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DEPOIS EU FAÇO! DEIXANDO A VIDA PARA DEPOIS!

​Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

Procrastinação é o adiamento de uma ação. Torna-se um problema quando impede o funcionamento normal da vida das pessoas. As causas variam muito, mas geralmente envolvem ansiedade, baixa estima, mentalidade destrutiva e sabotadora.

O adiamento acontece em função da idealização. As pessoas vivem baseadas em sonhos e desejos de realização e perfeição. Não conseguem realizar uma apreciação realista de seu momento de vida, suas obrigações, habilidades e dificuldades. Existe um grande temor em não conseguir ou não ser aprovado e valorizado, uma crença de que já está condenado ao insucesso. Então nem adiante tentar! Aparece também a ideia de que “amanhã estarei melhor, então eu faço!” Enquanto não se termina algo é possível imaginar a perfeição. Na prática somos falhos e temos que lidar com a realidade. Precisamos lidar com as frustrações e incapacidades. Muitas pessoas evitam esta tarefa.

A procrastinação geralmente vem associada a outros transtornos mentais como depressão, fobias, TDAH, dislexia e TOC, entre outros. Geralmente encontramos na família um padrão autoritário de parentalidade. A criança tende a se adaptar a este modelo na tentativa de ser mais assertivo e receber menos punições e/ou críticas. Passa a reprimir impulsos e desejos. Insegura e desconfiada, não reconhece suas potencialidades e vai perdendo seu potencial de ação. O medo de não fazer as escolhas certas ou sentir e pensar em não ter condições é o combustível perfeito para procrastinação.

Constantemente dizemos que “não estamos preparados e deixamos a tarefa para depois!” Nunca estaremos totalmente preparados! Sempre haverá coisas novas para descobrir e aprender, novas habilidades a desenvolver, incapacidades para aceitar. Tentar tornar-se perfeito para então assumir as tarefas é uma sabotagem! Muitas vezes a vida exige outras providências, mais rápidas e imediatas no desenrolar da situação. Exige confiança! Muitas vezes a pessoa vive cultivando uma fantasia , esperando algo ideal. Em igual proporção, inevitavelmente aparece a frustração.

A vida vai tornando-se vazia e empobrecida. Nos extremos da idealização e frustração “aparece a paralisia.” Não posso fazer porque não acontece perfeitamente! Não posso fazer porque sei que dará errado! Para evitar o vazio, vive imaginando, potenciais obras primas que nunca se realizam. Este funcionamento pode ser debilitante e um campo fértil para o desenvolvimento de patologias psiquiátricas mais graves como citado acima.

O tratamento envolve psicoterapia, associado a possível uso de medicamentos, objetivando a superação dos conflitos relacionados a este funcionamento, melhora da auto estima, superação da insegurança e desenvolvimento de habilidades e atividades.

Acumuladores Compulsivos

Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

A acumulação compulsiva é um distúrbio psicológico que consiste na aquisição ou recolha de objetos e o impedimento de se livrar deles, mesmo se forem inúteis ou não cumprirem nenhum propósito prático, objetos estes muitas vezes já deixados no lixo por outras pessoas.

Os acumuladores compulsivos são caracterizados por sentirem muita dificuldade de se desfazer de seus bens materiais. Criam vínculos emocionais com os objetos, semelhantes ao que a maioria das pessoas experimenta com outras pessoas e esta é a principal razão pela qual não conseguem simplesmente jogá-los fora. O desprendimento material causa angústia, dor e até mesmo remorso.

O comportamento de acumulação compulsiva geralmente causa, para a pessoa que sofre da doença e para membros da família, prejuízo emocional, social, financeiro, físico e até mesmo legal, pois muitas vezes o estado precisa intervir, tamanha a insalubridade que a pessoa vive e os riscos desta condição para si e para quem esta nos arredores.

Por trás desta doença, habitam sentimentos como a ansiedade, o medo, humor deprimido, o arrependimento e a frustração, entre vários outros. A doença funciona como uma mórbida auto compensação de algo que aflige o doente. E vai evoluindo e piorando com o tempo e, em geral, as pessoas não conseguem identificar quando começaram os primeiros sintomas. Também em sua maioria são pessoas de meia idade ou idosos. Outro fato importante é diferenciar o acumulador do colecionador, este último normalmente seleciona um tipo de objeto e o faz por hobby, não causando prejuízos a sua vida social.

O acumulador não considera que é apegado aqueles objetos, porém ele tem uma dúvida patológica que é: “e se um dia eu precisar? ”, por isso a dificuldade de se desfazer dos itens.

Quem sofre deste transtorno começa a ter um prejuízo familiar e funcional, ao passo que o acúmulo de objetos pode vir a ocupar cômodos inteiros, fazendo com que a pessoa tenha que sair do próprio quarto e dormir na sala por falta de espaço, por exemplo.

Sinais importantes que indicam acumulação compulsiva

  • Recolhem objetos que os vizinhos não querem mais;
  • Não têm capacidade de usar a casa para a finalidade pretendida (cozinha para cozinhar, banheiro para higiene pessoal e quarto somente para dormir);
  • Amontoam objetos de valores juntos com sucatas;
  • Jornais e revistas estão empilhados pela casa.

A acumulação pode ocorrer em diferentes níveis e de tipos específicos, algumas pessoas acumulam animais. Este tipo de acumulador é  mais difícil de convencera fazer um tratamento, por ele não sentir que exista qualquer aspecto de doença em estabelecer vínculos emocionais com os animais. E é claro que o problema está no uso que se faz, a serviço do que está essa quantidade enorme de animais.

É importante os familiares detectarem que o acumulador necessita se desfazer daqueles objetos por já estarem atrapalhando a vida funcional daquele indivíduo, busquem auxílio em clinicas especializadas em saúde mental. É necessário preparara pessoa antes de tentar retirar os objetos de qualquer maneira, pois ela pode se sentir muito mal, não suportar a situação e até mesmo ter uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico, tornando-se por vezes agressivo.

É sabido que psicoterapia e medicamentos auxiliam na diminuição dos sintomas  (ansiedade, por exemplo)e, assim como qualquer tipo de transtorno, a não manutenção do tratamento pode levar à uma recaída. Durante o tratamento a pessoa passa por algumas transformações comportamentais emocionais e psíquicas que possibilitam uma melhora do quadro e possível cura. Porém, quando se abandona essa postura vinculada ao tratamento ou sob um evento estressante ou angustiante, esse sujeito pode retornar ao antigo quadro. Talvez, assim, todos possam conviver de forma melhor e longe do fantasma do acúmulo.

 

 

 

Relacionamento entre irmãos

Por Carolina Fernandes de Abreu Marques, Psicóloga – CRP 07/11647 

Um dos maiores desejos de um casal que se une em casamento é construir uma linda e unida família. Sendo assim, a chegada dos filhos é sempre um momento especial, envolto de muita magia e expectativa.

Muitos casais planejam e buscam ansiosamente ter mais de um filho; geralmente por esperarem que estes sejam amigos e parceiros por toda a vida e principalmente quando eles, os pais, já não estiverem mais vivos.

E quando isso não ocorre? E quando mesmo sendo parceiros e amigos, os irmãos brigam e discutem? Esse passa a ser um momento de grandes conflitos entre as famílias e principalmente entre o casal de pais. O que fazer? Como manter os filhos unidos e fortalecidos em seus laços fraternos?

É importante frisar que todos os irmãos brigam e isto não necessariamente é algo negativo. É entre irmãos que começamos a aprender o processo de dividir e emprestar, por exemplo. Logo na chegada do irmão, o filho mais velho já aprende que precisará dividir a atenção com o recém-chegado e isso pode gerar medo, insegurança, incerteza e a assustadora rivalidade.

Quando os pais e demais familiares não conseguem entender, aceitar e ajudar o filho mais velho a compreender que esses sentimentos são naturais e aos poucos tendem a se “acomodar”, a criança pode apresentar muita culpa e até sintomas de depressão e maiores dificuldades na vida adulta por conta de auto-boicotes e dificuldades de lidar com seus sentimentos.

Outro ponto importante a ser observado é não anular ou invalidar a individualidade de cada filho. Cada indivíduo é único e, mesmo sendo membro da mesma família, terá suas características próprias e particularidades e estas devem ser respeitadas e reverenciadas, quando necessário. É comum por uma questão de identificação e até por aspectos transgeracionais, os pais terem mais afinidade ou se identificarem mais com um filho do que com outro; porém isso não pode ser motivo para que não se reconheça a personalidade do outro ou até mesmo deixe de se posicionar ou impor os limites necessários àquele filho com que tem mais “proximidade”.

Contudo, o que se mostra sempre eficiente para o bom relacionamento entre irmãos são os modelos, principalmente os de pai e mãe. Pais que se respeitam e se tratam com educação, demonstram que é possível resolver conflitos e rivalidades com respeito e afeto.

Relações Abusivas

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

Relações abusivas são aquelas onde predomina o excesso de poder sobre o outro. Normalmente são relações com ciúmes exagerado, agressividade, possessividade, controle e manipulação. Este tipo de relação pode ocorrer em diferentes contextos como: amizades, trabalho, família, mas. na grande maioria dos casos, ocorre nos relacionamentos amorosos. Aqui vamos focar nos relacionamentos abusivos amorosos.

Sempre que pensamos em relações abusivas vem à mente questões de agressividade física ou sexual, mas não necessariamente acontece desta forma.  A violência emocional é uma forma de relação abusiva que deixa marcas na psique da pessoa.

No Brasil mais de 12 mil mulheres sofrem algum tipo de violência. A grande sofre caladas, seja por medo, culpa, vergonha de se expor ou dependência financeira do parceiro.

Geralmente o perfil das pessoas que sofrem abuso é: de baixa auto-estima, falta de confiança em si mesmo, pessoas que passaram ou vivenciaram algum tipo de violência na família de origem.  Do outro lado temos pessoas com perfil de manipulação, controle e alto grau de perversidade.

Como na grande maioria das vezes o abuso é velado, muitas pessoas tem dificuldade em reconhecer que esta num relacionamento abusivo. Importante ficar atento a estes sinais: relações abusivas normalmente vem com muita desqualificação e humilhação; ataque a sua percepção da realidade; ciúmes exagerado, possessividade e controle; pessoas abusivas não reagem bem as conquistas do parceiro e não gostam que você socialize com outras pessoas; agressões físicas e psicológicas.

Se você esta em um relacionamento abusivo ou conhece alguém é importante buscar ajuda. A pessoa precisa estar disposta a entender o porque busca ou se mantém neste tipo de relação. Nestes casos é muito indicado a psicoterapia individual que é uma poderosa aliada no processo de redescoberta, readaptação e auto-conhecimento.

As Festas de Fim de Ano e o Risco de Suicídio

Por Fernanda Thones Mende, Psicóloga – CRP 07/1378

As festividades de fim de ano trazem consigo os símbolos da paz, da reconciliação, do amor ao próximo e a sensação implícita da “felicidade”. No entanto, nem sempre chegamos nessa fase carregados de bons sentimentos e iluminados como as luzes de Natal. E é por isso que não apenas em Setembro, mas ao longo do ano, necessitamos refletir sobre os riscos de suicídio. E não somente o suicídio executado, mas tudo aquilo que carrega a ideia deliberada de dar fim à vida humana, pois neste caso estamos falando de um conjunto de fatores que carecem solução, pois se trata de um grave problema de saúde pública. Querer tirar a própria vida não é normal, mas sim um sintoma que precisa ser tratamento.

O Brasil está entre os 28 países, de um universo de mais de 160 analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que possui estratégia de prevenção ao suicídio, oferecendo atenção integral em saúde para os casos de tentativa, no entanto, as campanhas envolvendo esse tema devem ser cada vez mais acessíveis a fim de termos resultados cada vez mais eficazes.

Segundo o perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil na rede de atenção à saúde, o suicídio é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do mundo. Estima-se que, anualmente mais de 800 mil pessoas morrem no mundo por suicídio e, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se, em 2012, a 15 causa de mortalidade na população geral; entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte. Busca-se que em 2020, possamos reduzir em 10% essas estatísticas alarmantes, mas sem um trabalho intenso de conscientização podemos aumentar esses valores para mais 50%.

Embora com um cenário desses, o suicídio pode ser prevenido e é por esse motivo que o alerta faz toda a diferença. Sabe-se que o fenômeno do suicídio é complexo, influenciado por vários fatores e que, generalizações de fatores de risco, são contraproducentes. A partir de uma análise contextual é possível compreender situações de maior risco, entre elas ter acesso aos meios letais, apresentar dificuldade em lidar com estresses agudos ou crônicos da vida, sofrer violência baseada em gênero, abuso infantil ou discriminação. O estigma em relação ao tema do suicídio impede a procura de ajuda, que pode evitar mortes. Da mesma forma, sabe-se que falar de forma responsável sobre o fenômeno do suicídio opera muito mais como um fator de prevenção do que como fator de risco, podendo, inclusive, se contrapor a suas causas.

Existe muita confusão a respeito do tema, e a fantasia de que aquele que se suicida teria certo “livre arbítrio”. Essa ideia desadaptada cai por terra no momento em que evidenciamos 90% dos casos de suicídio associados a distúrbios mentais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Com o transtornos de humor, entre os quais se destaca a depressão, que representam o diagnóstico mais frequente nesses casos, presente em 36% das vítimas. Também estão relacionados ao problema a dependência de álcool (em 23% dos casos), esquizofrenia (14%) e transtornos de personalidade (10%).

Um transtorno mental acaba alterando a percepção da realidade e por isso torna-se um fator de risco bastante determinante nesse desfecho. Muitas dessas pessoas nunca buscaram tratamento psicológico e ou psiquiátrico, ou se receberam um diagnóstico não trataram como deveria.  A partir dos dados da OMS, apenas 3,2% dos casos não foi possível identificar um diagnóstico preciso entre as vítimas. Daí destaca-se a importância de um tratamento contínuo por parte do paciente que garanta um equilíbrio preventivo na manutenção dessa saúde mental.

Sabe-se que de uma pessoa que morre por suicídio numa população de 100 habitantes, 17 pensaram, 5 planejaram e 3 tentaram suicidar-se. Por esta razão precisa-se estar atento as pessoas que estão a nossa volta, aquelas que sentem dores crônicas, que falam que são um peso para as outras, que parecem ter desistido de tudo e de si, acolhendo-as sem julgamento. Assim como já se aprendeu a prevenir doenças cardíacas, doenças oftalmológicas, precisa-se estar atento para a dimensão muitas vezes minimizada das doenças psiquiátricas. Levar a sério um apelo torna-se um meio de garantir a saúde mental de alguém. A maior parte das pessoas que falaram em terminar com suas próprias vidas suicidaram-se. Nem sempre uma tentativa de suicídio é um desejo de chamar atenção, pelo contrário aumenta de 5 a 6 vezes o risco de suicídio.

A desesperança, a impulsividade e o desespero, são combinações letais e comportamentos novos em alguém que conhecemos bem, deve ser um ponto a ser observado. Principalmente se envolvem abuso de substâncias químicas e obstinações por vingança. Nesses casos, retirar meios letais de perto dessas pessoas e encaminha-las para uma consulta psicológica e psiquiátrica, ou emergência em casos extremos, podem salvar uma vida.

Nessas datas festivas, mais do que iluminar as casas e árvores de Natal a nossa volta, iluminar nosso interior, poderá fazer toda a diferença! Contar com o suporte profissional sem preconceitos pode reverter de vez uma situação grave como essa. Principalmente se estamos enlutados, com sentimentos comuns de culpa e raiva da perda, numa época assim. Não hesite, dê para você o melhor presente neste Natal, encontre o seu equilíbrio e tenha sua saúde mental em dia.

Sobre a busca por soluções mágicas no mundo contemporâneo e a psicoterapia psicanalítica

Por Letícia Schmitz, Psicóloga – CRP 07/18830

Quem procura um tratamento psicoterápico em busca de ajuda para alívio de sofrimento, entendimento de alguma situação, muitas vezes se encontra frente a um psicólogo pela primeira vez na vida. É comum a pessoa não saber por onde começar a explorar as situações, o que contar ao profissional, ficar um pouco perdido neste início. Geralmente, o psicoterapeuta precisa explicar à pessoa que busca a psicoterapia, como se dá este trabalho, baseado em uma teoria e uma técnica, que aqui, neste artigo, abordarei através do olhar da psicanálise.

Costumo mostrar, sempre que possível, que esta é uma tarefa feita em conjunto, através da dupla, um trabalho feito a dois por quem busca por ajuda e quem se dispõe a ajudar e que, se uma das partes não está disposta, ficará gravemente prejudicado. Resistências inconscientes fazem parte deste processo e são esperadas que apareçam, afinal Freud já nos apontava que estes bloqueios irão acontecer.

No entanto, me refiro aqui, ao quanto as pessoas estão em busca por respostas rápidas e soluções mágicas no mundo contemporâneo. É notável que hoje muitos não apresentam certa paciência para investir tempo e se dedicar ao autoconhecimento, ao entendimento de seus conflitos e como melhorar alguns pontos de sua vida. Apenas desejam que seus problemas sejam solucionados o mais brevemente possível, e de preferência, sem muito esforço.

Para que este trabalho de psicoterapia seja satisfatório, é necessário que a pessoa que busca este serviço esteja disposta, motivada a encarar pontos que, até aquele momento, estavam encobertos, estavam sendo negados. Entende-se que para fazer este mergulho para dentro de si mesmo, no qual é visto o trabalho de uma psicoterapia psicanalítica, o desejo de encontrar as suas verdades esteja presente.

Tenho percebido, cada vez mais, que as pessoas esperam que o profissional dê respostas prontas, diga o que fazer em determinadas situações, diga em pouco tempo o que a pessoa tem e como ela pode melhorar. O que está se apresentando são dificuldades em se deparar, de verdade, com o que está acontecendo em suas vidas, pensar a respeito dos motivos que as fizeram buscar um tratamento psicoterápico. Muitas destas respostas estão dentro do paciente, mesmo que ele não saiba. E é justamente aí que entra a importância da psicoterapia e o quanto ela pode ajudar.

No entanto, para que estas respostas sejam encontradas, se faz necessário o auxílio do profissional com este olhar diferenciado, com uma escuta empática, que este caminho à melhora será trilhado. Apesar de a trajetória de descobertas ser realizada em conjunto com profissional, é imprescindível que a pessoa deseje compreender melhor a si mesmo e não apenas busque um entendimento pronto, que pode até auxiliar em um primeiro momento, aplacando ansiedades momentâneas, mas não fará com que os conflitos sejam solucionados de uma forma profunda.

Caso contrário, se ela esperar que o terapeuta fale tudo o que precisa fazer, não estimulando que a pessoa busque recursos internos para se colocar a pensar sobre suas questões, este trabalho não alcançará o objetivo final. Desta forma, a psicoterapia psicanalítica pode ajudar a pessoa a refletir e perceber quais são as melhores soluções reais para seus conflitos. Este trabalho busca por auxiliar o paciente a ter estas condições, não necessitando esperar do outro uma resposta e mais, tendo a capacidade para refletir e avaliar as possibilidades e fazer escolhas mais saudáveis para si.

SERÁ QUE NÃO ESTAMOS CRIANDO UMA GERAÇÃO DE ANSIOSOS?

Por Larissa Mendonça Lütkemeyer, Psicóloga – CRP 07/16189

Diariamente somos bombardeados por mensagens de que precisamos ser sempre melhores e buscar sempre mais, intelectualmente, emocionalmente, financeiramente… Não nos sentimos suficientemente capazes se não formos graduados, especializados, com mestrado e doutorado. Temos que nos sentir bem e estar felizes o tempo todo, não há lugar para a tristeza e a frustração. Precisamos ter o último modelo de smartphone, o carro do ano…

Diante de tantas exigências, muitas vezes nos deparamos com sentimentos de frustração, insatisfação ou incapacidade. Afinal, de quanto trabalho, tempo, esforço e dedicação precisamos para atingir esses ideais que nos são impostos a todo momento? Será que somos capazes de conquistar tudo isso? Mas, e se não conseguirmos? Então não poderemos nos sentir felizes?

Frustração é um sentimento que surge quando algo não sai conforme a expectativa que criamos ou quando um desejo não encontra satisfação. Saudáveis, as frustrações são passageiras, inevitáveis e necessárias. A partir delas construímos um senso de realidade, entendemos que existem outros além de nós mesmos, aprendemos a ser mais pacientes e tolerantes.

No entanto, são tantas as condições para atingirmos o “ideal”, que é muito comum surgir uma sensação de que nunca temos o suficiente pra nos sentir satisfeitos ou de que não somos bons o suficiente para nos sentir felizes e realizados, fazendo, muitas vezes, com que nos questionemos a respeito das nossas capacidades e gerando um constante sentimento de insegurança. Em função disso, trabalhamos cada vez mais, com o objetivo de conquistar esses ditos “ideais”, e dedicamos cada vez menos tempo para atividades prazerosas e de lazer, para convivência em família e com pessoas importantes. Passamos a nos preocupar mais com o  futuro do que com o presente e a exigir de nós e dos outros um ritmo, por vezes alucinado, porque há muito para conquistar e “não há tempo a perder”. Mas somos continuamente exigidos a lidar com as frustrações decorrentes de todo esse processo, pois não temos o controle de tudo e nem tudo acontece no tempo ou da forma que gostaríamos.

Como consequência, tem sido cada vez mais comum, o aparecimento da ANSIEDADE. Ansiedade é um sentimento normal, que nos põe em alerta frente a uma situação de perigo real ou devido a impulsos indesejáveis (geralmente inconscientes), ativando os mecanismos de defesa mais adequados para o seu enfrentamento. Qualquer situação nova ou desconhecida pode ser potencialmente geradora de ansiedade. Quando a ansiedade se torna muito intensa e aparece de forma abrupta, deixando-nos com a sensação de impotência e bloqueando a nossa capacidade de pensar e reagir adequadamente, configura-se uma patologia, necessitando de atenção e tratamento adequado.

A psicanálise entende a ansiedade patológica como uma revivência de situações primitivas (muito precoces) que, por diversas razões, são reatualizadas em algum momento ou fase da vida. Teorias psicanalíticas enfatizam a importância do ambiente, representado pela mãe, que, sendo capaz de auxiliar o bebê a conter e transformar suas angústia iniciais, proporciona ao recém-nascido condições para lidar com o desamparo com que vem ao mundo. Falhas no processo de acolhimento dessas angústias, resultam em uma falha egóica, que se manifestará, futuramente, em forma de ansiedade.

Segundo dados da OMS, divulgados no início de 2017, o Brasil é o país com a maior taxa de transtorno de ansiedade no mundo. Levando em consideração tudo o que foi descrito acima e pensando nesse sistema, no qual, temos cada vez menos tempo disponível e dedicamos cada vez menos energia para cuidar de nós mesmos e, consequentemente, dos outros (inclui-se aqui os filhos), será que não estamos criando uma geração de ansiosos?

A psicoterapia é um processo de autoconhecimento que nos permite reconhecer o nosso funcionamento, entender as falhas psíquicas que trazemos conosco, identificar nossos sentimentos, questionar pensamentos, compreender motivações e objetivos. Num ambiente acolhedor e sem julgamentos, assim torna-se possível realizar escolhas mais saudáveis, gerando aumento da confiança em si mesmo e de sentimentos como satisfação e felicidade

DPP – Depressão Pós Parto

Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

A gestação traz consigo um momento de muita expectativa e mudanças. Além das mudanças físicas na casa, mudanças físicas no corpo, uma carga hormonal invade o corpo da mulher. Novas sensações, sentimentos e emoções são experimentadas e as relações sentem o impacto de todas essas novidades. No artigo anterior, escrito pela Psicóloga Rafaela Hass, as mudanças ocorridas na relação conjugal com a gestação foram explanadas. Neste presente artigo, pontuaremos as questões referentes a depressão pós parto, que pode acometer mulheres gestantes e puérperas.

Os primeiros dias após o nascimento do bebê são um misto de sentimentos, e os hormônios são os principais responsáveis pelas mudanças, já que com o nascimento do bebê há uma nova reorganização hormonal. A chegada do bebê é um momento idealizado e muito esperado pela grande maioria das mães. A imagem de uma mãe feliz, amamentando um bebê tranquilo, num ambiente lindo e colorido está frequentemente associada à que temos de uma mãe com seu recém nascido bebê. Alguns momentos de angústia, tristeza e medo são também experimentados durante o puerpério, mas não devem ser muito intensos ou de longa duração a ponto de prejudicarem o relacionamento entre a mãe e o bebê. Essa tristeza nos primeiros dias é chamada de baby blue e se trata, inclusive, de um momento adaptativo à maternidade, pois possibilita que a mãe fique mais atenta às necessidades e cuidados de seu bebê, evitando que a sensação de euforia tome conta.

Após  cerca de 40 semanas, o bebê que esteve protegido dentro do ventre vem ao mundo e uma certa sensação de despedida é comumente experimentada pela mãe. Neste contexto alguns momentos de tristeza, choro e insegurança podem ser experimentados. O habitual é essa sensação diminuir com o passar dos dias e com a capacidade da mãe de organizar sua rotina com o bebê. A média de duração do baby blue fica próxima aos 14 dias.

Segundo a OMS em cerca de 15% das mulheres esses sentimentos de tristeza evoluem para depressão pós parto (DPP). Mulheres que apresentaram quadros depressivos em algum momento da vida tem maior chance de desenvolver a DPP, assim como mulheres que tiveram DPP possuem mais chances de desenvolver depressão, já que essa é uma doença cíclica. Sentimentos de apatia, tristeza, falta de apetite, insônia e dificuldade de estabelecer uma conexão com o bebê são outros sintomas que caracterizam a depressão pós parto.

Uma a cada 7 mães desenvolve a depressão pós parto (DPP), segundo recente estudo realizado nos EUA. O suicídio é a segunda maior causa de mortes de mulheres após o parto. De acordo com dados do Hospital Israelita A. Einstein mais de 2 milhões de casos são diagnosticados por ano. Normalmente os sintomas são percebidos pela própria mulher, que também apresenta com frequência pensamentos indesejados e vontade de morrer, principalmente por acreditar não estar sendo uma boa mãe. O ganho ou perda significativa de peso, choro, irritabilidade e isolamento social são relatados com frequência. As causas da DPP são multifatoriais, porém, hoje já se sabe que em mais de  50% dos casos de DPP diagnosticados são uma consequências de uma depressão que começou já na gestação.

Embora tenha esse nome, a depressão pós parto pode acontecer ainda na gestação ou anos após o nascimento do bebê. Na gestação, estudos recentes sugerem que entre 10 e 20% das mulheres apresentem essetranstorno psicológico .

Na gestação a DPP pode ainda trazer consequências ao desenvolvimento do bebê, principalmente porque a mulher com depressão pode se alimentar de forma equivocada e insuficiente para o adequado desenvolvimento do feto, tende a não seguir as orientações do pré natal, vivenciam intensos sentimentos de culpa, pânico e a chance de aumento no consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Os bebês nascidos de mulheres com depressão durante a gestação tem maior chance de parto prematuro e baixo peso ao nascer, segundo estudos realizados nos EUA.

Dada às especificidades do momento da gestação e do puerpério, a psicoterapia é o primeiro e principal  tratamento.Em função da dificuldade de encontrar medicações psicotrópicas que tenham uma margem de segurança próxima 100% é o tratamento de eleição.

Os grupos de gestantes ou grupoterapia, conduzidas por psicólogos ou psiquiatras, é uma opção que traz bons resultados, tanto para prevenir quanto tratar a DPP em gestantes e puérperas. O processo auxilia no compartilhar experiências, sensações e sentimentos, possibilita a troca de informações, vivências e oferece apoio e acolhimento, suporte necessário para vivenciar de forma saudável a gestação e o puerpério.

Na psicoterapia individual ou em grupo as dificuldades individuais são identificadas e esclarecidas, rompem se esteriótipos, identifica se os obstáculos que impedem o desenvolvimento e torna possível encontrar as próprias condições de resolver ou enfrentar seus problemas.

O impacto da maternidade no casamento

Por Rafaela Haas Oliveira Zanini, Psicóloga – CRP 07/14351

A chegada de um filho muda a vida de um pessoa e o relacionamento de um casal. Um bebê muda a rotina, modifica as prioridades e os valores de uma família.

O primeiro momento da vida de uma criança solicita a entrega da mãe à maternidade. A simbiose que se constrói entre a mãe e o bebê é fundamental neste primeiro momento, onde o filho se alimenta não só do peito mas principalmente do olhar materno. É uma fase incrível mas ao mesmo tempo exaustiva. O pai ainda não tem a mesma entrada na vida deste bebê, mas certamente com o tempo e com tolerância vai encontrando o seu espaço e a sua importância nesta relação.

É preciso uma relação fortalecida e estável para poder suportar as ansiedades inerentes a este primeiro momento, mas também a todas as mudanças que vão ocorrendo gradativamente. Mesmo um casamento que apresenta uma relação saudável está sujeito a passar por dificuldades ou por momentos mais caóticos.

Um filho traz muitas alegrias, nos apresenta a vida por um outro olhar. É a vida com outro sentido. Um filho vem para trazer admiração pelo parceiro, vem para unir e fortalecer um casamento que já tem união e que, então, terá a possibilidade de vivenciar a maternidade como prioridade. É a relação redescobrindo seu sentido também.

Entretanto nem sempre a chegada de um bebê proporciona união. Muitas vezes o desejo de engravidar vem acompanhado por necessidades de outra ordem: preencher vazios, aproximar relações que já vem em crise, entre outros. Talvez para aqueles que ainda não vivenciaram a experiência da maternidade exista a ilusão de que a gravidez possa trazer um elo para a vida inteira. Em parte é correto pensar que traz uma ligação, mas nem sempre esta possibilidade de proximidade se desenrola da forma como se idealiza.

Uma relação que já vem frágil, tende a se fragilizar mais ainda com a jornada exaustiva da maternidade. É preciso disponibilidade para ser pai e mãe, disponibilidade essa que nem todos estão preparados para ter. É preciso ter solidez nesta relação, pois a chegada de um bebê causa um grande impacto no relacionamento de um casal e muitas vezes pode levar a separação. Nem todos conseguem conviver com as transformações inerentes a este momento.

SOBRE O VÍNCULO AFETIVO ENTRE PAIS E FILHOS

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Desenvolvida pelo psicólogo inglês John Bowlby a teoria do vínculo afetivo, também conhecida como apego, entende o crescimento de uma criança como resultado da relação que ela mantém com seus pais. De acordo com este autor o apego é uma necessidade tão primária e vital quanto o alimento. Um bebê que se sente protegido terá muito mais chance de se tornar um adulto seguro de si mesmo e capaz de amar e se sentir amado. Bowlby designou como “teoria do apego”, um modo de conceituar a propensão dos seres humanos a estabelecerem vínculos afetivos, bem como, de explicar as múltiplas formas de consternação emocional e perturbações da personalidade a que a separação e a perda involuntária dão origem.

O comportamento de apego pode ser definido como qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo claramente identificado, considerado mais apto para lidar com o mundo. O conhecimento da existência de uma figura de apego disponível e que oferece respostas, fornece um sentimento de segurança importante que encoraja a pessoa a valorizar e dar continuidade à relação. Assim, os padrões de comportamento de ligação manifestados por um indivíduo dependem, em parte, de sua vida atual e, em parte, das experiências que teve com as figuras de ligação nos primeiros anos de vida.

O ponto de vista de Bowlby, apoiado por inúmeras pesquisas, é de que o alimento desempenha apenas um papel secundário no comportamento de ligação do bebê à sua mãe. A função básica do comportamento de ligação seria a proteção. Segundo o autor, é tão importante estudar a maneira pela qual uma criança é realmente tratada pelos seus pais, como é necessário estudar as representações internas que a criança tem deles e vice-versa, valorizando a interação de um com o outro, do interno com o externo. Além disso, ressalta a interação afetiva mãe-bebê como formadora do mundo interno da criança, decorrendo daí suas fantasias. Portanto, o modelo que a criança constrói de si mesma também reflete a imagem que os pais têm dela, imagem esta que é comunicada não só pela forma como a tratam, mas também, pelo que cada um diz sobre ela.

No momento do nascimento de um filho, a situação do casamento, da vida da família ou mesmo da sociedade mais ampla, interferem positiva ou negativamente na relação de apego entre pais e filhos. É verdade que as fantasias relacionadas às vivências infantis têm um peso importante na relação dos pais com seus filhos, podendo muitas vezes ser um fator determinante de dificuldades nesta relação. Mas também é verdade que a realidade presente, a relação atual do casal e o momento da família, com todos os seus sentimentos e implicações, pode ser codeterminante no melhor ou pior apego que se estabeleça nesta relação. Também ao bebê, sendo parte ativa neste processo, determinará correções ou reforçará os sentimentos a respeito dele, conforme sua bagagem constitucional. Assim, um bebê ativo e cheio de vida poderá modificar as expectativas negativas que sobre ele são projetadas. Ao contrário, um bebê mais voraz e exigente, corre o risco de confirmar as expectativas negativas oriundas dos conflitos inconscientes de seus pais ligadas as suas vivências infantis.

Quando as expectativas negativas superam as positivas faz-se necessário uma intervenção terapêutica precoce para ajudar os pais a modificarem esta trajetória, possibilitando a estes e ao seu bebê uma interação mais saudável e gratificante.