais não nos basta sentí-lo, queremos explicá-lo.

Vez ou outra encontramos consolo nas palavras em poesia, no curso de um romance, na arte em imagens ou ritmos que nos falam do amor. Sobre ele, há quem diga que é apenas invenção humana e, portanto, pode ser modificado.

Passamos à entender que o amor é intrinsicamente constitutivo da forma como nos tornamos pessoas.

Para os gregos antigos, o amor está representado em Eros, uma força de ligação, um desejar ardente que não é necessariamente carnal. O desejo é sempre daquilo que nos completa. É desejo de conquistar e conservar o que não se possui.

O amor expresso na amizade é desejo de compartilhar, um prazer com a convivência. Fazer o bem para o outro, ainda que não exista nenhuma inclinação especial, é amor de benevolência.

Ao longo do século XIX, o amor passa a ser visto como indissociável do romantismo e, na esteira desse pensamento, surge a psicanálise que, entre outras investigações, se ocupa dos impasses amorosos da humanidade moderna. Porém, diferente de um folhetim, a psicanálise tenta dar corpo científico à compreensão que se possa ter sobre o amor. Ela assume uma posição nada ingênua e questiona a cerca da fixidez do amor romântico como via régia de acesso à felicidade. A psicanálise considera o amor como experiência que se reproduz na relação terapêutica, tal qual os modelos relacionais mais primitivos da vida do paciente.

Na concepção freudiana, projetamos em nossas escolhas amorosas as perfeições idealizadas da imagem que construímos de nós mesmo, isto porque desejamos ser protegidos, cuidados e reconhecidos como seres únicos diante da atenção emocional do outro, ou seja, o amor surge da necessidade de nos livrarmos de nosso sentimento de desamparo.

No transcorrer de um processo psicoterápico, essas experiências são novamente experimentadas de maneira mais ou menos sutil, e, a partir desse ponto, novos significados poderão ser atribuídos ao que cada um entende por amar e ser amado.

Conectando-se com os adolescentes

Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

A adolescência se caracteriza por ser o período de transição da infância para a fase adulta. Envolve mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais, uma fase de desafio permanentes, não só para os jovens, mas também para seus pais, familiares, professores e amigos.As transformações físicas, são gigantescas, sobretudo na estatura e no desenvolvimento do aparelho reprodutor, bem como na aquisição das características sexuais secundarias (pelos pubianos, aumento das mamas, aumento do pênis

Deve-se compreender a “crise normal da adolescência” como um momento em que se vivencia lutos (perda do corpo infantil, perda dos pais idealizados na infância) e conflitos, sendo fundamental o apoio e auxílio para lidar com todas as necessárias transformações.

Estudos com neuroimagens revelaram que o cérebro adolescente ainda esta em desenvolvimento. Mudanças drásticas nas estruturas encefálicas que afetam as emoções, o discernimento, a organização do comportamento e o autocontrole ocorrem entre a puberdade e a vida adulta, o que, de uma certa forma, justifica algumas das dificuldades dos adolescentes com impulsividade, responsabilidade com horários e compromissos. A necessidade do sono, o adolescente requer tanto ou mais de horas de sono de uma criança, privação de sono reduz a motivação e concentração para os estudos, por isso se faz tão importante cuidar o tempo em frente a Tvs e celulares antes de dormir, porque eles tiram o sono que vai faltar no inicio da manha.

As diferenças entre crianças e adolescentes não se resumem a aparência, eles também pensam e falam de forma diferente. Para Piaget, é na adolescência que o jovem se torna apto ao raciocínio hipotético dedutivo, de modo a poder estabelecer relações abstratas entre conceitos, fazer avaliações mais complexas e projeções para o futuro, ajudando na sua elaboração de identidade. A busca de identidade, uma das principais tarefas da adolescência, onde pode-se dizer, que a identidade se forma quando o jovem resolve 3 questões fundamentais: a escolha de uma profissão ou ocupação, a adoção dos valores pelos quais se guiar na vida e o desenvolvimento de uma identidade sexual que o satisfaça. Questionar crenças morais dos pais fazem parte, eles tentam por vezes com dificuldade conciliar suas opiniões com as dos pais. Eles tendem a se comparar com os pares (iguais, outros adolescentes) a compreender que seus comportamentos estão sob avaliação e a se preocupar mais com as implicações sociais de tais julgamentos.

Este afastamento dos país é fundamental para testar sua independência e autonomia, um ensaio para vida adulta.

Dificuldades:

Um aspecto essencial do desenvolvimento da adolescência é a interação com os pares, na medida em que representa uma aquisição fundamental na constituição da identidade e das escolhas pessoais. A necessidade de encontrar um espaço dentro de um grupo social pode influenciar os adolescentes na escolha de comportamentos que variam em termos de funcionalidade e adaptação. Eles tendem a se engajar em comportamentos que elevem seu status dentro do grupo, e alguns deles podem ser considerados de risco, tais como, uso de drogas, infrações, comportamento desafiadores….

Desafios da Tecnologia e mundo virtual. Pergunta-se como vai se dar esta formação de identidade neste mundo virtual?? Nesse sentido, além de superar as dificuldades geradas pelo tensionamento da comunicação entre país e filhos na adolescência, os país precisam se aproximar do mundo digital e se adaptar a ele, porque é praticamente impossível um jovem não ter interação em redes sociais nos tempos de hoje. Onde muitas vezes as amizades virtuais substituem as reais. Supervisão e atenção dos responsáveis são fundamentais para proteção contra cyberbuling, pessoas mal-intencionadas….

Hoje, é possível viver em dois espaços – o real e o virtual – ao mesmo tempo. Mas, que mundo virtual é esse e quem transita por ele? Quando estou no mundo real, estou realmente olhando para o aqui e agora ou estou de olho no virtual? É importante refletir até que ponto adultos e adolescentes têm consciência da distância entre essas duas dimensões e conseguem passar pelo virtual sem perder a conexão com o real.

Qual limite saudável para ocupação desses itens na vida de cada adolescente? Qual o limite saudável para a utilização das ferramentas virtuais por cada jovem? A resposta deve levar em consideração o momento de vida de cada um desses jovens, suas necessidades, vontades, seus limites, seus direitos e seus deveres. Não há receita certa para nós seres humanos como há receita para bolo. E a sutileza é exatamente essa: entender que aquilo  que serve para um “ser” pode não servir para outro, mesmo que os dois tenham a mesma idade.

Por vezes quando o jovem não encontra apoio em casa, sente-se sozinho, carente, que não tem ninguém olhando por ele. Pode ocasionar um adoecimento do contato deste e, consequentemente, o mundo virtual pode deixar de ser uma ferramenta utilizada para se tornar uma muleta. (A ferramenta é utilizada quando necessária e deixada de lado quando outras necessidades vêm à tona. A muleta mostra que há uma deficiência, uma dependência, serve como uma fuga da realidade.) Assim, o jovem passa a não mais transitar pelo virtual e pelo real com a flexibilidade e facilidade naturais desse momento de vida.Ele passa a ficar mais dependente do virtual, tornando suas relações cada vez mais escassas. O gatilho para esse comportamento pode ser  o fato de que o virtual pode ser controlado, enquanto o real está dolorosamente incontrolável. É uma tentativa de amenizar uma dor emocional, mas de uma forma disfuncional para o adolescente. Não é um comportamento saudável já que restringe a vida do jovem à uma única possibilidade e o afasta do convívio, tão importante nessa fase do desenvolvimento.

Outras situações difíceis podem trazer o mesmo comportamento. E por falar em comportamento, a mudança abrupta deste por parte dos jovens é quase sempre um pedido de atenção, de ajuda, os pais devem estar sempre atentos, há que se observar com zelo se a vida virtual não está tomando conta de todo o tempo dele. Se a resposta for positiva, pode haver um sofrimento tentando ser aliviado com esse comportamento de esquiva da realidade, como brigas frequentes dos pais, ameaças de que o jovem será abandonado por um dos genitores ou que terá de mudar de escola ou cidade por causa da separação etc.

Como já foi dito anteriormente, não existe receita para se criar gente, mas existem algumas palavras que, empregadas no dia a dia, podem evitar muito sofrimento: atenção, cuidado e observação. Observar o comportamento dos adolescentes e ficar atento e cuidadoso a como o sofrimento dos pais é transmitido a estes filhos, que não possuem, ainda, maturidade para lidar com carga tão intensa é fundamental. Com a dor emocional associada a uma fase de desenvolvimento tão delicada e instável, que é a adolescência, surge a necessidade da fuga.

Nessa hora, a acessibilidade fácil do mundo virtual o torna o destino mais “seguro”, por ser conhecido, em meio a um turbilhão de sensações estranhas. Enfim, havendo alguma mudança abrupta, alguma dependência do mundo virtual em detrimento das relações reais, deve-se abrir espaço para o acolhimento e para o diálogo, para que o adolescente consiga expressar o que sente e encontre, junto à família, formas de ser amparado e auxiliado.

Jovens que encontram nos país, na escola e na comunidade uma rede de apoio tendem a se desenvolver de forma mais positiva e saudável.

Como pais e escolas podem encontrar um caminho para educar os filhos, sabendo da curiosidade e o gosto pelo proibido naturais da adolescência? Falta um pouco de iniciativa para dizer ‘este jogo não é bom para você’, ‘novelas são para adultos’, ‘você não pode fazer algo que prejudique alguém dentro ou fora da internet’. E talvez as crianças, tão habituadas a TVs e computadores, desejem, na verdade, ouvir: ‘que tal desligarmos o computador e irmos brincar lá fora?’. Além do diálogo constante com os filhos, os pais podem estar mais próximos dos outros pais da escola. Podem participar de grupos de discussão na internet formado por pais, usar as redes sociais a seu favor e proteger seus filhos. Limitar e estabelecer regras, com horários e tempos, são medidas importantes de proteção e cada família vai definir como vai funcionar na sua casa.

Enfim, necessária e urgente a integração e conexão com o jovem adolescente. Um grande desafio dos tempos atuais.

 

A Saúde Mental do Policial

Por Fernanda Thones Mende, Psicóloga – CRP 07/1378

Vários estudos em diferentes países vêm destacando os benefícios da manutenção da saúde mental do policial, como forma de proteção e melhora do desempenho destes profissionais, os quais encontram-se expostos a intenso estresse. Tais cuidados garantem o bem estar não apenas do indivíduo, bem como da população como um todo.

Desde o ingresso do policial na instituição, seja civil quanto militar, o sujeito se depara com uma forte exigência para lidar com o perfil exigido a esse fazer. Desde a seleção, através de concurso público já se inicia essa adaptação ou mesmo a sua exclusão. A postura engajada na promoção do controle social e da ordem, repressiva muitas vezes,  passa a ser uma busca nos cursos de formação, além de uma capacidade de resiliência frente às adversidades a serem apresentadas ao jovem policial e conseqüentemente ao longo de sua carreira.

A forma como essa carreira irá se destacar positivamente ou mesmo negativamente se dará muito pelas características de personalidade desse profissional, que se observará mais ou menos identificado com a demanda, bem como a forma como este conseguirá se auto- regular e lidar com suas inúmeras vivências traumáticas ao longo dos anos. A busca pela carreira de policial, no entanto, é escolhida algumas vezes em função de “estabilidade” financeira por incluir-se no rol das profissões que envolvem o serviço público. Um equívoco, na maioria das vezes, principalmente quando o indivíduo mesmo tentando se “enquadrar no perfil” acaba se deparando no seu cotidiano, por uma vivência embora técnica, cheia de variáveis, horários e escalas de trabalho instáveis, além de vários imprevistos .

Nas instituições militares não podemos deixar de destacar a peculiriaridade de uma carreira caracterizada por obediência de base hierárquica, que confere uma vivência diferenciada até mesmo quanto às leis e normativas que irão nortear seu comportamento, comparado a população geral. Essas exigências específicas podem ser favoráveis no desenvolvimento do caráter desse indivíduo se ainda ingressar jovem, através da disciplina e posicionamento ativo preconizado por essas instituições, mas poderão ser um problema a uma personalidade mais opositora.

Doenças no trabalho às vezes são percebidas já em estágios avançados, uma vez que freqüentemente apresentam sinais e sintomas comuns a outras doenças, o que mascara a identificação precoce deste agravo, repercutindo tanto na saúde do trabalhador como gerando custos para a instituição e serviços de saúde.

Entre as classes de trabalhadores, os policiais possuem maior risco de morte e propensão ao desenvolvimento de estresse, devido à sobrecarga de trabalho e ao caráter das atividades que realizam e embora seu treinamento o ajude a lidar tecnicamente com suas atividades, estratégias de prevenção e principalmente a Psicoterapia podem diminuir o impacto da exposição a esses eventos traumáticos.

Segundo Lansing K, ao longo de suas carreiras, muitos policiais vivenciam eventos traumáticos que resultam em transtornos de estresse pós traumático (TEPT), ou suportam experiências traumáticas que se acumulam e se manifestam em TEPT de início tardio ao atingir algum limiar. A experiência clínica desses autores descobre que, sem uma recuperação completa esses policiais experimentam uma capacidade diminuída de gerenciar os estressores crônicos, bem como uma maior exposição aos perigos inerentes a sua atividade laboral.

UM OLHAR ATENTO SOBRE NOSSOS FILHOS

Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Se costuma dizer que quando nasce um bebê também nasce uma mãe. Pois é, quando um bebê nasce a mãe precisa aprender a ser mãe enquanto o filho vai se descobrindo indivíduo a medida que se vê refletido no olhar da mãe, como se estivesse num espelho. Para o bebê desabrochar, crescer e se descobrir como pessoa única ele precisa experimentar um contato afetuoso, íntimo e contínuo com sua mãe. Como vemos, essa relação mãe-filho vai sendo construída.

No início de sua vida o bebê é totalmente dependente da mãe, necessita de sua presença, não só física, como de sua disponibilidade interna, de sua atenção, necessita da mãe inteira, de “corpo e alma”.

Essa primeira experiência do bebê com sua mãe será a matriz de todas as relações futuras. Um pai presente (e cada vez mais os pais estão participando dos cuidados com os filhos, entendendo seu importante papel) será um reforço dessa “matriz” e poderá suprir falhas e principalmente, ajudar a mãe a se dedicar a este bebê. Se a mãe tem prazer, alegria, orgulho do seu filho este vai sentir-se como um presente para esta mãe. Mas ao contrário, se a mãe sente tristeza e ansiedade demasiada, o filho se sentirá como um incômodo, “não se sentirá “acolhido”.

O fracasso dessa experiência (mãe que não consegue ser continente, ser suficientemente boa) dá lugar a um vazio que leva a criança a buscar constantemente alguém que o preencha. Ela terá tudo para ser uma pessoa ansiosa, insegura, que precisa de atenção e afeto o tempo todo.

Tudo o que acontece posteriormente na vida de uma criança irá depender muito dos primeiros cuidados maternos, para os quais é necessário um olhar cuidadoso. É a partir da qualidade dos cuidados da mãe que a criança se tornará apta a adquirir uma “confiança básica”, confiança em si mesma e no mundo, que a torne uma pessoa feliz e alegre com sua existência.

Essa “confiança” é construída ao natural, gradativamente, a partir das experiências diárias de cuidado, proteção e intimidade com a mãe, é um processo construído pela dupla mãe-filho, podendo se dar também com a dupla pai-filho.

Se ao contrário de ser protegida, muito cedo a criança tiver que dispensar esses cuidados maternos, se tiver que aprender muito cedo a conviver fora de casa, sem o apoio dos pais, ela será forçada a “forjar” uma confiança por um processo artificial, “de fora pra dentro”(falso self). Quando isso acontece, o enfrentamento de situações que geram ansiedade, medo, tristeza são mais difíceis e penosos para a criança, podendo gerar intensas sensações de desamparo.

Tendo esses cuidados nos primeiros anos de vida a criança vai criando uma confiança no mundo. Confiará nas pessoas a sua volta e estará fortalecida para enfrentar os desafios da vida.

À medida que os pais vão cuidando de seu bebê também vão mostrando seus limites. As crianças desde cedo vão aprendendo e compreendendo de forma cuidadosa e amorosa as restrições que são impostas com autoridade (não falo de autoritarismo) pelos pais. Ter autoridade e impor limites para nossos filhos é difícil, cansativo mas é um ato de amor. Quem ama cuida! E as crianças sabem que podem confiar quando pais amorosos impõe regras com autoridade. Por mais que reclamem sabem que os pais são fortes o suficiente para protegê-los.

Ao contrário, os pais que “não conseguem” controlar seus filhos criam crianças ansiosas, inseguras, agressivas, insatisfeitas.  Quando estas restrições são feitas de forma impessoal, por estranhos, como por exemplo deixar para a escola colocar os limites, serão sentidas como desaprovação e não como cuidado e proteção, podendo causar sentimentos como solidão, medo de abandono, revolta,…

É nos cuidados amorosos e personalizados dos pais que estão os alicerces para a saúde mental da criança e não no que ela poderá aprender fora de casa. Confiança e saúde mental não se aprende, se vivencia.

 

E a Psicologia em tempos de Copa do Mundo?

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

Em época de Copa do Mundo, onde respiramos futebol e ficamos “paralisados” por alguns dias, podemos pensar alguns aspectos psicológicos associados à Copa. É um momento aonde uma grande variedade de sentimentos vem à tona. Sentimentos que ficam contidos como paixão, raiva, alegrias são liberados de maneira socialmente aceita, é uma catarse coletiva onde as pessoas se permitem expressar suas emoções.

Outro aspecto interessante é que o futebol desencadeia nos indivíduos um sentimento de grupo, identidade, união. As pessoas se permitem compartilhar alegrias, torcer juntas, vibrar a cada gol, vincular-se com desconhecidos por um mesmo objetivo.

O povo brasileiro veio de um trauma do fatídico, 7×1 uma das maiores derrotas da historia do futebol. Este trauma mostra a dificuldade do brasileiro de perder, lidar com a frustração e uma realidade tão cruel. Nestes momentos entra outro mecanismo psicológico, a negação. É mais fácil negar este trauma e pensar que ainda somos o país do futebol, como por muito tempo fomos reconhecidos.

A realidade mudou e o país do futebol continua exemplar nos ranking da desigualdade social, de violência interpessoal e da corrupção.  Seguimos dissociados perdidos sem saber qual o melhor caminho a seguir.

Espero que o sentimento que aflora com a copa do mundo, de união, amor a camisa, olhar com empatia para o outro, mostre que ainda temos esperança e podemos, juntos, fazer a virada para um Brasil melhor.

Conversando sobre a Orientação Profissional

Por Carolina Rodrigues Azevedo, Psicóloga – CRP 07/19699

O momento da escolha profissional geralmente é marcado por inúmeras emoções. O que cada um sente nesta etapa da vida pode ter relação com o modo com que lida com situações de decisão, mudanças e com seu próprio crescimento. A escolha de uma profissão pode ser encarada para muitas pessoas como um dos primeiros grandes desafios da vida adulta.

O se deparar com o novo, desconhecido, pode representar um momento de incertezas. Neste sentido, fatores como o início e o desenvolvimento da carreira profissional de seus pais ou de pessoas de referência, assim como a expectativa desses para com a sua escolha profissional e outros aspectos devem ser analisados pois podem ser carregados de valor emocional. Em alguns casos, podendo interferir significativamente no processo de escolha.

A orientação profissional surge como um espaço que propicia o contato com os sentimentos que estão sendo despertados nesse momento da vida, a expansão do conhecimento sobre seu perfil, suas habilidades e pontos a serem desenvolvidos. Além do mais, conduz a pessoa a pensar sobre sua maturidade para esta escolha e as áreas que possui maior interesse profissional, diferenciando essas de ocupações de lazer.

É essencial que o orientando tenha um papel ativo neste trabalho, seja compartilhando suas ansiedades, esclarecendo dúvidas, buscando conhecimentos e se disponibilizando a este contato. Vale ressaltar que não é sempre que se finaliza este processo com a profissão escolhida, tudo depende dos desejos e do momento de cada um.

A orientação profissional dura em torno de 8 encontros, em que são utilizados testes e técnicas psicológicas que auxiliam e estimulam a pessoa neste percurso.

Não conseguimos engravidar? E agora?

Por Agda Ferreira, Psicóloga – CRP 07/12438

A decisão de ter ou não um filho, é com certeza a mais importante na vida do casal, pois se a decisão for de ter um bebê a vida mudará de forma irreversível. A chegada do bebê traz mudanças automáticas e gigantescas na vida da mãe, do pai e de toda a família e por isso deve ser pensada com muita seriedade.

Tomada a decisão, o casal inicia as tentativas de engravidar e o tempo que levará para se ter um exame positivo de gravidez é especifico para cada dupla. Alguns casais podem engravidar na primeira tentativa, outros em três meses, outros em oito meses, mas a maioria engravida naturalmente em até um ano. Se você está dentro deste primeiro ano, relaxe e tente aproveitar esse momento a dois. Se já faz mais tempo, os especialistas sugerem procurar a ajuda de um médico especializado.

Segundo o site BabyCenter, se acredita que de cada seis casais, um tenha dificuldade para engravidar, já outras fontes falam que há dificuldade para um casal a cada dez; ou seja, é uma questão bem comum, mas que não diminui o sofrimento e a dor do casal.

Existem várias causas físicas para infertilidade e tem alguns casos que não há explicação fisiológica para isso, o que é chamado de infertilidade sem causa aparente.

Nossa mente e nosso corpo andam sempre juntos. Se estivermos mais frágeis emocionalmente, a defesa do corpo baixa e ficamos doentes. Quanto mais eu trabalho com meus pacientes e estudo, mais acredito que nosso inconsciente tenha uma enorme influência em nós. Os fatores psicológicos sempre estão presentes, mas muitas vezes não damos a devida importância a eles.

Vocês devem conhecer, ou com certeza já ouviram falar de casais que tentaram engravidar, não conseguiram, então adotaram uma criança, e após se tornarem pais, a mulher engravidou de forma natural. Porque isso pode ocorrer? Possivelmente porque algo no inconsciente estava bloqueado e destrancou após a vivência da maternidade e paternidade.

Notem que não estou falando apenas da maternidade, pois acredito que os bloqueios inconscientes também possam vir do inconsciente do casal e não apenas do intrapsíquico individual.

Para que ocorra a fertilização é necessário que o espermatozóide encontre e entre no óvulo, mas porque não podemos pensar que é necessário que ocorra um encontro mais amplo? O encontro dos desejos do casal? O encontro do amor? O casal precisa estar em sintonia. Alguns casais fazem tratamento, são dados como férteis e mesmo assim não conseguem engravidar.

Muitos conflitos psíquicos podem acabar levando à dificuldade em engravidar: conflitos inconscientes com a família de origem, traumas vivenciados e guardados em segredo pela geração anterior, fantasias de não merecimento da maternidade, e muitos outros. Tudo está em movimento dentro nós, o tempo todo.

Então, assim como procuramos médicos para as dores físicas, porque não podemos procurar um psicólogo para as dores emocionais? Psicoterapia pode melhorar muito nossas vidas e pode, sim, ajudar a desbloquear muitos conflitos doloridos e escondidos dentro de nós…

Aborrescente ou adolescente?

Por Letícia Schmitz, Psicóloga – CRP 07/18830

A adolescência é um dos períodos mais difíceis pelo qual passamos. Muitos podem até não concordar, pois, nesta fase, o sujeito ainda não tem muitas responsabilidades nas costas e, com isso, passa a ideia de que este período seja tranquilo. No entanto, por ser a fase de mudanças, no corpo e na mente, não ser nem criança e nem adulto, o adolescente se sente perdido no mundo, não sabendo qual é o seu espaço, o que quer para si e o que os outros – família e sociedade – esperam dele.

Tudo está em transformação e processo de construção. Tudo é intenso nesta fase e, em um mesmo dia, ele pode apresentar um misto de emoções e sentimentos. Com frequência, o adolescente se olha no espelho e, muitas vezes, não se reconhece. Mesmo que faça isso todos os dias. Tem explosões de humor. Acorda animado, disposto e ao longo do dia “se transforma”. A vida vira um inferno e todos que estão a sua volta não entendem isso.

Isso acontece porque nesta fase são vivenciadas a maior parte das experiências; acontecem as transformações corporais, as transgressões, as dúvidas que vem acompanhadas da chamada rebeldia, e, por este motivo, a adolescência é descrita, no senso comum, como aborrescência. Tudo isso porque o adolescente está na época de trazer à tona seus questionamentos frente a vida, para depois poder se constituir como adulto. E, por mais difícil que isso possa parecer, é bom e fundamental que todo este processo aconteça!

É comum vermos adultos diminuindo, não dando importância ou até menosprezando essa intensidade do adolescente. Claro que em muitos momentos esses dramas internos são potencializados, mais floridos na hora de serem expressados ao mundo. Agora, os adultos a volta deste jovem fingirem que não está acontecendo nada, por não saberem lidar, também não é a solução.

Para entender um pouco mais, é importante que o adulto volte ao seu passado e se reconecte com a sua adolescência! Provavelmente, irá perceber que passou por muitas das dificuldades que enxerga nos jovens de hoje. Então, uma dica para enfrentar junto com o adolescente esta fase, é pensar como você desejou ser tratado, ser ouvido, ser entendido quando passou pela adolescência. O que este jovem está pedindo é que alguém coloque limites, imponha regras, mas que também o entenda quando der uma “escorregada” por conta desse turbilhão que se passa dentro dele. Afinal, ainda não ter o seu espaço conquistado no mundo, não é fácil de sentir, não é mesmo?!

CULPA x RESPONSABILIDADE : como anda a sua relação consigo mesmo?

Por Larissa Mendonça Lütkemeyer CRP 07/16189

O que vem à nossa mente quando pensamos em CULPA? Partindo de uma rápida busca no Dicionário Online de Português, entre outras definições, culpa é a “responsabilidade por uma ação que ocasiona dano ou prejuízo a outra pessoa” ou o “sentimento doloroso de quem se arrependeu de suas ações”.

Podemos definir a culpa como a reprovação consciente ou inconsciente que a pessoa faz de um ato ou comportamento dela própria no passado. Associada a uma atitude que gera reprovação, a culpa desencadeia um novo sentimento de frustração pela percepção da contradição entre como fizemos e como deveríamos ter feito. Essa censura, desperta inconscientemente a necessidade de autopunição, no intuito de aliviar o sofrimento.

Freud, o “pai da psicanálise”, conceitua o sentimento de culpa como o resultado de uma tensão entre o ego e o superego, que se manifesta como uma necessidade de castigo. Para ele, “mau” é tudo aquilo que nos faz sentir ameaçados com a perda do amor. E, se perdemos o amor de outra pessoa da qual dependemos, deixamos de estar protegidos dos perigos e ainda ficamos expostos à manifestação da sua superioridade na forma de punição. No seu entendimento, inicialmente, a culpa viria do medo da perda do amor e a evitação do mau estaria vinculada ao medo de ser descoberto pela autoridade externa. Mais tarde, quando essa autoridade é internalizada, dando origem à instância psíquica que chamamos de superego, não existe mais diferença entre fazer o mau e desejar o mau, pois não se consegue esconder do superego os desejos proibidos. Assim, o superego assume sua característica sádica, atormentando o ego com o mesmo sentimento de ansiedade. Com a instauração do superego, somente a renúncia à satisfação do desejo já não é suficientemente libertador, então o sentimento de culpa se instala.

Assim, posteriormente, surge o medo do superego, esse agente crítico, tornando a punição uma manifestação instintiva por parte do ego que se tornou masoquista sob a influência de um superego sádico. Nesse caso, a agressividade que seria destinada para fora, é voltada para dentro de si mesmo. Apareceria então o sentimento de não ser bom o suficiente e, portanto, merecedor de castigo. Esse sentimento inconsciente de culpa e punição provoca, através da compulsão repetitiva, situações adversas, que darão motivos para queixas.

As clássicas cenas de filmes em que alguém sofre uma decepção e devora um pote de sorvete com o objetivo de compensar a sua frustração, pode servir como um exemplo desse mecanismo. Atitudes de procrastinação ou somatizações, como um mal-estar, uma dor de cabeça ou de estômago, também podem estar a serviço do superego punitivo. Se acompanhada de sentimentos de remorso, vergonha e medo de repetir o mesmo comportamento, a culpa pode originar uma sensação de que se está aprisionado, como se não houvesse saída. Nesse caso, a pessoa pode seguir vivendo como se a situação geradora da culpa fosse eterna, segundo a ideia inconsciente de que todo culpado merece punição, portanto, nunca podendo desculpar-se e infligindo-se o castigo da auto recriminação. Quando esses sentimentos persistem por muito tempo e mobilizam uma sensação constante de desprazer com a vida, surge a depressão.

Já a psicanalista Melanie Klein postula que, no desenvolvimento primitivo, a mãe é percebida de forma parcial, ou seja, ideal ou perigosa, boa ou má, conforme a resposta que manifesta em relação às necessidades do bebê. A satisfação das necessidades básicas gera um sentimento de segurança, que aumenta a gratificação em si e se transforma em parte importante da satisfação de receber amor. Pouco mais tarde, quando o bebê adquire condições para introjetar a mãe como pessoal total, ou seja, perceber que a mãe que gratifica é a mesma que também frustra, surge um conflito entre amor e ódio (pulsões agressivas) direcionados para o mesmo objeto (mãe). Esse conflito seria o gerador do sentimento de culpa e da necessidade de reparação. Assim, dá-se a tentativa de controlar os impulsos agressivos e os objetos, com o intuito de prevenir a frustração, impedir a agressão e o consequente perigo para os objetos amados. Em resumo, para Klein a culpa viria da fantasia agressiva e voraz de destruição da mãe frustradora e ativaria o impulso de curar esses danos imaginários e repará-la.

Esse impulso de reparação, quando atenuada a pressão do superego, geralmente, consegue afastar os sentimentos de desespero suscitados pelo sentimento de culpa, fazendo com que prevaleça a esperança. Nesse caso, o amor e o desejo de reparação da criança são inconscientemente estendidos a novos objetos de amor, portanto, a reparação consolida a possibilidade infantil de aceitar amor e incorporar a bondade proveniente do meio externo, exercendo, assim, uma influência positiva sobre o desenvolvimento humano. A reparação então, seria uma forma de elaborar a culpa e reconstruir a relação com os objetos atacados em fantasia e introjetados, de forma que a reparação dos objetos também seria uma reparação de si mesmo.

Essa perspectiva põe em evidência a existência de uma saída para o ciclo ação – reprovação – punição. Através dessas atitudes reparadoras, podemos encontrar novamente a satisfação consigo mesmo e a esperança “de dias melhores”.

De acordo com as definições de Freud e Klein acima, podemos entender que os processos inconscientes influenciam nossas ações e a forma como percebemos o mundo ao nosso redor. Em última análise, poderíamos dizer que a culpa surge da fantasia de controle sobre a vida, da busca pela perfeição. Quando algo foge do esperado, se manifesta a crença de que se fez algo que causou o acontecimento ruim. Essa sensação ilusória de poder é, na verdade, uma tentativa de superar a nossa real condição de fragilidade.

Entretanto, quando passamos a compreender que não temos o poder de controlar os outros ou as situações ao nosso redor e que somos responsáveis apenas pelas nossas atitudes, podemos assumir a RESPONSABILIDADE pelo que acontece conosco. Sermos responsáveis por nós mesmos, significa abrir mão da posição de vítima das pessoas e situações e implica num empenho constante na busca de conhecer o que motiva as nossas atitudes e escolhas, para que então possamos decidir de forma mais consciente e, consequentemente, façamos escolhas mais satisfatórias. Dessa forma, podemos abrir mão do sentimento de culpa ou atribuir a ele uma função produtiva – quando serve para nos conhecermos mais e avaliarmos nossas atitudes, aceitando que não se pode desfazer algo que já ocorreu, acolhendo os sentimentos envolvidos e decidindo como proceder dali em diante.

Nem sempre, infelizmente, conseguimos realizar esse processo de tomada de consciência e abdicação desse ciclo de culpa sozinhos. Esse é então o momento de pedir ajuda aos profissionais habilitados para auxiliar nessa jornada. A psicoterapia psicanalítica, como uma ferramenta de autoconhecimento, visa possibilitar o entendimento das motivações inconscientes que embasam nossas atitudes, daquilo que não percebemos conscientemente, mas que, por nossa escolha, e muitas vezes de forma repetitiva, nos faz sofrer. Desse modo, potencializamos nossa capacidade de decisão, aprendemos a enfrentar melhor os sentimentos de frustração e, consequentemente, aumentamos nossa sensação de satisfação e bem-estar, melhorando consideravelmente a nossa qualidade de vida.