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A pandemia do Covid 19 fazendo-nos questionar nossas inabaláveis verdades

Por Maíra Pigatto Kalil, Psicóloga – CRP 07/20814

Escolas fechadas, parques vazios, fábricas paradas e hospitais cheios. O Covid-19 chegou mostrando toda sua força, reforçando hábitos de higiene e obrigando a sociedade a enfrentar um atípico isolamento social pensando no bem coletivo.
Mas e agora, o que fazer com todo o tempo que sempre faltava e agora sobra demais?
O que fazer com todo o sentimento que transborda? O que fazer quando já não se tem mais pra onde fugir?
Como vai ser depois?
Épocas de incertezas e mudanças, nos obriga a olhar para dentro e perceber tudo o que está posto ali, perceber quem realmente somos, sem disfarces ou máscaras, para só assim conseguir olhar o outro de verdade.
É tempo de transformação, de se permitir.
É tempo de olhar para si para cuidar do outro!

Ser – Pai

Por Lucas Vijande Valladares, Psicólogo – CRP 07/23992

Venho aqui dirigir esse artigo exclusivamente para os pais, sejam eles: pais presentes, pais de primeira viagem, PAIdrastos, futuros pais e para os pais ausentes. Anuncio aqui uma conversa de psicólogo para pai.

A paternidade, caso muitos ainda não saibam, pode ser exercida por um cuidador, tio, irmão, avô; não necessariamente um pai biológico. Esse papel, além de ser exercido pelo sexo masculino, por diversas vezes, acaba sendo exercido também pelo sexo feminino, como por exemplo: uma mãe; mesmo não se fazendo presente a figura masculina.

Tenho certeza que todos que estão lendo este artigo carregam consigo uma imagem dessa figura, seja o próprio pai, assim como outra pessoa, desde que se tenha feito presente este cuidado, esta lembrança afetiva. Porém, aqui vão algumas más notícias. Infelizmente muitas famílias acabam sendo atingidas pela ausência desta figura, o pai. Seja por abandono, morte e até um simples descaso, onde a figura se faz presente fisicamente, porém ao se tratar de afetividade o mesmo se torna um completo ausente. Por incrível que pareça, isso é mais comum do que a gente possa imaginar.

Este que para mim é um dos fatores mais preocupantes, afinal, muitos não fazem ideia de como é receber o afeto desta figura, o que acaba invariavelmente trazendo um grande questionamento, principalmente ao se tratar de futuro: já que eu nunca tive pai, como eu vou ser um bom pai?

É exatamente aqui que contamos com o amor do próximo, este que é capaz de conseguir exercer este papel, através de amor, limites, cuidado, carinho, medos e receios. O amor paterno é sim muito importante, talvez para muitos seja algo insubstituível, porém com o passar do tempo vejo que ele pode ser até superado, mas infelizmente para muitos jamais será esquecido, seja por uma boa lembrança ou por uma lembrança que jamais existiu.Não nascemos pais, nos tornamos.

Talvez esse seja um ponto onde muitas vezes podemos nos perguntar, mas como podemos nos tornar?

Ser pai é: saber dividir, saber respeitar, ter a grandiosidade de errar, chorar, lembrar e conseguir através dos cuidados e principalmente do amor, cultivar afetos e conseguir construir juntos do mais simples ao mais complexo.

Acredito que é de grande importância ressaltar aqui o papel da psicoterapia, na qual pode colaborar diretamente com essas questões, desde incertezas, assim como lembranças que talvez sejam difíceis de serem relembradas, em função de inúmeros motivos. Saliento então a importância de conseguirmos relembrar para podermos reelaborar tanto situações positivas quanto situações muito mais delicadas. O mais interessante disso tudo, é que se trata de um trabalho construído e reconstruído numa dupla, terapeuta e paciente. Neste caso o psicólogo acaba sendo um facilitador durante este processo; capaz de colaborar com a escuta, assim como intervenções e técnicas que visam sempre o bem estar do paciente.

Espero que com este artigo, eu possa despertar um pouquinho mais do “pai” que somos capazes de construir ao longo de nossas vidas.

Terapia de Casal: Quando e porque buscar

Por Denise Helena Müller de Ávila, Psicóloga  – CRP 07/01582

Muitos casais relutam em buscar ajuda psicoterápica, entre outros motivos, por vergonha de expor suas dificuldades, por achar que ninguém pode ajudar, por não conhecer os benefícios que podem obter com este tipo de terapia.

Quando o casal  não se entende mais, quando não existe mais diálogo possível entre eles, quando o ciúme causa reações de raiva e intolerância e até violência, quando a infidelidade permeia a relação causando falta de confiança e levando a brigas constantes, quando o problema é a família de origem ou quando discordam sobre a educação dos filhos acarretando dificuldades com estes, quando o problema é na área sexual e/ou tantas outras situações que acabam afastando o casal, esfriando a relação e criando barreiras entre eles é o momento de buscar ajuda de um especialista em psicoterapia de casal.

O atendimento é feito ao casal e o terapeuta atua como um moderador, auxiliando na busca de solução do problema que está causando tanto sofrimento. É um momento de falar e também de ouvir o outro e pensar, refletir sobre o papel de cada um, sobre o que pode ou quer  fazer diferente, ou não. É um caminho para alcançar um conhecimento maior de si e do parceiro. Na terapia, cada membro do casal vai poder olhar para si e buscar entender como o seu comportamento afeta o outro e vice versa, propiciando que cada um se responsabilize pelos conflitos que vivenciam no vínculo.

O objetivo da terapia envolve o tipo e qualidade do vínculo, as expectativas e ideais de cada um, busca resgatar a comunicação, o afeto, a boa vida sexual, a vontade de continuar juntos. Mas também o casal pode concluir que a separação é o melhor pra eles.

Por preconceito ou medo, as pessoas acabam demorando pra buscar ajuda e muitas vezes chegam ao consultório com a relação tão desgastada que fica muito difícil resgatá-la. Quando isso acontece a terapia vai ajudar a que consigam fazer uma separação amigável, entendendo o que aconteceu de forma madura e, quem sabe, numa próxima relação, não incorrer nos mesmos erros.

Compulsão Alimentar

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377
Cada
vez mais recebemos nos nossos  consultórios pacientes com queixa de compulsão alimentar. Compulsão alimentar é uma doença em que a pessoa sente necessidade de comer, mesmo quando não está com fome, e que não deixa de se alimentar apesar de já estar satisfeito. Estas pessoas perdem o controle e ingerem grandes quantidades de alimentos. Estudos indicam que até 5% da população mundial sofre com algum distúrbio alimentar. A compulsão alimentar pode iniciar na infância e se estender ao longo da vida.

 Características desta compulsão são comer mais do que é preciso, a todo tempo, comer até passar mal, comer especialmente o que engorda como frituras, massas, doces e sentir-se triste depois de comer são alguns sintomas da compulsão alimentar, mas o principal é o comer quando sente-se ansioso, triste ou alegre.

  Muito fatores são associados a compulsão alimentar, o aspecto emocional serve muitas vezes de gatilho, dificuldades de suportar situações de frustração, angustia, perdas a comida entra como uma compensação. Problemas com a imagem corporal e baixa autoestima têm ligação direta com o descontrole em comer. Afinal, pessoas com compulsão alimentar normalmente não gostam de sua aparência. Elas constantemente acham que deveriam comer menos, mesmo que não consigam fazer algo a respeito disso.

  A compulsão alimentar pode estar encobrindo outras doenças como: depressão, ansiedade, transtornos alimentares como anorexia e bulimia. A comida serve muitas vezes para saciar dores emocionais e estas pessoas associam o alimento a uma tentativa de preencher um vazio em si, de forma inconsciente ou não.

  Por isto e muito importante ficar atento na relação com a comida e os aspectos emocionais. A psicoterapia auxilia o individuo a descobrir suas lacunas emocionais, entender melhor seus sentimentos e qual a relação que o excesso de comida tem com as emoções. A recuperação da compulsão alimentar inicia-se na identificação dos principais fatores psicológicos que desencadeiam o comportamento impulsivo e a perda do controle em comer.

O que está nos comunicando o desafio da rasteira?

Pelas Psicólogas Juliana Minuzzi Bergamaschi – CRP 07/21747 e Patrícia Crystobal Martins – CRP 07/21765 – Unidade Teresópolis

Diante dos últimos acontecimentos referente ao desafio da rasteira propomos uma reflexão a respeito dos motivos e intenções que levam os jovens a realizarem uma brincadeira de cunho agressivo. O desafio da rasteira, também conhecido nas redes como quebra-crânio e roleta humana, consiste em dois jovens se posicionarem ao lado de um colega, este é orientado a pular e recebe o golpe. A pessoa acaba caindo e batendo a cabeça no chão. O adolescente nesta etapa evolutiva da vida não tem total dimensão do que pode acarretar determinados comportamentos. Desta forma, tende a ver e compreendera vida como uma possível disputa, em que necessitam ser olhados, reconhecidos e valorizados, mesmo em decorrência do sofrimento do outro. O que torna legal e interessante o desafio é justamente colocar o outro no papel de bobo enquanto quem faz a brincadeira está em uma posição de destaque e liderança.

É na adolescência que o indivíduo está em busca da sua identidade, na qual há uma necessidade de autoafirmação, de pertencimento a um grupo ou um estilo e para tanto se utiliza da experimentação de maneira saudável ou através de comportamentos de risco. Aquilo que muitas vezes é considerado brincadeira, piada, ou palhaçada pode resultar em consequências, a noção do que é certo e errado ainda está em desenvolvimento. Visto que o adolescente não mede esforços para chamar atenção,deixando o desejo acima da realidade. Realidade essa, que é construída no educar. Que se dá a partir de um papel ativo dos pais para com este adolescente propiciando um ambiente de cuidado, diálogo, afeto e respeito. Permitindo ao jovem um espaço para o crescimento, bem como, com responsabilidade em relação a si e ao outro.

Na psicologia entendemos que neste desafio da rasteira há uma comunicação não verbal que pode sinalizarum desejo de ser olhado, um pedido de ajuda, e até mesmo uma busca por limites com o intuito de sentirem-se seguros e amparados. Sendo assim, pensamos ser importante que a rede de apoio (família e escola) valorize tais manifestações, acolhendo e propiciando um espaço de escuta e orientação. A psicoterapia para adolescentes é uma excelente ferramenta no auxilio dessas questões, pois ajuda no autoconhecimento, proporciona um espaço livre de julgamento ou crítica. Instiga o pensar, fazendo com que o adolescente compreenda com clareza seus comportamentos e atitudes, o que os leva a agirem de tal forma e sobre tudo como estes impactam no outro.

Como seguir em frente?

Por Maira Noroefe – Psicóloga, CRP 07/13825
Diariamente a vida nos coloca diante de situações as quais, se pudéssemos escolher, jamais viveríamos. A perda de um amor,
decepção com uma pessoa, a perda de um emprego muito importante, expectativas frustradas, são pequenos exemplos de dores muito grandes e intensas. O coração aperta, o peito doe, desaparece o apetite, o sono e, por vezes, a vontade de seguir em frente. Parece que já não há mais sentido nos planos uma vez traçados.

A tendência é que se tenha sentimentos e sensações muito ruins: sentir-se fraco, vulnerável, culpado, injustiçado, com raiva ou sozinho são emoções muito comuns de virem à tona quando nada está bem. Mas a realidade pode ser diferente do que todas essas sensações nos falam. A verdade é que a grande maioria das feridas são possíveis de serem tratadas e sanadas. Entretanto, esse é um processo que sem dúvida, custa! Custa tempo, custa dedicação, custo esforço. Custa percorrer um caminho que nunca trilhou e isso implica em fazer as coisas do jeito que nunca fizera antes.

Em geral, momentos de crises são sempre momentos de oportunidade também. Agir com calma e parcimônia são fundamentais para (re)começar. Este talvez seja o momento de investir muita energia em coisas que trarão benefícios tanto físicos como emocionais. Leva tempo, demora, mas o tempo vai passar de qualquer maneira.

Permita-se tentar. Peça ajuda e acredite, com esforço, dedicação e tempo é possível cicatrizar nossas feridas. Apaziguar o coração. É preciso também cuidar da saúde emocional. Cada vida traz uma história e cada pessoa precisa entender qual é a sua história, por quais motivos as coisas que acontecem nela, acontece assim? O caminho do autoconhecimento é tão precioso porque ele nos torna capazes de sermos mais fortes, abre mais possibilidades em como enfrentar a vida e talvez contribua para que melhores escolhas aconteçam. 

Bullying, afinal isso existe?

Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

Apesar de esse termo ser muito falado na mídia, ainda é comum desconhecimento tanto da comunidade escolar quanto dos pais sobre o assunto. Muito escutamos a frase que “fulano está sofrendo bulling na escola”, ou “esses assassinatos na escola foi porque o aluno sofreu bulling!”, e em seguida “no meu tempo isso não exista”, “isso é falta de laço”…, mas, afinal o que é o “bulling”?

Bulling é a situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou física, podendo ser inclusive online, de maneira repetitiva, por um colega ou um grupo contra outro colega. O termo tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão. Mesmo sem uma tradução literal para o português, o termo bulling é usado para designar uma situação de ameaça, humilhação, tirania, intimidação e maltrato. O apelido inofensivo pode afetar emocionalmente, e provocar além de afastamento, queda no rendimento escolar, doenças psicossomáticas (alergias, tosse, dores musculares, enxaqueca), e influenciar a formação da personalidade, em casos mais extremos, levando ao homicídio ou suicídio.

O bulling inicia sempre com um agente causador , ou seja, a pessoa que provoca o desconforto, que cria o apelido, o deboche. Habitualmente, esse busca auto afirmação, quer ser popular, precisa da aprovação e de uma boa imagem de si. Precisa da satisfação de ver o outro humilhado e assim se sentir poderoso. É alguém que não conseguiu aprender a transformar sua raiva em diálogo e a opressão O satisfaz.

Nas escolas essas situações são muito facilmente observadas, e cabe a comunidade escolar diferenciar uma brincadeira de uma situação de bulling. Não é qualquer desentendimento ou apelido que precisa de intervenção de um adulto, muitas situações fazem parte do desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Algumas dicas para trabalhar com crianças e adolescentes a prevenção do bulling:

*incentivar a solidariedade, a generosidade, o respeito as diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e a tolerância, atividades de cooperação, interpretação de diferentes papeis em simulações de conflitos. Lanches coletivos, atividades em grupos, gincanas colaborativas, são algumas alternativas.

*desenvolver um espaço-tempo em sala de aula para a comunicação entre os alunos

*estimular que todos estejam atentos e comuniquem qualquer situação de constrangimento percebidas dentro do ambiente escolar

Os professores devem sempre lembrar que são fundamentais  na formação emocional de crianças e adolescentes, e pode ser o agente transformador numa situação de bulling. Estimular apenas que uma briga encerre não auxilia no processo de construção. Incentivar a paz sem diálogo não ajuda na prevenção ou solução do bulling , pois pode favorecer o senso de injustiça. Não ensina como solucionar o conflito, não oferece alternativas construtivas, não oferta espaço para o diálogo. Uma sugestão é buscar trazer a situação para a turma, convidando todos a opinar, de forma orientada, e construírem novas saídas para o conflito.

A Clínica Equilíbrio – Centro de Psicoterapia oferece acompanhamento psicológico individual e familiar para as crianças e adolescentes com profissionais altamente qualificados, atentos as etapas evolutivas de cada indivíduo. Nossos profissionais estão aptos a entender todas as formas de comunicação, entre jogos e brincadeiras e oferecemos também avaliação psicodiagnóstica.

Precisamos falar sobre: limites!

Por Camila Trevisol Fernandes, Psicóloga – CRP 07/23581

A infância e a adolescência é um momento crucial para o desenvolvimento da personalidade. Ela se estrutura e se molda essencialmente no meio familiar, na relação com os pais, na educação e nos valores que lhe são ensinados.

No passado, a educação era muito rígida, a relação entre pais e filhos era distante, composta muitas vezes por limites severos e castigos corporais.  Com as mudanças na sociedade e na estruturação na família, encontramos hoje uma na grande dificuldade dos pais de encontrarem um equilíbrio na imposição de limites na educação dos filhos.

Acredita-se que tanto o excesso, quanto a falta de limites, implicam em danos no desenvolvimento psíquico das crianças. Quando esses limites se tornam imposições e exigências narcísicas dos pais, desconsiderando as necessidades genuínas das crianças, elas podem se tornar adultos inseguros e dependentes de sua aprovação.

Por outro lado, quando não há espaço para as frustrações, algumas crianças podem acreditar que os outros devem atender a todas as suas vontades ignorando, portanto, as necessidades e a autonomia dos outros. A frustração, em boa medida, possibilita ao indivíduo entrar em contato com a realidade e com as consequências de suas ações, permitindo maior aprendizagem, experiência e valorização sobre as coisas da vida.

Na educação dos filhos, os pais podem experimentar muitas dúvidas e sentimentos de culpa, contribuindo para as dificuldades na construção de limites na atualidade. Através da infância dos seus filhos, os pais são influenciados pelos seus próprios conflitos internos, sendo muitas vezes aterrorizados pelas suas “falhas”, procurando compensar com condutas permissivas acreditando tornar a criança mais feliz. Porém, pelo contrário, o não estabelecimento de regras claras, deixam as crianças inseguras, desprotegidas e angustiadas, precisando dar vazão a esses sentimentos no relacionamento com o outro.

O excesso de liberdade rompe com uma relação positiva entre pais e filhos. Os pais devem ser vistos como figuras de autoridade que estão ali para educar e apoiar com firmeza e confiança diante das problemáticas que os filhos enfrentam, e não somente como os seus melhores amigos, pois estes, os filhos irão buscá-los no decorrer de suas vidas.

Por fim, embora seja uma tarefa complexa, a formação de limites dentro do âmbito familiar deve ser percebida como um processo de desenvolvimento que envolve compreensão, diálogo e respeito entre seus membros. Através disso, são transmitidos valores éticos consistentes capazes de fazer com que a criança e o adolescente ajustem seus comportamentos às exigências da vida em grupo, caso contrário, a sociedade se encarregará disso.

A escola solicitou um psicodiagnóstico, o que é isso?

Por Carolina Rodrigues Azevedo, Psicóloga – CRP 07/19699

O psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica clínica que objetiva, principalmente, conhecer o paciente de modo integral e dinâmico. Compreende-se que tanto os aspectos cognitivos, emocionais e afetivos estão interligados e se influenciam mutuamente em seu funcionamento psíquico. O psicodiagnóstico visa avaliar tanto as dificuldades quanto as potencialidades do indivíduo. Além disso, busca analisar também sua estrutura de personalidade, aspectos do desenvolvimento global, o modo com que lida com seus sentimentos e pensamentos, com o ambiente ao seu redor e como estabelece e mantém seus relacionamentos sociais.
Grande parte dos encaminhamentos atuais para este processo vem das demandas escolares. Porém, porque surgem estas demandas?
Os professores, psicólogos ou outros profissionais da escola podem identificar dificuldades de aprendizagem nos seus alunos e, por meio da avaliação psicológica, procuram investigar se estes sinais e sintomas se originam de questões cognitivas (como a inteligência, atenção, concentração, memória…) e/ou emocionais (como sentimentos que surgem em decorrência de vivências de lutos, separações, eventos traumáticos ou mal elaborados psicologicamente…). Outros casos costumam se apresentar por meio de dificuldades de comportamento, tais como agitação em sala de aula, condutas agressivas, opositoras e outros impasses nas relações com colegas e professores.
O psicodiagnóstico pode ser ainda solicitado por profissionais como pediatras, neurologistas, pedagogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos e outros que acompanham os alunos. Por meio desta avaliação eles podem buscar confirmar uma hipótese diagnóstica ou realizar um diagnóstico diferencial para complementar seus tratamentos.
A duração do psicodiagnóstico é limitado no tempo, ficando geralmente na faixa de oito sessões. Ao final deste trabalho, é realizada uma entrevista devolutiva com o paciente e com seus responsáveis, a fim de conversar sobre os resultados da avaliação e futuros encaminhamentos. Posteriormente, sendo acordado com estes últimos, busca-se um contato com a escola a fim de alinhar informações e fornecer orientações para auxílio em seu percurso educacional

Síndrome de Burnout e a relação com o trabalho nosso de cada dia

Por Larissa Mendonça Lütkemeyer – Psicóloga,  CRP 07/16189

A relação do homem com o trabalho, desde a revolução industrial, vem se intensificando cada vez mais. Em 1936, Charles Chaplin já retratava essa relação no clássico “Tempos Modernos”. No filme, o personagem de Chaplin adoece devido à exaustão ocasionada pelo excesso de trabalho em circunstâncias que não levavam em consideração suas condições físicas ou psicológicas.A exigência do melhor desempenho no menor tempo possível e a pressão pelo resultado já se faziam presentes.

Muitos anos se passaram desde então. Mas como será que nos relacionamos com o trabalho nos dias de hoje?Quantas horas do nosso dia dedicamos ao nosso emprego ou ocupação? E em que condições (físicas e psicológicas) realizamos o nosso trabalho? Você já pensou sobre isso?

A exigência social por desempenho e resultado segue muito em alta. O uso do celular, da internet e das redes sociais diminuiu muito as fronteiras entre a vida pessoal e a vida profissional. Com a possibilidade de estarmos 24 horas conectados com o mundo, não é incomum vermos alguém respondendo mensagens de trabalho muito além do seu horário de expediente. Isso, muitas vezes, pode fazer com que não consigamos desligar a mente dos afazeres relacionados às obrigações laborais e, assim, vamos aumentando o número de horas dedicadas ao trabalho e, consequentemente, diminuindo as horas disponíveis para outras atividades: de lazer, de descanso e de interação social.

Cada um de nós tem o seu limite pessoal e particular do que é aceitável ou inaceitável, do que faz bem ou mal para si, e reage de uma forma ao transpor esse limiar. Ultrapassar seus limites, dizendo sim quando deveria dizer não, trabalhando muito, dormindo pouco, alimentando-se mal, tendo pouca interação social e poucos momentos de lazer, pode levar a uma sobrecarga física e psíquica que pode resultar, literalmente, num transtorno: a Síndrome de Burnout (burnout em inglês significa queimar-se por completo ou esgotamento).

Em 1974, o psicanalista alemão Herbert Freudenberger criou o termo “burnout” para descrever os sintomas que ele mesmo sofria. Foi a primeira descrição da Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, caracterizada pelo estado de tensão emocional e estresse crônico provocados por condições de trabalho desgastantes. Em 1999, o Ministério da Saúde brasileiro incluiu o burnout na lista de doenças relacionadas ao trabalho e, no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) atual, ele está relacionado aos transtornos mentais e do comportamento relacionados com o trabalho.*

Na prática, quem sofre dessa síndrome refere um esgotamento físico e mental, uma exaustão, um cansaço que não passa com folgas, férias ou atestados médicos, uma sensação de esvaziamento, de ter passado dos limites e não ter recursos físicos ou emocionais para sair dessa condição, falta de perspectivas e sensação de ineficácia. Além disso, dificuldades de concentração, dores de cabeça e musculares, alteração dos batimentos cardíacos, problemas gastrointestinais, insônia, alterações do apetite, alterações repentinas de humor, isolamento, negatividade, desesperança, sentimentos de fracasso, incompetência e insegurança, são outros sintomas também relacionados. Eles podem surgir de forma leve, mas tendem a piorar com o passar dos dias.

Profissionais que trabalham longe da família, lidam com situações estressantes e de perigo ou têm o rendimento avaliado por produtividade são os que têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Não por acaso, alguns dos profissionais que mais sofrem com esse problema são agentes da segurança, controladores de voo, profissionais da saúde, bancários, executivos, professores, jornalistas, motoristas de ônibus, atendentes de telemarketing, entre outros. Além da sobrecarga ou frustração com o trabalho, características como perfeccionismo, necessidade de se mostrar indispensável e ser reconhecido por seus feitos para se sentir satisfeito, podem também aumentar o perigo para desenvolver o problema.

Se você se identifica com alguns desses sintomas, é preciso procurar um psicólogo ou um psiquiatra e relatar o seu sofrimento com detalhes.Assim, o profissional poderá fazer o diagnóstico e, a partir daí, promover o tratamento adequado: com psicoterapia e, se necessário, medicação para controlar os sintomas, quando muito intensos. Na psicoterapia encontramos acolhimento e a possibilidade de conhecer melhor nossos limites e jeitos de encarar e reagir ao trabalho e à vida em geral. Isso permitirá adquirir uma sensibilidade para perceber o problema e criar estratégias para não cruzar essa fronteira novamente, podendo, então,traçar novos planos para o futuro.

Trabalhar para viver e não viver para trabalhar, ter uma vida saudável, permitindo-se ter hobbies, momentos de lazer e interação com família e amigos, são atitudes importantes para modificar a relação com o trabalho e minimizar o impacto negativo que ele pode ter na sua vida. Além disso, aprender a perdoar seus erros e impor alguns limites para si mesmo e para os outros também é fundamental.

*Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde do Brasil (OPAS Brasil), a partir de 2022, estará incluído no CID-11 como um fenômeno ocupacional, com a seguinte definição: “Burnout é uma síndrome conceituada como resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. É caracterizada por três dimensões: sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia; aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e redução da eficácia profissional”.

Fontes: Organização Pan-Americana de Saúde do Brasil (OPAS Brasil), Ministério da Saúde, Revista Saúde, PEBMED.