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AUTONOMIA E SUPERPROTEÇÃO

Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

O que é cuidar? O que é superproteger? Onde está a linha que marca cuidado e crescimento pessoal ou superproteção e atrasos no desenvolvimento? Este tema sempre trouxe dúvidas! Atualmente ainda mais, em função dos riscos que a vida moderna apresenta. Esta realidade não pode servir como justificativa para encerrar o assunto e evitar outros questionamentos.

Muitos pais acreditam que, sendo  “super presentes”, atuam como melhores pais.  Tornam-se proibitivos e exigentes, eternos acompanhantes para realizar atividades ou resolver problemas para a criança.  Na verdade a tarefa dos pais será identificar  as situações de risco real à serem evitadas e aquelas que devem ser permitidas e até incentivadas. Assim serão bons pais ao proporcionar o desenvolvimento da autonomia. Esta tarefa depende do bem estar emocional dos pais. Muitas vezes, aparecem conflitos! A autonomia da criança, leva a um certo grau de afastamento e quebra de dependência, podendo ser sentida como abandono, rejeição ou perda de controle.

Desenvolver a autonomia da criança, desde as primeiras tarefas do desenvolvimento, proporcionará maiores recursos, capacidades, segurança e adequação para as tarefas futuras, inevitavelmente maiores, mais complexas e algumas vezes mais solitárias.

As crianças demonstram muito prazer quando sentem-se capazes de realizar tarefas sem a ajuda dos adultos. Logicamente às responsabilidades e permissões devem estar em acordo com a etapa de desenvolvimento. Sentir que é capaz é fundamental para que desenvolva boa auto estima, desenvolva habilidades e tenha confiança em si mesmo. Por outro lado, ao perceber que tudo é feito para ela e por ela, aparecem sentimentos de insegurança, desconfiança e intolerância à frustração. Não amadurece! Passa a acreditar, que o mundo está sempre pronto para resolver suas dificuldades, e imediatamente disponível para realizar seus desejos. Ainda poderá sentir o mundo, como um lugar perigoso, sendo melhor não arriscar-se.

Na verdade, os adultos não conseguem impedir a autonomia da criança. Conseguem apenas atrapalhar, mas gerando prejuízos importantes. Poderão aparecer dificuldades variadas e em diferentes intensidades. Dificuldades no relacionamento social, timidez, estados de medo e ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem, crises de birra, entre tantos outros. Problemas futuros, já na vida adulta, também poderão aparecer, em consequência da superproteção. Pessoas marcadas pela insegurança e medo, sentem-se incapazes para enfrentar os desafios da vida, podendo apresentar insucessos na vida pessoal, profissional e afetiva.

A criança precisa sentir-se competente, capaz de realizar as tarefas de seu desenvolvimento. Precisa também sentir que pode contar com seus pais e buscar ajuda, se necessário. Os pais precisam festejar sua condição de formar um ser independente. Todos precisam confiar na estrutura do vínculo construído e perceber que ele não se perde, apenas se transforma conforme a etapa da vida.

TPM: Mitos e Verdades

Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

Então, TPM existe mesmo ou é frescura de mulher? Existe sim e, desde o último lançamento do DSM-V em 2012, ela se encontra junto na categoria dos Transtornos Depressivos, logo é séria e precisa ser tratada como tal.

Primeiramente vamos começar falando que a tão conhecida TPM, tensão pré-menstrual, na verdade se divide em duas categorias, a síndrome pré-menstrual e a TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual), forma mais intensa da TPM (tensão pré-menstrual). A TPM e a TDPM foram, por muito tempo, erroneamente associada ao temperamento de mulheres mais sensíveis. Contudo, os novos achados mostram que existem causas biológicas e genéticas para as alterações físicas, comportamentais e emocionais por que passam as mulheres com o transtorno.

A TPM atrapalha a vida pessoal e profissional de diversas mulheres por  todos os meses e essa tensão é gerada por alterações hormonais que antecedem a menstruação. Em geral, os sinais da TPM aparecem na metade do ciclo menstrual e desaparecem em até dois dias após o início da menstruação.

A TDPM, que afeta as mulheres em idade fértil, é marcada por sintomas físicos e comportamentais semelhantes aos da TPM, mas muito mais intensos e severos. Além da sensibilidade alterada nas mamas e o inchaço na barriga, a irritabilidade, tristeza e ansiedade chegam a ser tão extremados que incapacitam as mulheres de realizarem suas tarefas de cotidiano, prejudicando a vida destas e, consequentemente, das pessoas que com elas convivem.

Segundo o DSM-V os critérios diagnósticos são:

-A. Na maioria dos ciclos menstruais, pelo menos cinco sintomas devem estar presentes na semana final antes do inicio da menstruação, começar a melhorar poucos dias depois do inicio da menstruação e tornar-se mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual.

-B. Um (ou mais) dos seguintes sintomas deve estar presente:

  1. Labilidade afetiva acentuada ( por ex, mudanças de humor, sentir-se triste ou chorosa, sensibilidade aumentada a rejeição)
  2. Irritabilidade ou raiva acentuadas ou aumento nos conflitos interpessoais.
  3. Humor deprimido acentuado, sentimentos de desesperança ou pensamentos autodepreciativos.
  4. Ansiedade acentuada, tensão e/ou sentimentos de estar nervosa ou no limite.

-C. Um (ou mais) dos seguintes sintomas deve adicionalmente estar presente para atingir um total de cinco sintomas quando combinados com os sintomas do critério B.

  1. Interesse diminuído pelas atividades habituais.
  2. Sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar.
  3. Letargia, fadiga fácil ou falta de energia acentuada.
  4. Alteração acentuada do apetite; comer em demasia; ou avidez por alimentos específicos.
  5. Hipersonia ou insônia.
  6. Sentir-se sobrecarregada ou fora de controle.
  7. Sintomas físicos como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor articular ou muscular, sensação de inchaço ou ganho de peso.

Nos casos graves, é necessária uma medicação mais específica. Atualmente, o tratamento usado com melhores resultados são os antidepressivos. Estudos recentes mostram que essa medicação usada na menor dose possível e durante a fase de tensão pré-menstrual tem melhorado muito a qualidade de vida das mulheres que experimentam essa disfunção.

Na psicoterapia, a mulher vai compreender sua oscilação de humor e aprender a lidar melhor com suas habilidades de manejo quando as “crises” estiverem chegando, bem como aprender a conhecer melhor tanto a si como o seu corpo, que também faz parte do processo de amadurecimento feminino.

O que esperar da Psicoterapia

Por Anna Paula Luz Flores , Psicóloga e Psicanalista – CRP 07/04536

A psicoterapia é uma modalidade de tratamento psicológico destinado tanto às pessoas que apresentam alguma patologia psíquica diagnosticada, manifestada através de transtornos mentais ou emocionais, bem como às pessoas que sentem necessidade de uma ajuda para lidar com questões da vida, que desejam se conhecer melhor, entender certos padrões de comportamento, lidar com as ansiedades, frustrações, medos e desejos. Existem também determinados períodos da vida, tais como, separação, luto, casamento, nascimento de filho, escolha profissional, novo relacionamento e mudanças de modo geral que também podem despertar a necessidade de busca de auxílio profissional.

Apesar disso, muitas pessoas acabam não sendo beneficiadas pela psicoterapia justamente por desconhecerem os seus benefícios, sendo comum a crença de que a ausência de um transtorno mental ou emocional específico e de que apenas estão enfrentando um período difícil da vida as impedem de ir em busca de tratamento.  São pensamentos comuns em relação ao tratamento psicológico e que podem impedir a pessoa de se desenvolver emocionalmente e de melhorar muito a sua qualidade de vida por desconhecimento ou uma crença inadequada.

A psicoterapia é, muito mais do que uma técnica utilizada pelo psicólogo, uma construção a dois, na qual cabe ao terapeuta contribuir para o processo de amadurecimento pessoal do seu paciente, respeitando seu ritmo e trajetória, ajudando-o a compreender melhor seus pensamentos, atitudes e como entende e age no ambiente em que vive, não estando ali para efetuar qualquer julgamento ou impor a sua opinião pessoal.

Muitas vezes a psicoterapia é confundida com o modelo médico, existindo a expectativa de que, em uma consulta, já possa ser definido um diagnóstico e encontrada uma solução para conflitiva em questão. No entanto, a psicoterapia necessita de um acompanhamento, pois o ser humano é muito complexo e apresenta uma subjetividade muito particular. Algo que diz respeito ao seu espaço interno, resultante de sua história de vida e que influenciam na formação da sua personalidade e determinam como ele interage no mundo.

Sendo assim, o acompanhamento psicoterápico é um processo que demanda tempo e investimento, tanto financeiro quanto e, especialmente, emocional. O psicoterapeuta é um agente facilitador de mudanças, que auxilia no processo de autoconhecimento e a encontrar uma melhor alternativa para lidar com as questões emocionais. O paciente que recorre ao tratamento psicológico deve estar implicado com o mesmo e é bem por isso que é impossível obrigar alguém a se tratar.

O processo psicoterápico é marcado pela mútua confiança, disponibilidade, implicação e entrega tanto do paciente quanto do terapeuta. Sendo assim, de nada adiantaria qualquer pessoa, mesmo um profissional da área, indicar este tipo de acompanhamento para alguém se esta pessoa não estiver mobilizada e disposta a vivenciar esse tratamento. Esse desejo de mudança já faz parte do processo da psicoterapia. Através do autoconhecimento propiciado pelo tratamento, o paciente consegue entender melhor muitos de seus pensamentos e sentimentos e, ao se apropriar deste conhecimento, desenvolve habilidades mais adequadas para lidar em diversas situações da vida.

O papel do terapeuta vai muito além de apenas ouvir, como muitas vezes pode parecer e não tem respostas prontas para fornecer, jamais afirmando diretamente o que o paciente deve ou não fazer (o que não quer dizer que não forneça determinadas orientações, quando necessário). Seu trabalho não é o de tutelar pessoas, mas de promover espaços de reflexão, facilitando o processo de emancipação dessas pessoas, ajudando-as a construírem suas próprias respostas às perguntas que surgem ao longo de suas vidas. Procura, progressivamente, o fortalecimento emocional do paciente, auxiliando a tornar menos obscuras as resoluções de suas próprias questões e na compreensão de que a vida é vivida no equilíbrio, que o ser humano encontra-se em constante mutação e que não existe um estado absoluto de prazer e satisfação definitivos.

Transtorno de Terror Noturno

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

As patologias do sono cada vez mais acometem as crianças.  Hoje vamos falar sobre terror noturno. Trata-se de uma conduta alucinatória noturna, caracterizada por episódios de pânico no decorrer da noite.  A criança urra em sua cama, ficando com o rosto assustado, não reconhecendo as pessoas a sua volta, como se estivesse em perigo. Normalmente vem acompanhado de sintomas físicos como: taquicardia, palidez e suores.

A crise dura no máximo alguns minutos e logo a criança volta a dormir. Este quadro de terror noturno é mais comum em crianças entre dois e cinco anos, mas pode começar antes mesmo de um ano.  Ainda desconhecemos as causas desta patologia, normalmente acomete crianças ansiosas ou com algum quadro de depressão. Pais que tenham apresentado a mesma patologia ou sonambulismo podem explicar o quadro da criança.

Segundo o DSM IV 307.46 os critérios diagnósticos são:

  • Episódios recorrentes de despertar abrupto, geralmente ocorrendo na primeira terca parte do episodio de sono, iniciando com grito de pânico;
  • Medo intenso e sinais de excitação autonômica, tais como taquicardia, taquipneia e sudorese durante cada episodio;
  • Relativa ausência de respostas a esforços de outros para confrontar o individuo durante o episodio;
  • Não há recordação detalhada de algum sonho e existe amnésia para o episodio;
  • Os episódios causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional;
  • O distúrbio não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substancia (drogas, medicamentos ou condição medica em geral)

Quanto à freqüência depende muito cada criança, algumas apresentam semanalmente e outras num espaço de uma semana a dez dias.  Os pais devem ter alguns cuidados com o sono dos filhos como: regularidade no sono, cuidados com a alimentação, uso de medicamentos, contato físico e emocional com a criança neste momento. O ambiente deve ser calmo, com pouco som e luz e a criança deve dormir no mesmo horário. Outro aspecto importante para um sono tranqüilo é não ter a noite contato com eletrônicos.

Sabemos que o sono é fundamental para um desenvolvimento saudável, a criança deve dormir no mínimo oito horas para ter uma rotina saudável e energia para as atividades. Durante a crise não e aconselhável acordar a criança, os pais devem acolher, tranqüilizar e ficarem atentos.

Os responsáveis devem estar atentos a freqüência e intensidade do terror noturno. Caso este quadro se estenda devem buscar ajuda de um profissional para avaliar a criança, pois podem ter outros aspectos emocionais importantes encobrindo este quadro.

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Aliança Terapêutica e Empatia

Por Carolina Fernandes de Abreu Marques, Psicóloga – CRP 07/11647 

Quando falamos em aliança terapêutica, falamos na relação que ocorre entre terapeuta e paciente. Quando essa relação se dá de forma afinada, existe uma boa possibilidade do tratamento ter bons resultados. Quando esse vínculo é bom, observamos o paciente mais engajado no processo e demonstrando maior confiabilidade no trabalho do terapeuta. Além disso, as pesquisas demonstram que alianças terapêuticas positivas estão relacionadas aos resultados positivos no tratamento e à minimização de possíveis resistências.

Para que se estabeleça uma sólida e confiante relação terapêutica, entre outros fatores, é necessário que se desenvolva um sentimento de empatia por parte do terapeuta. A capacidade de compreender os problemas do paciente, seu modo de funcionar, sua capacidade de trabalha e entender seus próprios conflitos. O terapeuta pode demonstrar sua capacidade empática através de seu tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal, fazendo com que assim o paciente se sinta entendido e valorizado.

Penso ser importante diferenciarmos o conceito de empatia de simpatia. O primeiro é a habilidade de se colocar no lugar do outro, enxergar como se fosse a outra pessoa. Já a simpatia é que nós sentimos em relação ao outro. É mais um sentimento de piedade e respeito que sentimos pelos sentimentos dos outros.

Para o desenvolvimento de uma boa e sólida aliança terapêutica é essencial que o terapeuta tenha essa capacidade empática desenvolvida.  Que seja capaz de colocar-se no lugar do paciente e que consiga pensar como “se fosse ele”. Nesses momentos outro conceito importante surge que é  o da neutralidade, que refere-se a capacidade do terapeuta não colocar suas experiências e vivências como forma do paciente resolver seus conflitos. Ou seja, o que o terapeuta acha ou pensa para sua própria vida não deve servir de referência para o paciente seguir na sua.

Sendo assim,dentre outros aspectos, é com o desenrolar desses três conceitos aqui expostos que poderemos esperar um bom resultado do processo terapêutico, com experiências de sucesso entre paciente e terapeuta.

As complexas relações entre pais e filhos

Por Anna Paula Luz Flores , Psicóloga e Psicanalista – CRP 07/04536

A instituição familiar vem passando por muitas transformações nos últimos tempos, apresentando vários tipos de arranjos. No entanto, as funções básicas desempenhadas pela família no decorrer do desenvolvimento psicológico do indivíduo permanecem as mesmas. Trata-se do primeiro grupo social do qual o indivíduo faz parte e, as transformações ocorridas na sociedade, na estrutura familiar e na forma como os pais foram educados vem provocando muitos questionamentos no que diz respeito à relação com os filhos.

Os conflitos nesta relação entre pais e filhos ultrapassam gerações e são motivos de muitos debates e reflexões. Na maioria das vezes se origina em um ruído de comunicação dentro de casa, aonde uns se sentem controlados e não reconhecidos em sua autonomia enquanto outros sentem-se desconsiderados, desvalorizados e por vezes, até mesmo, desrespeitados.

Aparece, então, a dificuldade dos pais em se colocarem adequadamente como figuras de autoridade, quando isso se faz necessário, e dos filhos em manifestar aquilo que sentem falta e esperam receber. O resultado é um processo de mútuas acusações que acaba por não revelar a intensidade dos afetos envolvidos, escondendo o real desejo, que, na grande maioria das vezes, é de sentir-se amado pelo outro.

Cada período do desenvolvimento do indivíduo tem as suas peculiaridades e, na relação entre pais e filhos, este aspecto acaba implicando em novos desafios a serem enfrentados. A atenção e o respeito que devem ser dados ao filho não podem provocar uma inversão na ordem das gerações, pois torna-se um fator de intensa desorganização para toda a família. Os filhos precisam de um direcionamento que cabe aos pais dar.

Além de conhecer o amor, a amizade, o respeito e a consideração, os filhos também precisam ter clareza de quais são os limites que têm que respeitar para que possam tornar-se pessoas capazes para a vida em comunidade. Assim, fica evidente a importância do equilíbrio entre a amizade e autoridade, cuidando para não confundir autoridade com autoritarismo, procurando basear o relacionamento na troca afetiva, na confiança, na transparência e no diálogo constante.

Outro fator que influencia grandemente esta relação refere-se ao tempo, ou melhor, à ausência dele. A rotina de todos, cheias de compromissos é, muitas vezes, um entrave relevante no relacionamento familiar, dificultando uma intimidade necessária para que haja uma troca maior, para que os pais conheçam verdadeiramente seus filhos, participem de suas vidas e saibam como abordá-los adequadamente.

Faz-se necessários pais e mães mais próximos, mais disponíveis, abertos a discutir e orientar naquilo que se fizer preciso, mas igualmente capazes de dizer não e de estabelecer os limites que precisam ser respeitados. Caso contrário, é grande o risco dos filhos sentirem-se sozinhos e desconectadas de sua própria família, sem uma verdadeira identificação com esses pais, pois lhes faltam um modelo firme, seguro e afetivo, com o qual possam se identificar.

As relações familiares são de natureza complexa, pois cada filho e cada pai e mãe são únicos e precisam ser respeitados, embora a convivência nem sempre seja fácil. O núcleo familiar é fundamental na educação de qualquer pessoa, pois é através da família que o indivíduo aprende seus primeiros comportamentos, sendo que essas relações iniciais irão interferir na maneira de viver e de ver o mundo, durante a vida futura. A família, portanto, é o lugar adequado e privilegiado para promoção da educação e desenvolvimento do sujeito e, a maneira como pais lidam com os desafios da vida, são de extrema importância para conduzir à maturidade familiar e servir de modelo de identificação para os filhos.

“O mundo mudou”! Considerações acerca da violência física e emocional contra a mulher

Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

Recentemente a mídia, as redes sociais e as conversas informais foram invadidas por acontecimentos relacionados a violência contra a mulher. Denuncias de agressão física, assédio sexual, abusos e ameaças, antes delegadas a uma classe social menos favorecida, agora convivem com todas as classes sociais. Nos últimos dias, acusações a um cantor por agredir fisicamente e emocionalmente a esposa; uma carta reconhecendo o “erro” e afirmando que “o mundo mudou”, escrita por um conhecido ator e sendo lida em rede nacional como um pedido de desculpas pelos assédios moral e psicológico, infringidos a uma colega de emissora; um “respeitado”  jornalista sendo investigado por agressão física à esposa e a soltura de um jogador de futebol condenado por matar e ocultar o cadáver da ex namorada chamaram a atenção e trouxeram a discussão um assunto antes visto de forma tímida: a violência contra a mulher.

Mas por que esses comportamentos abusivos por parte dos homens acontecem? Por que muitas vezes essas situações não são percebidas como agressões e sim entendidas como parte de um relacionamento homem-mulher? Por que por anos as mulheres se sujeitaram a esses abusos e, em alguns casos, era até mesmo estimulada ao homem essa conduta?

O modelo masculino de galã robusto, rústico e por vezes bruto habita parte do nosso imaginário. Porém o “machão” da novela não se restringe a ficção. Faz estragos reais, físicos e emocionais. Desestrutura emocionalmente esposa, filhos e famílias.

A violência contra a mulher abrange um espectro bastante amplo de condutas, desde o assedio verbal até a agressão física, incluindo estupros praticados inclusive por namorados e maridos. Essa violência tem raízes históricas profundas. Há cerca de 5 mil anos a sociedade organizou-se de forma patriarcal, sendo portanto o homem o detentor do poder de decisões. A mulher tornou-se um objeto valioso, no sentido de mercadoria. Usada como moeda de troca entre governos, sinônimo de êxito e riqueza. Vendida, roubada, trocada e escravizada. E isso tudo com o apoio da organização da sociedade. O ideal patriarcal de um homem forte, poderoso e de sucesso, encontrava na dominação da mulher respaldo e apoio. Somente em meados da década de 70, tal situação passou a causar desconforto e produzir questionamentos em alguns segmentos da sociedade.

Atualmente muitas pesquisas se dedicam a compreender o tema da violência contra a mulher e sabe-se que aproximadamente 70% dos casos de violência contra a mulher são praticados por namorados, maridos ou ex-companheiros. Estudos cada vez mais criteriosos associam a violência contra a mulher ao suicídio, ao abuso de drogas e álcool, a distúrbios gastrointestinais, cefaleias, insônia, desinteresse e desmotivação, dificuldade de concentração, apatia, irritabilidade, crises de ansiedade, estresse pós-traumático e síndrome do pânico.

Engana-se quem acredita que apenas as mulheres sofrem com esse padrão de comportamento. Obviamente elas são as maiores vitimas e, consequentemente, as mais prejudicadas. Porém, a exigência social do “super macho”, também condena ao sofrimento homens, com a pressão de manterem sempre o sucesso, o medo do fracasso sexual, medo das comparações com outros homens (a liberdade sexual trazida principalmente pelo uso de métodos contraceptivos e pelas conquistas políticas, sociais e profissionais, permitiu a mulher ter parceiros antes do matrimonio), entre outras questões narcisistas e de baixa auto estima, elevam os casos de depressão entre os homens e por vezes a agressividade contra a mulher esconde um homem frágil e assustado.

Mas, ainda no que diz respeito ao desrespeito contra a mulher, além da violência física, existe a violência psicológica. Mais sutil, dissimulada, mas tão prejudicial quanto a da agressão ao corpo. Do ponto de vista psíquico, não há diferença entre a dor física e a dor psíquica, pois a dor é um fenômeno misto, que surge no limiar entre o corpo e a psique. Enquanto a dor remete à sensação local causada por uma lesão, o sofrimento psicológico designa uma perturbação global, emocional, corporal desorganizadora e que traz consequências na qualidade de vida. Dentre a violência psicológica, cabe explicitar a violência emocional, a patrimonial e a sexual. Principalmente por serem essas de difícil entendimento e percepção.

- Violência Emocional: ameaças, chantagens, desvalorização e domínio pelo medo são as principais características desse tipo de situação. O homem desencoraja a mulher com palavras, a ameaça, condena, critica e desvaloriza. Ele enfatiza os fracassos dela, sua falta de habilidade como esposa, mulher, mãe e profissional. A mulher amedrontada passa a questionar suas competências e acreditar na sua incompetência. O homem se fortalece na fraqueza por ele imputada à mulher. Agressões verbais são constantes, brigas, gritos. A mulher tem seus desejos ridicularizados ou minimizados e vê a supremacia das necessidades do marido tomarem conta do seu dia a dia.

- Violência Patrimonial: numa sociedade com raízes fortemente fixadas no modelo patriarcal, é comum homens ocuparem cargos de chefia, possuírem salários mais altos e por consequência serem responsáveis pelo sustento do lar. Muitos priorizam suas carreiras, construídas sob a desistência que as mulheres fazem das suas. E isso acarreta as acusações e chantagens dos homens, afirmando que as mulheres precisam deles para sobreviver, que sem eles não conseguem sustentar a família de forma adequada. E por vezes esse temor é verídico. Por não investirem em suas carreiras, ou pelo mercado de trabalho não reconhecer o valor de um profissional do sexo feminino, muitas mulheres ficam atreladas as chantagens e violência conjugais para manter a qualidade de vida, sua, dos filhos e não raras vezes de suas famílias de origem. A dependência financeira é usada como motivo de deboche, chantagem, amedrontamento e aprisionamento dessas mulheres a relações insatisfatórias e perversas.

- Violência Sexual: novamente a sociedade patriarcal deixa suas marcas ao entender como tarefa da mulher satisfazer sexualmente o homem. O homem entende como seu o corpo feminino, toca, agride e manipula sem o consentimento da mulher. Por vezes a obriga a manter relações sexuais as quais ela não deseja. Somente muito recentemente o estupro conjugal passou a ser considerado crime.

As relações estabelecidas entre homens e mulheres sempre estiveram baseadas em questões sexuais e de poder. A violência e o abuso se incrementam no cotidiano sob a forma de ligações narcisistas e autoritárias. O medo de perder o objeto outrora amado e desejado provoca um angustia indescritível. Parafraseando Freud, “(…) a dor é uma reação à perda efetiva da pessoa amada, a angustia é a reação à ameaça de uma perda eventual.” Angustia que enlouquece, aprisiona e adoece.

A mulher é acusada de estar na origem de todos os problemas do casamento, as agressões tornam se corriqueiras e por vezes são justificadas com argumentos como cansaço, estresse, excesso de preocupações por parte do agressor e a culpabilização da mulher, acreditando que foi ela a causadora de todo o desconforto: “fui eu quem falou sobre aquele assunto chato na hora errada, por isso ele agiu dessa forma”, dizem, buscando justificar as explosões agressivas dos companheiros.

A escassez de outros vínculos, o medo de perder a estabilidade financeira, a falta de apoio da família de origem, a solidão, a baixa auto estima, a dependência emocional perpetuam a permanência das mulheres nessas relações, sua capacidade de julgamento passa a ser atacada e a leitura das situações como agressões ficam  prejudicadas. Relações nesse nível de funcionamento trazem prejuízos também para os filhos. As crianças por vezes apresentam fobias, enurese, ecoprese, gagueira, compulsão a mentir e baixo rendimento escolar.

Todos sofrem e muitos homens não conseguem estabelecer um padrão de relacionamento diferente, embora a promessa de mudança e muitas vezes o desejo. As mulheres emocionalmente enfraquecidas não imaginam como estabelecer vínculos saudáveis, prisioneiras e dependentes de relações agressivas e abusivas.

A psicoterapia psicanalítica adentra nesses lares como a possibilidade do novo, da reorganização. Ela não tem o poder de mudar o passado, apagar o histórico de agressão, mas através do entendimento do já acontecido poderá ressignificar as vivências e oferecer alternativas, inaugurando um novo relacionamento. Não basta uma carta pedindo desculpas, não bastam promessas ou flores. O mundo mudou! E para uma mudança genuína de comportamento as raízes da personalidade precisam ser analisadas e tratadas. Somente assim um comportamento pode ser extinto e pode abrir espaço para uma nova construção. Cada situação deve ser avaliada e estudada para a melhor indicação de tratamento. Por vezes a psicoterapia de casal se faz fundamental, porém, não é o tratamento de eleição num momento inicial, pois as brigas podem se acentuar e tornar inviável o seguimento do tratamento.

Abuso Sexual e suas consequências

Por Rafaela Haas Oliveira Zanini, Psicóloga – CRP 07/14351

Muitas vezes os relacionamentos entre pais e filhos são tragicamente malsucedidos, resultando em grave mau trato das crianças. O abuso sexual seria uma das formas de maus tratos, caracterizando-se por qualquer tipo de contato sexual entre uma criança e uma pessoa mais velha.

As consequências dos maus tratos neste sentido são devastadoras. Os efeitos numa pessoa que foi abusada variam em danos físicos, emocionais e cognitivos. O trauma ocorre não apenas pelo ato em si, mas também por um funcionamento patológico familiar em que pais não conseguem proteger a criança que está sendo violentada.

Não raro, famílias abusivas tendem a manter seu equilíbrio em torno do silêncio e do segredo. Muitos casos nos mostram a negligência materna, culpabilizando os filhos por tal situação. Existe uma dificuldade imensa em reconhecer o incesto, por exemplo, em função de uma doença que envolve o ambiente familiar. A renegação ou desmentida, como é chamado em psicanálise, refere-se a percepção de um acontecimento doloroso em que surge uma desestruturação de si cuja primeira reação é ver, mas ao mesmo tempo não ver. O indivíduo percebe a situação mas desmente para si e para o outro. Estamos falando de pacientes e famílias com uma estrutura e funcionamento mais perverso (ver artigo anterior  A Perversão Sustentada na Contemporaneidade – por Fernanda Mendes).

O comportamento sexual inapropriado é uma das manifestações que as crianças que foram ou estão sendo vítimas de abuso podem apresentar. A agressividade e os problemas escolares também aparecem com frequência.

Adultos que tiveram esta vivencia traumática carregam consigo este segredo por anos ou por uma vida inteira. Pacientes buscam tratamento e não raro depois de anos relembram de uma parte de sua vida que havia sido “apagada” de sua memória com o simples e grande propósito de sobreviver àquela vivencia devastadora.  A ideia de não falar e não sentir entra como uma forma de se proteger. Não falar para não doer! Mal sabem eles que o abuso está  vivo em suas vidas e sendo revivido quase que diariamente em suas relações que tendem a ser perversas por repetição.

A psicoterapia nestes casos ajuda o paciente a elaborar o trauma. A voltar no tempo, a recontar a história, a sentir o que não foi sentido. A olhar para a culpa e culpar quem deve ser culpado. E como dói! A psicoterapia não apaga a vivência, mas auxilia a lidar com estas verdades. Verdades de um passado sombrio, verdades de sua vida atual.

ENTENDENDO O BULLYING

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Bullying, palavra de origem inglesa que tem como raiz o termo bull, é um termo utilizado para designar pessoa cruel, intimidadora e/ou agressiva.  O bullying se apresenta enquanto prática de violência sem motivo aparente e que é praticado no contexto escolar, podendo ser presencial o virtual. Este chamado de cyberbullying e que vem aumentando de incidência entre os jovens.  Entretanto, esta violência pode ser mascarada pelas brincadeiras (mesmo que de mau gosto) ou informadas pelos agressores como acidentes. Mas, o que se presencia são cenas de terror e agressões graves exercidas sobre outros alunos e preocupa educadores, pais e juristas.

O ato bullying ocorre quando um ou mais alunos passam a perseguir, intimidar, humilhar, chamar por apelidos cruéis, excluir, ridicularizar, demonstrar comportamento racista e preconceituoso ou, por fim, agredir fisicamente, de forma sistemática, e sem razão aparente, um outro aluno. A pessoa que pratica bullying possui a necessidade de dominar, subjugar e de impor sua autoridade mediante a coação. Além disso, possui necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo, bem como de se autoafirmar chamando a atenção para si. A inabilidade de expressar sentimentos e a incapacidade de se colocar no lugar do outro também são características do agressor.

As causas deste comportamento abusivo incluem carência afetiva, ausência de limites, como também um modo de afirmação de poder e autoridade, práticas estas advindas dos pais sobre os filhos, que sofrem maus-tratos físicos e explosões emocionais violentas por parte dos pais. A prática do bullying no âmbito escolar pode levar ao desinteresse em aprender, ao déficit de concentração, à queda no rendimento, ao absentismo e até mesmo à evasão escolar. No aspecto emocional pode ocorrer além da baixa autoestima, estresse, sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, fobia, depressão e, nos casos mais graves, o suicídio.

 O bullying é um tipo de violência que pode ser difícil de identificar pela escola e pelos familiares da vítima. Isto porque o medo de sofrer represálias e a vergonha em admitir que está passando por essa situação humilhante impede a vítima de pedir ajuda. Outra prática bem atual e cada vez mais comum é o cyberbullying. Nesta prática, que acontece na internet nas redes sociais, o agressor cria falsos perfis para falar mal de alguém ou até mesmo se passando pela pessoa, difamando e ameaçando repetidas vezes a vítima. Como as pessoas não estão cara a cara, aumenta a crueldade dos comentários e das ameaças.

O papel da escola é fundamental neste tipo de violência, devendo mostrar que esta prática não é inofensiva e que, inclusive, pode vir a destruir a vida do outro. É importante que a escola possa abrir espaço para a discussão desse tipo de violência, incluindo a participação dos pais quando esses episódios ocorrem. Quanto mais rápido for identificado e diagnosticado o bullying, maiores as chances de ajudar a vítima evitando que ela sofra traumas e problemas graves no futuro.

Para evitar o cyberbullying, os pais podem e devem adotar os seguintes comportamentos:

– Mostrar interesse pela vida do filho, tanto online quanto offline, mantendo-se atento às atividades que realizam na internet, inclusive verificando quais sites são visitados.

– Procurar pesquisar e entender como funcionam os aparelhos tecnológicos usados pelos filhos para poder ficar a par do que eles fazem no mundo virtual.

– Cultivar e estimular o diálogo em casa, mostrando que estão disponíveis para ouvir o filho caso ele queira contar sobre a sua vida. Muitas crianças e adolescentes têm medo ou vergonha de contar que sofrem bullying por acharem que os pais vão culpá-los ou puni-los.

– Explicar os prós e contras da internet, bem como a necessidade de manter a privacidade, divulgando somente o necessário na rede.

– Pensar sempre na possibilidade de seu filho estar praticando ou “compactuando” com o bullying em suas diferentes formas. Cabe também conversar sobre os dois lados do bullying: da vítima e do agressor; das punições que podem ser dadas ao agressor e as maneiras de se proteger na perspectiva da vítima.

O principal tratamento no caso de bullying é o acompanhamento psicológico, pois o lado emocional é o mais atingido por quem sofre esta violência. Sentimentos de vergonha, medo e raiva são muito comuns nessas situações, impedindo a vítima de manter as atividades às quais estava acostumada, restringindo a vida desses indivíduos. O atendimento psicológico vai ajudar a recuperar a estabilidade emocional da vítima de bullying, que se sente bastante fragilizada. O apoio da família e dos amigos é fundamental, mostrando à vítima que ela não é culpada pelas humilhações e perseguições que sofre. Estimular vinganças é algo que deve ser evitado: violência gera ainda mais violência.

As redes sociais e a expressão da agressividade

Por Maíra Pasin Pozzer, Psicóloga – CRP 07/14830

As redes sociais vem crescendo exponencialmente nos último tempos e, com isso, se tornando um fenômeno por vezes difícil de ser acompanhado e compreendido. Através das facilidades em se manter conectado o tempo todo, criou-se uma espécie de imediatismo que abrange diversas direções. Um imediatismo em responder, em opinar, em mostrar suas ideias frente à assuntos de interesse, em mostrar afetos, em concordar e em discordar.

O comportamento do sujeito nas redes sociais reflete seus mais individuais e intensos sentimentos, sendo a agressividade bastante observada nos dias atuais. Mas de onde vem tamanha agressividade frente à situações, na maioria das vezes, não diretamente ligadas a quem agride? Como pode tantos julgamentos e opiniões muitas vezes sem maior aprofundamento do assunto em questão?

Estes e outros questionamentos saltam aos olhos quando pensamos no tema. Sabemos que a agressividade é inerente ao ser humano, sendo, além de uma expressão individual, uma impulsão para que o sujeito não se acomode e consiga ir atrás de seus desejos enfrentando as dificuldades encontradas pelo caminho. Porém, o que percebemos nas redes sociais não se trata disto e sim de ataques movidos à “pré-conceitos” e opiniões carregadas de sentimentos negativos com o intuito de ferir o outro.

Cada vez mais cresce o número de casos de crimes cibernéticos levados à justiça ligados a crimes de racismo, homofobia, bullying, dentre outros. Parece que cada vez mais as pessoas vem se dando conta de que não é preciso tolerar e aguentar em silêncio tais agressões e que estas, em determinados casos, podem ser enquadradas como crimes, tendo espaço para serem julgadas como tais.

De um modo geral estamos inseridos dentro de regras sociais e limites que nos permitem conviver em sociedade respeitando uns aos outros. Porém quando se trata de internet e redes sociais, parece que o mesmo nem sempre se aplica e que algumas pessoas valem-se disso para extravasar sentimentos que parecem não estar bem em si mesmas e acabam atacando, agredindo e humilhando. Tal fato pode ser pensado pelo viés de que diferentemente de um contato real, “ao vivo”, o virtual proporciona certa distância e um sentimento de impunidade, como se não estar próximo anulasse as consequências de seus atos.

Desta forma é importante que cada vez mais se possa pensar e discutir tais situações, visto que, as redes sociais ocupam um grande e importante espaço tanto de interação social, quanto profissional nos dias atuais. Tem que se encontrar formas de manter os limites e regras, fazendo com que o respeito pelo outro ultrapasse a barreira do real/virtual, onde a empatia e saber se colocar no lugar do outro tenham a cada dia mais valor.