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Entendendo melhor o Pânico – Crise de pânico X Crise de ansiedade

Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

Primeiramente vamos falar da ansiedade, que é um sentimento comum ao ser humano. Desde a infância sentimos ansiedade frente a situaçoes que estao por vir, uma viagem muito aguardada, uma prova muito difícil, enfim um sentimento normal que nos ajuda a sobreviver e até necesrio para nossa evoluçao. A ansiedade advinda da preocupaçao de que algo posa dar errado, a pesar de desconfortavel, é útil dentro do contexto apropriado. Por isso, quando as pessoasse dizem ansiosas, elas realmente estao, mas isso pode nao representar um inconveniente maior.” Ela se torna um problema somente quando acontece fora de um contexto, ou de forma exagerada. Podendo causar síntomas físicos como falta de ar, palpitacoes enjoos e tonturas.

Nos tempos atuais se tem identificado tantas pessoas adoecendo por conta da asniedade que existe uma categoría de doenças psiquiátricas denominadas Transtornos de Ansiedade. E o Transtorno do Pânico é uma doença que faz parte dos Transtornos de Ansiedade.

Agora vamos entender um pouco mais sobre o nico, palavra nico provém do grego “Panikós” que significa susto ou pavor. Ataque de pânico, é a mesma coisa que Transtorno do nico? Nao, O ataque de pânico descreve um evento único enquanto o Transtorno do pânico é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero, o medo constante de quando o próximo ataque acontecerá e a adoção de medidas para evitar os lugares onde os últimos ataques ocorreram.

O ataque de pânico consiste em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas específicos. Os mais comuns são taquicardia, dificuldade de respirar, formigamentos, vertigem, dor ou desconforto no peito, medo de perder o controle, sudorese, tremores, entre outros. Nem todos sintomas estarão presentes, mas a grande maioria estará. Os sintomas começam de súbito e se acentuam rapidamente, muitas vezes acompanhados por uma sensação de catástrofe ou morte iminente e por uma ânsia de escapar da situação. Com certeza você já deve ter escutado de alguém que sem razão para tal ficou extremamente ansioso. O coração dessa pessoa disparou, ela começou a suar, ter tremores, e o que mais chama a atenção é que ela acreditou que estava tendo um ataque cardíaco que a levaria a morte. E depois de exames feitos, nada apareceu, nada foi detectado. Esta pessoa teve na verdade um ataque de pânico.

Uma das grandes dificuldades do diagnóstico é que muitos dos sintomas se assemelham a sintomas das doenças cardíacas e visto que muitas pessoas acabam procurando por prontos socorros e sendo recebidos por médicos generalistas não preparados para a hipótese de diagnostico de ataque do pânico.

Tem cura? Tem tratamento. Através do tratamento é possível amenizar as crises, bem como reduzir suas frequências mantendo a situação totalmente sob controle. O tratamento consiste em em duas abordagens combinadas, psicofármacos e psicoterapia, sendo a mais indicada a Terapia Cognitivo Comportamental, que tem mostrado resultados bastante promissores. Consiste em ensinar e educar o paciente sobre a sua crise, mostrar a ele o porque ela acontece e tentar encontrar o motivo pelo qual a desencadeia.

TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

O TDAH caracteriza-se por uma alteração na intensidade da expressão de funções normais do comportamento humano. Apresentam uma capacidade de atenção abaixo do esperado, uma expressão motora acima do esperado. Assim a desatenção, hiperatividade e impulsividade são os sintomas que definem este funcionamento e desencadeiam dificuldades no desempenho escolar, laboral e nos relacionamentos, mas nada tem a ver com baixo potencial intelectual.

Descrevendo um pouco mais, observamos uma disfunção em um conjunto de habilidades que permitem estabelecer metas, organização, planejamento, monitoramento da ação,seleção de comportamentos que proporcionam a obtenção de resultados favoráveis.

Pacientes com TDAH apresentam dificuldade para manter o foco, distraem-se facilmente com coisas irrelevantes, dificuldade para refletir sobre problemas enfrentados, dificuldade para iniciar tarefas que exijam esforço mental continuado, esquecimento de obrigações, perda de coisas necessárias para a tarefa. Na idade adulta geralmente atenuam os sintomas de hiperatividade motora, mas seguem acontecendo a desatenção e prejuízo no desempenho das atividades. Observa-se ainda associados a este quadro, a depressão, ansiedade, transtornos de conduta e de oposição. Questões emocionais importantes aparecem relacionadas, como o sentimentos de tristeza e baixa estima, dificuldade para lançar-se em novos projetos e atividades em função da descrença em suas habilidades, incluindo, por exemplo, em variadas intensidades e formas de expressão,  a ansiedade, o medo, a irritabilidade e agressividade.

Os recursos para tratamento incluem medicação, psicoterapia e reabilitação. A medicação auxilia organizando a produção e utilização dos neurotransmissores importantes para o bom funcionamento da atenção e diminuição da impulsividade. A psicoterapia visa tratar questões emocionais associadas com os sentimentos de desvalia decorrentes dos insucessos constantes,  estes relativos ao desempenho da tarefa em si e dos relacionamentos afetivos envolvidos, bem como a motivação para desenvolvimento e reconhecimento de habilidades.  A reabilitação visa treinar e aumentar a capacidade de atenção, organização e memória. Estes recursos, utilizados em conjunto, possibilitam melhor organização e desempenho nas atividades da vida diária bem como bem estar emocional.

Sofrimento Psíquico

Por Fernanda F. da Costa Garcia, Psicóloga – CRP 07/14007

Sofremos de muitas maneiras. O que causa nosso sofrimento? Somos humanos, somos biopsicossociais, ou seja, uma mistura e introjeção de características inatas, de cuidadores e de cultura.

Absorvemos e introjetamos os desejos e expectativas que foram transmitidos a nós por quem nos cuidou e criou e, estamos imersos em uma sociedade que segue regras e ritos. Essa mistura gera em nós demandas internas que fazem que nos deparemos com uma ampla variedade de maneiras de ser e agir, algumas mais adaptadas e mais saudáveis que outras. Aquelas expectativas e desejos impostos, ou muitas vezes a falta deles, faz com que sigamos rumos diferentes e, algumas vezes, com sofrimentos que carregamos e nem bem sabemos porquê ou da onde surgiram. São ansiedades, tristezas e dores. Sim, dores. Muitas vezes colocamos no corpo dores emocionais que não sabemos o que fazer com elas. Somos um só, um corpo e uma mente. Muitas vezes, quando há sofrimento, tentamos separá-los.

A experiência corporal tem inúmeros significados e se mostra diferente para cada um. Somos a imagem que temos de nós mesmos. A dor é sentida e representada de diversas maneiras. O corpo nos leva ao inconsciente, falamos através do corpo enos mostramos através do corpo. Por isso é tão comum nos sentirmos bem, bonitos, leves quando estamos trabalhando bem, conseguindo nos relacionar bem e vivermos nossa vida como esperamos. O contrário também acontece, nos sentimos mal, gordo ou magro, feio, pesado quando as coisas não estão bem, não nos sentimos bem.

A unidade que somos é carregada de diversos eu, imagens e sensações. Não podemos menosprezar nossa dor seja emocional ou física, devemos dar atenção ao que ela nos diz e tentar assim entendermos o que ela nos mostra. Vamos nos cuidar!!

O mal estar em tempos digitais

Por Fernanda Thones Mende, Psicóloga – CRP 07/1378

Vivemos hoje uma onda de embriaguez que influencia pensamentos, sentimentos e comportamentos a partir de uma mídia digital que não filtra, apenas replica sem questionamentos.  Aantes acalorada reflexão sobre os fenômenos, geradora de uma capacidade de pensar ampliada, está cada vez mais cedendo lugar para conclusões prontas e discursos fechados.

O mal estar na cultura é um texto de fundamental importância nesta reflexão, escrito pelo pai da psicanálise, no século XX enquanto importante interprete da humanidade e seu mundo contemporâneo.Publicado em 1930, essa obra traz a reflexão de um Freud nos altos dos seus 73 anos, já mais pessimista, revelando ser a ciência tão ilusória quando a religião. Freud nos fala de uma cultura capaz de nos distinguir de nossa natureza animalesca, embora seja capaz de gerar “mal estar”, denotando a desproteção que ela também revela. É interessante que esse termo também se aproxima de outro, a partir de um ensaio escrito em 1919, chamado “O estranho” e que destacado pelo próprio Freud nos causa um mal estar do secreto desvelado. Assim como a mídia digital que parece provocar essa sensação de total descortinação,numa época em que é possível deixar vir à luz até mesmo o que nos era secreto.

Antes o que era mediatizado pela comunicação, atualmente tem sido replicado em vias diretas e infelizmente a violência e agressão também estão sendo expressas assim. Aquele que recebia passivamente a informação pelo rádio ou televisão, atualmente repassa essa informação ou mesmo a cria individualmente via redes sociais, sem precisar do grupo para expressá-la, enquanto “influenciador digital”. Antigos modos de viver a política, por exemplo, são substituídos por mais um modelo de consumo.  As eleições são definidas por curtidas em redes sociais, que desvelam esse estranho e esse familiar, no qual somos controlados via algoritmos.

Assistimos especialistas falando cada vez mais do cuidado em postergar o quanto possível as telas digitais no desenvolvimento das crianças (smatphones, televisão, tablets), pois empobrecem o olhar tão necessário, impedindo a interação e o diálogo do vínculo. Em um passar de dedos via toutch scream,pinçamos uma imagem e a transformamos no que desejamos, assim como descartamos um anúncio de youtube. O outro é igualmente dominado e ignorado na medida em que nos frustra. O ser humano se configura em novos tempos, excluindo de sua vida aquilo que o incomoda tendo a possibilidade de se afastar daquilo que não quer interagir.

Cada vez mais vemos relacionamentos digitais, onde as vídeo chamadas trazem em si uma ilusão da interação e da presença, os grupos de whatsapp parecem criar um constante encontro desencontrado,em que palavras fora de contexto são lançadas num movimento superficial que mescla entre“interprete-me se puder” ao“é assim que é”. Palavras já não tem mais um endereçamento, mas são soltas a serviço do individual.  O olho no olho, que somente se possibilita pela câmera, também é a prova de um desencontro ou encontro narcísico.Para o desentendimento e o vendaval de ofensas é um curto passo. “a exposição destrói a interioridade”gerando tensão nas relações e no comportamento.Tu és “assim”, deverias ser “assado”. Ideia que decorre do “não sei lidar com esse dado”.  Somos nós que estamos virando robôs a serviço do mercado e da ciência que já nos configurou assim? Quando não detectamos o que nos é familiar surtamos, entramos em colapso como as máquinas? Que mal estar tão grande é este pelo qual somos tomados hoje em dia? Onde está nossa subjetividade para além de todo esse controle, essa gaiola na qual a mídia digital parece nos colocar?

 

O Impacto da Violência Doméstica no Psiquismo da Criança

Por Camila Trevisol Fernandes, Psicóloga – CRP 07/23581

A vivência de violência doméstica no âmbito familiar tem um efeito devastador no desenvolvimento emocional das crianças, podendo acarretar em consequências para toda a vida. Entende-se por violência, toda ação ou omissão capaz de provocar lesões, danos e transtornos que afetam o bem-estar do indivíduo.

A violência não necessita ser contra a criança, mas também pode vir devido à exposição do indivíduo como testemunha da agressão dos seus genitores. Os problemas verificados são semelhantes àqueles observados em crianças que foram vítimas diretas de abuso físico e emocional.

O lugar onde deveria ser um espaço afetivo, amoroso e de cuidados com a criança, também se torna palco de medo, tensão e desamparo. A infância é uma fase da vida extremamente importante para o desenvolvimento físico, psíquico, emocional e social dos indivíduos. A família tem um papel fundamental e influenciará na sua formação da personalidade, na qualidade de vida, na construção dos seus valores, nas suas ideias sobre si mesmas, sobre o outro e sobre o mundo em que vive.

Cada um vai experimentar e compreender a violência de modo singular, de acordo como percebe a realidade e interage com ela. Porém, diversos fatores podem interferir na compreensão desse impacto psicológico, como a idade, gênero, frequência, severidade dos conflitos, formas de expressão da violência e suporte familiar e social.

Um lar onde há um clima de tensão e de conflito iminente pode trazer implicações que vão desde marcas físicas, psicológicas, emocionais, cognitivas e comportamentais, além de problemas como baixo desempenho escolar, dificuldade de relacionamentos interpessoais e sociais. Acredita-se que quanto mais a criança for exposta aos conflitos, e quanto mais intensa for à violência testemunhada, piores serão as suas consequências.

O trauma da violência pode ocorrer em dois tempos, o primeiro é o trauma propriamente dito e o segundo é o não reconhecimento por um terceiro, a quem a vítima pede auxilio, necessitando de cuidados, apoio, proteção e solução.

As crianças podem experimentar sentimentos depressivos, ansiedade, desamparo, medo, insegurança e vergonha. Em decorrência, podem apresentar atitudes de vigilância e comportamentos de irritabilidade e agressividade. Além disso, as vítimas da violência podem ter dificuldade para manter uma visão integrada das pessoas e buscar uma forma incessante de proteção e segurança.

As experiências consideradas traumáticas vividas ao longo do desenvolvimento, podem cair no silêncio, mas nunca no esquecimento. Esses sentimentos decorrentes do trauma necessitam de expressão, permanecendo atuantes e manifestando-se de outras formas, como sintomas, inibições, angústias e somatizações.

Os eventos traumáticos tornam-se parte da identidade do indivíduo, ocasionando efeitos na personalidade através da busca de uma nova construção de sentidos para o que foi vivido. Na vida adulta, muitas vezes, a vergonha pode tornar-se uma das impossibilidades de falar ou mesmo pensar sobre os acontecimentos, mantendo como uma forma de sofrimento psíquico e físico.

Por fim, a violência doméstica deve ser abordada não somente como um problema intrapsíquico, mas também considera-lo no contexto familiar, social e cultural. No futuro, na ausência de uma intervenção e elaboração, muitas vezes a vítima pode reagir diante de situações de agressões, como algo normal da vida, podendo reeditar a violência de forma ativa ou passiva, ou seja, como agressor ou novamente como vítima.

E as mudanças não param… 

Por Carolina Rodrigues Azevedo, Psicóloga – CRP 07/19699

A vida, com seus contornos e coloridos. Feita de ciclos que se iniciam e apresentam uma gama de oportunidades e possibilidades. Feita de ciclos que se encerram e trazem consigo uma análise dos momentos vividos. Nessa análise da vida mudanças podem pontuadas, assim como metas alcançadas e expectativas ainda não atingidas.

Algumas mudanças podem ser associadas ao processo de crescimento das pessoas, sejam elas crianças, adolescentes ou adultos. O crescer exige de todos, de diferentes maneiras, nas diferentes etapas da vida. Os pequenos a cada dia mais conhecem o seu corpo, se surpreendem com seus movimentos, com suas habilidades, se deparam com suas fragilidades e seus medos. Os diversos ambientes em que circulam tendem a despertar sua atenção, assim como as interações que experimentam. Os limites são esperados, apresentados, as responsabilidades são adquiridas e as frustrações sentidas.

O espaço escolar aos poucos é visto com outros olhos, as amizades se transformam, os amores se aproximam e se afastam. É chegada a época do término da escola, dúvidas, incertezas, preocupações, expectativas suas e de pessoas ao seu redor. Escolhas suas e de outros se misturam, se confundem. Vestibular, entrada na faculdade, início de um trabalho ou desemprego. Saída da casa dos pais, morar sozinho, com amigos ou com companheiros.  Em meio a cuidados com o corpo e com a saúde, dentre boletos e cobranças de um mundo mais adulto, são vivenciados momentos de desassossego, solidão, alegrias e conquistas. Casamento(s) ou não, filho(s) ou não, separação(ões) ou não…

Escolher, escolher, escolher.

E as mudanças não param: saída dos filhos de casa, trocas de trabalho, de área profissional, aposentadoria… O que fazer com o tempo? Mais trabalhos? Mais estudos? Viagens? Família? Amigos? Amores? Encontros e desencontros. Lutos, lutas intermináveis.

Cada escolha, cada renúncia, com suas conquistas e frustrações. Cada passo no processo de crescimento possui intensidades e significados singulares na vida de cada um. Contar com o auxílio de um psicólogo, quando se sente a necessidade, ajuda a entrar em contato com os sentimentos e pensamentos. Abrir espaço para o entendimento de seu momento de vida e de tudo aquilo que pode estar associado a isso pode trazer o alívio de ansiedades e angústias. A psicoterapia propicia às pessoas a construir, reconstruir e ressignificar suas histórias, ampliando o encontro consigo mesmo.

Compreendendo a Criança em idade pré-escolar e a necessidade de psicoterapia

Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

É muito comum em escolas de educação infantil, mais especificamente nas que educam crianças com menos de quatro anos, que aconteçam situações de difícil manejo, como mordidas, agressividade e choro. Alguns professores observam que as situações escapam do que é esperado ao desenvolvimento saudável, percebem o sofrimento exagerado da criança.

 

Mas existe a crença de que “crianças tão pequenas não tem problemas”, ou seja, não haveria porque levar uma criança em idade pré-escolar para uma avaliação psicológica.

Infelizmente, em razão deste equivoco, muitas situações se agravam e os sintomas chegam intensificados aos consultórios.

Situações tornam-se muito complexas, às vezes diagnósticos demoram a serem feitos e perde-se um tempo valioso para o tratamento daquela criança.

 

Claro que o desenvolvimento infantil tem suas particularidades e as crianças em idade pré-escolar são sempre muito intensas e dinâmicas. Estão explorando o mundo. Tem interesses e curiosidades por tudo que há a sua volta. A grande interação com o mundo começa com a boca, inicialmente separando o que constituí o “eu” do que aquilo que constituí o “outro”. A criança tem o seu primeiro contato com o mundo pelo seio materno (quando amamentada dessa forma) ou pela mamadeira.

Ambos produzem satisfação e prazer.

Através dessa relação de prazer vai “experimentando” o mundo, levando tudo a boca, na tentativa de conhecer, saborear o mundo. Essa é a famosa “fase oral”, pois o órgão que produz prazer é a boca, sugando, fazendo bolhas, babando, emitindo sons, e por vezes mordendo.

 

Desde o nascimento existem impulsos agressivos e outros amorosos. À medida que o relacionamento com as primeiras figuras (geralmente os pais) vai se constituindo, o bebê passa a construir vínculos afetivos e a iniciar o desenvolvimento de seu relacionamento interpessoal. Esse primeiro contato se dá desde os primeiros dias e é ali que o bebê começa a conhecer o mundo e alicerçar sua personalidade. Sendo assim, é muito importante que ele se sinta amparado e protegido nesses primeiros dias, pois, do contrario, haverá consequências mais tarde. Esse serão os primeiros modelos identificatórios para o bebê.

A criança pequena tem dificuldade em dominar suas emoções, sejam elas agressivas, de frustração, raiva, amor, fome, entre outras. Então, quando não sabem o que fazer, choram, brigam, mordem, gritam… A psicanálise pontua que ao nascer somos comandados por uma estrutura psíquica que chama “id”. Essa instancia psíquica representa os impulsos, instintos, e desejos mais primitivos (fome, por exemplo). E exige atenção instantânea: não consegue tolerar a frustração. Pensando num bebê bem pequeno, quando ele sente frio, por exemplo, chora. Não consegue ser acalmado apenas com a promessa de que será atendido. Precisa ser atendido naquele instante e, só assim, se acalma.

Com o passar do tempo, e as interações sociais, vai se estruturando uma segunda instancia: o “ego”. Uma das suas funções é auxiliar o individuo a suportar as frustrações, os desejos não atendidos prontamente ou adiados.

À medida que a criança cresce e já domina algumas palavras normalmente, pode se tranquilizar se algum adulto nomeia o que está deixando ela aflita (ou seja, conversa com ela sobre o que pode estar acontecendo: “será que a fulana está chorando porque a fralda está suja? vou olhar a fralda da fulana”, etc).

O choro é relacionado a uma reação boa, pois é a forma que aprenderam de chamar alguém para atendê-los. É como se estivessem dizendo: “eu estou tentando lidar com isso, mas não estou conseguindo”. Por isso devemos evitar aquelas ideias pré-concebidas e tentar entender o que aquele bebê está querendo comunicar naquele momento. Alguns autores enfatizam que estar junto e observar os bebês é uma boa forma de conhecê-los, o brincar junto, estar atento as pequenas realizações, dar atenção em todos os momentos e não apenas na hora de impôr limites, é uma forma de deixar as crianças pequenas tranquilas. O acolhimento é a melhor alternativa para diminuir o choro dos pequenos.

Frequentes estudos em psicologia apontam que a agressividade é resultado de vários fatores, entre ele: a intensidade da raiva sentida no momento, o grau de frustração ambiental a que foi submetida aquela criança desde o nascimento, os reforços que recebem pelo comportamento agressivo, a imitação de outros comportamentos agressivos, o nível de ansiedade e culpa associados a agressão.

Há indícios suficientes de que a agressão é uma reação predominante, senão inevitável, à frustração. Quanto maior o nível de frustração, maior será a resposta agressiva. O entendimento da criança sobre o que pode frustra-la é bastante diferente do adulto, por isso é preciso evitar conclusões precipitadas e olhar cada criança de forma individual, pois cada um tem seu tempo, sua forma de reação.

O engodo de que permitir que a criança se defenda de uma agressão, uma mordida, mordendo o colega que a mordeu, por exemplo, é muito perigoso. Essa permissividade diante da agressão pode ser comparada a uma recompensa. Não se deve deixar que uma criança bata, morda, chute ou agrida de qualquer forma outra criança, ou mesmo um adulto. A melhor forma de ajuda-la é sendo firme e claro, porém carinhoso, com ela. É preciso compreender que aquela reação foi um impulso motivado pela raiva, mas isso em nada significa ser permissivo com a atitude ou agir de forma agressiva com a criança.

Deve-se sempre esta atento sobre o motivo que pode ter gerado a agressividade pois alguns momentos de instabilidade emocional fazem parte do desenvolvimento, porem o descontrole na maior parte do tempo ou excesso de agressividade são indicativos de que a criança não esta conseguindo lidar de forma positiva com alguma questão do seu desenvolvimento. Assim com a criança que nunca demonstra nenhum tipo de reação ou brabeza, que esta sempre tolerando todas as situações também merece atenção especial. Tais sinais podem indicar uma apatia ou falta de interação, sintomas comuns na depressão.

Todas essas questões devem ser pensadas e avaliadas por um profissional da área psi, que poder indicar o melhor tratamento.

Sentimentos Maternos Frente ao Nascimento do Filho Prematuro

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

A transição para a maternidade constitui-se numa experiência deveras complexa para a mulher, pois envolve aspectos fisiológicos, neurológicos, afetivos, sociais e relacionais. Desde o período de gestação até o nascimento, inúmeras são as expectativas em relação ao bebê e o papel da mãe: “Serei capaz de cuidá-lo? Serei uma boa mãe? Como será a minha vida após a maternidade? Meu filho se desenvolverá de forma saudável?”

Durante os nove meses de gestação a mulher se prepara para a chegada do filho, mas quando o nascimento ocorre prematuramente, ou seja, antes de completar 37 semanas, não só a gestação é interrompida, mas, também, a gravidez psíquica. Esta brusca interrupção gera consequências emocionais importantes, tais como angústia de separação e perda, culpa, ansiedade e medo, principalmente pela possibilidade de sequelas ou óbito de seu bebê.

O nascimento de um bebê prematuro provoca um severo golpe à auto-estima da mãe, às suas capacidades de maternagem e ao seu papel feminino. A maioria dessas mães vivenciam um importante sentimento de culpa. A culpa surge pela interrupção da gravidez e por não poderem levar o bebê saudável para casa, associa-se a este fato a impossibilidade de visitá-lo logo após o parto, tendo que deixá-los aos cuidados dos profissionais do hospital.

Como o bebê prematuro é rapidamente afastado de suas mães logo após ao parto, elas podem experimentar uma sensação de vazio, uma espécie de amputação. E, durante essa separação, imaginam as piores evoluções possíveis: que o bebê está morrendo ou então que é anormal. Em situações favoráveis, este rompimento no relacionamento começa a diminuir já no primeiro encontro entre a mãe e o bebê. Mas apenas quando a mãe pode tocar e manipular seu filho é que o relacionamento é revitalizado podendo ela, finalmente, experimentar sentimentos maternos.

A experiência da prematuridade representa uma crise e necessita passar um processo de elaboração, cabendo aos profissionais da saúde ajudarem e facilitarem a transição para a maternidade. O apoio psicossocial à mãe do bebê prematuro também deve fazer parte da ação da equipe multidisciplinar do hospital. O contato materno precisa ser estimulado desde o início pela equipe para que se estabeleça o apego e a mãe consiga se vincular ao seu bebê e atender as necessidades dele.

Felizmente, atualmente, em muitas unidades de tratamento intensivo neonatal grupos de pais de prematuros são formados encontrando-se semanalmente para conversarem e trocarem experiências. Esses encontros propiciam, além de apoio, um alívio considerável a esses pais por poderem expressar seus sentimentos, angústias e receios mais íntimos. Pesquisas apontam que os participantes destes grupos visitam seus bebês mais frequentemente que os demais pais. Eles, inclusive, conseguem olhar, tocar e falar mais com seus bebês. Além disso, as mães emocionalmente apoiadas conseguem apresentar um maior envolvimento com seus filhos durante a amamentação.

E por último, mais do que informações ou conselhos, as mães precisam mesmo de recursos do ambiente que estimulem a confiança nelas mesmas e em seu papel de cuidadoras. Elas precisam fundamentalmente ser ajudadas a entrarem em sintonia com seus bebês e, uma vez que estejam sintonizadas com eles, elas saberão, exatamente, o que fazer para que eles se desenvolvam favoravelmente.

ABUSO SEXUAL: IDENTIFICAÇÃO, MANEJO, CONSEQÜÊNCIAS E PREVENÇÃO

Por Luciana Pandolfo Camaratta,  Psicóloga – CRP 07/05918

Caracteriza-se abuso sexual qualquer forma de contato sexual ou erotização não desejado,forçado e ameaçador. Pode ocorrer na família através dos pais, padrastos , irmãos ou outro parente qualquer. Também fora de casa com amigos, vizinhos, alguém que cuida da criança ou também na forma virtual.  Identificar, manejar com a situação ou prevenir sua ocorrência é uma tarefa difícil que exige alguns cuidados.

A Psicanálise afirma que as crianças tem fantasias, desejos e experiências sexuais . Descobre as primeiras sensações de prazer com o toque , vai descobrindo seu corpo e as diferenças anatômicas. Existem fases no desenvolvimento psicossexual : Oral , Anal, Fálica ,Latência e Genital. Pensando no abuso sexual,  todo este ciclo é brutalmente quebrado. A criança vive imediata e violentamente a erotização e genitalidade.  Não apresenta nenhuma condição de personalidade para bancar esta experiência. ESTAMOS ENTÃO DIANTE DE UM TRAUMA e será necessário trabalhar esta situação. Alguns cuidados serão importantes!

A revelação de uma situação que envolve aspectos sexuais, geralmente é vivenciada com preocupação e ansiedade , fazendo com que as pessoas tomem atitudes imediatas ou sintam-se paralisadas pretendendo manter o segredo. Estes são extremos que não trazem benefícios. Será necessário observar o relato da criança e seu comportamento. A criança por estar em um momento de descobertas e de intensa vida de fantasia e o adulto por questões de sua história, dificuldades e vivências,  correm o risco de entender a situação de forma distorcida. Por vezes poderemos estar diante de uma situação que merece cuidado e atenção ,mas não é abuso!

Enquanto diante da suspeita, será necessário proteger a criança da repetição das possíveis situações de risco identificadas em seu relato e comportamento. Conversar com a criança sobre a hipótese de abuso ou nomear uma experiência como tal, sem que ela tenha vivido  a situação, também pode ser traumático. É também entregar-lhe uma vivência para a qual não tem condições nem estrutura de personalidade para administrar.Além disto, se ela está vivendo um segredo e for questionada ,” investigada de forma muito direta”  ,poderá sentir-se ameaçada e não concluir a revelação, em função de ameaças feitas pelo abusador a ela ou a sua família. Uma das possibilidades é MANTER O SEGREDO E CONSTRUIR UM SINTOMA. Segredos negativos ocupam grande espaço mental e consomem muita energia. Por exemplo , a criança poderá apresentar ótima condição cognitiva e apresentar queda no rendimento escolar em função de um bloqueio do pensamento. Pensar fica proibido, porque envolve o risco da revelação.

Quanto menos idade, menor será a condição para expressão em palavras, maior será a fantasia e a expressão por via do comportamento. Mudanças súbitas expressam alguma dificuldade , conflitos e sofrimento, algo que não se refere somente ao abuso sexual mas a toda e qualquer situação. Toda criança apresenta comportamentos que envolvem a sexualidade, porém na situação de abuso, serão as características e intensidade das manifestações que merecem atenção e ajudam a definir seus motivadores.  Comportamento erotizado, masturbação visível e freqüente, demonstração de conhecimento e informações excessivas para sua idade ; visíveis através da linguagem verbal ou das brincadeiras são importantes sinais.  Outro aspecto importante será observar seu corpo. A criança abusada traz na roupa íntima sujeiras à mais , queixa-se de dores e assaduras , podendo apresentar sinais e sintomas de doenças sexuais.

Algumas outras manifestações também são importantes, embora possam ser consequência de uma série de outras dificuldades. Apresentar comportamentos regressivos, demonstrando que necessita voltar a uma etapa ou situação onde sentia-se mais segura. Sentimento de medo, fobias e ansiedade, temendo a revivência de situações traumáticas. Alterações de humor- agitação, irritabilidade, agressividade, depressão e isolamento, choro sem causa aparente. Alterações no sono – insônia e pesadelos. Queda no rendimento escolar e dificuldade para concentra-se.

A criança deve ser orientada A NÃO GUARDAR SEGREDOS QUE INCOMODEM. Deve ser ensinada a ter RESPEITO POR SI MESMO E PELOS OUTROS. Ensinada a ter PRIVACIDADE. Deve receber CONHECIMENTOS RELATIVOS À SEXUALIDADE CONFORME SOLICITAR. As informações, manifestações relativas à sexualidade , a forma de lidar com elas em casa, auxilia a criança a ter limites e a dar limites para outras pessoas ,sendo portanto algo que proporciona amadurecimento e prevenção na ocorrência de situações difíceis, dentre elas o abuso sexual.

 

A importância da figura paterna no bem-estar das crianças

Por Camila Trevisol Fernandes – CRP 07/23581

Através das mudanças sociais e culturais na nossa sociedade, e com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, se fazem necessárias novas configurações no âmbito familiar. Observam-se significativas transformações nas relações entre homens e mulheres, assim como, nos papéis conjugais e parentais.

O pai anteriormente exercia a exclusiva função de provedor, desempenhando essencialmente uma função disciplinadora, e na maioria das vezes, através de códigos rígidos e repressivos. Sua autoridade não era questionada e as regras estabelecidas eram impostas tanto para os filhos como para a esposa que, na qual, mantinha uma relação de dependência. A relação entre pai e filho era distante, havendo pouca interação e participação nos cuidados diários com a criança.

A interação com a figura paterna é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, facilitando a capacidade de aprendizagem e a interação social. Torna-se importante ressaltar que a figura do pai pode ser representada por outro adulto que participe ativamente da vida da criança e tenha um vínculo significativo com ela.

A presença do pai poderá facilitar à criança a passagem do mundo da família para o da sociedade.  O pai poderá auxiliá-lo no desenvolvimento da capacidade de se defender, de explorar o ambiente, de lidar com os sentimentos decorrentes de situações de vida e na afirmação de si. Com o pai próximo e presente podem sentir-se mais seguros em suas atividades, na tomada de iniciativas e nos vínculos ao longo da sua trajetória.

De outro modo, a ausência paterna pode gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento. Pode-se observar que os filhos carecem de apoio, segurança e de valores que espontaneamente cabe ao pai também transmitir. Os jovens procuram no seu pai um modelo com o qual possam se identificar, necessitando de limites bem estabelecidos e a afirmação da noção de certo e errado para o bom desenvolvimento pessoal.

Crianças que não possuem uma figura paterna com vínculo satisfatório podem apresentar problemas de identificação, dificuldades de desempenhar seus papéis e de aprender regras de convivência social. Isso mostra a importância da internalização de uma figura simbólica, capaz de representar a instância moral do indivíduo. Desse modo, a falta pode se manifestar de diversas maneiras, entre elas uma maior propensão para o envolvimento com a delinquência.

Quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no crescimento e na educação da criança, melhor são os sentimentos de satisfação com a vida e a relação que se estabelece com as pessoas. As crianças que tem um bom relacionamento apresentam um nível maior de autoestima, confiança interna, segurança em si mesma e em relação àqueles que a rodeiam. Além disso, conseguem desenvolver estruturas psíquicas suficientemente fortes e seguras para enfrentar as dificuldades da vida cotidiana.

O vazio promovido pela ausência paterna pode desencadear vários déficits no bem-estar das crianças, podendo experimentar sentimentos de desvalorização, raiva, tristeza, melancolia, agressividade e violência. A privação pode trazer consigo angústia, uma exagerada necessidade de amor, fortes sentimentos de vingança, culpa e depressão.

Por fim, considera-se que a função do pai na vida de um filho é tão fundamental quanto à presença da mãe, quando se pensa em um bom desenvolvimento socioemocional da criança. Atualmente através da reorganização dos papéis familiares, os pais podem estar mais próximos fisicamente e afetivamente dos seus filhos, podendo participar ativamente dos seus cuidados desde o seu nascimento.