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Trauma X Transformação

Por Raquel Schwartz Henkin, Psicóloga – CRP 07/22781

O que faz com que um evento seja traumático para uma pessoa e não para a outra, que foi a ele igualmente submetida? Diante da mesma situação adversa, pessoas podem apresentar reações completamente diferentes. Nesse exato momento, por exemplo, o mundo todo está passando por uma pandemia, mas ela está impactando cada país, cidade e comunidade de formas extremamente distintas. A pergunta “o que faz com que isso aconteça?” seria facilmente respondida pela maioria das pessoas: acúmulo de riquezas, estrutura sanitária, existência de um sistema de saúde eficiente, comportamento da população, entre outros fatores. Do mesmo modo que toda a estrutura e experiências de uma nação influenciam na forma como ela será afetada por uma pandemia, existem inúmeros fatores idiossincráticos que fazem com que cada indivíduo lide de formas diferentes com as adversidades da vida.
Durante esse período de crise, observamos algumas pessoas se reinventando, criando novas formas de trabalhar, de morar, de comer, de se exercitar, enquanto outras se encontram paralisadas diante do medo e da incerteza, sem conseguirem se recuperar da sensação de que tiveram seu “tapete puxado”. Isso faz pensar que as situações não são necessariamente traumáticas em si, mas potencialmente traumáticas. A perda de um ente querido, um acidente, o rompimento de um relacionamento, uma doença grave, a presença de um vírus que ameaça a nossa vida; todas essas são situações que podem vir a ser traumatizantes. Se o indivíduo irá viver dessa forma ou não, dependerá de diversos fatores. Suas vivências anteriores, o grau de maturidade do seu “eu”, sua capacidade de elaboração, a flexibilidade dos seus recursos psíquicos, entre outros.
Recordo-me de um filme chamado “My Life”, de 1993, que conta a história de um homem que descobriu um câncer já em estágio avançado e precisou lutar contra a doença, ao mesmo tempo em que acompanhava a gestação da sua esposa. A triste história passa a ser bela e emocionante quando este homem, diante da morte iminente e da terrível perspectiva de não viver até o nascimento do filho, se defronta com seus aspectos mais frágeis a ponto de recordar memórias traumáticas da sua infância, o que permitiu que se reconectasse com os pais, com os quais manteve uma relação distante e de muitas mágoas durante grande parte da sua vida. Talvez esse homem tenha precisado deparar-se com a sua impotência para que pudesse voltar a viver psiquicamente, mesmo que a beira da morte. A doença, com seu enorme potencial traumático, para ele foi transformadora.
Encontramo-nos diante de um mundo em transformação, sendo acometidos por mudanças drásticas, as quais não planejamos nem desejamos. Assim como não é possível quantificar os efeitos socioeconômicos dessa pandemia, os efeitos psíquicos e emocionais também não são previsíveis nem serão iguais para todos. Situações como a que estamos passando despertam emoções únicas e poderosas, gerando impactos diferentes em cada pessoa, pois são somadas ao momento de vida, a crises pessoais e a estrutura emocional de cada um para lidar com o temor do desconhecido.

A realidade precisa ser encarada na sua dureza e as emoções precisam ser vividas, sentidas, mas também pensadas. A negação, que utilizamos diante da impossibilidade de lidar com a dor da realidade, de nada ajuda na elaboração, pelo contrário, é um prato cheio para a constituição do trauma. A esperança se encontra no desejo de viver e de sobreviver a este e a outros momentos difíceis. E que ela nos impulsione a pensar em caminhos alternativos, estratégias para seguir buscando sentido para o que está sendo vivido e, quem sabe, na melhor das hipóteses, promova transformação.

Estamos todos no mesmo mar

Por Carolina Rodrigues Azevedo, Psicóloga – CRP 07/19699

Todo momento crítico demanda de nós adaptações, nem sempre fáceis. Esses dias ouvi, acerca do momento de pandemia em que vivemos e de suas consequências (sobretudo negativas), que “estamos todos no mesmo mar, mas em barcos diferentes”, reeditando o popular consolo “estamos todos no mesmo barco”.
Dizem os conhecedores náuticos que em tempos de tormenta é melhor navegar a favor do vento e das ondas. Porém, em mar muito agitado, deve-se fazer o contrário, ir contra as ondas, em ângulos específicos.
Reflito sobre o isolamento social ao qual estamos submetidos também como uma parada estratégica para podermos avançar em outra direção. Está posto o convite para olharmos pro interior do “barco”, a fim de conhecermos nossa estrutura e os equipamentos que temos disponíveis.
No cenário em que vivemos é tempo de olharmos pra dentro de casa, pra dentro dos armários, pra dentro de nós. É tempo que falta pra todos os desejos e expectativas que tínhamos planejados. É tempo que sobra pra mexer e organizar as gavetas, repensando o que é essencial e essência.
É tempo de poder nos (re)conectarmos com nós mesmos, mas também com aqueles e com aquilo que nos é vital. É tempo de desapegarmos das vestes que já não nos servem mais, de passarmos adiante, de nos doarmos mais pro outro. É tempo de nos descobrirmos em nós mesmos, de sentirmos o impacto de estar em nossa própria companhia, de nos (re)inventarmos, de entrarmos em contato com nossas habilidades (muitas vezes deixadas de lado no dia-a-dia) e de podermos tolerar nossos limites. É tempo de pedir ajuda também, de nos reconhecermos em nossas fragilidades, ansiedades e medos.
Quando o mar está muito agitado, a orientação dada aos navegadores é que só fiquem fora da cabine as pessoas indispensáveis ao seu comando e, assim mesmo, equipadas com coletes salva-vidas e outros itens de segurança. Não existe perigo maior do que cair no mar durante uma tempestade!
Para o momento em que vivemos também é necessário cautela e controle. É preciso que estejamos conscientes da realidade que nos é imposta e dos mais variados riscos que corremos, mas sem deixar com que isso nos impeça de seguir adiante.
No mau tempo, mesmo se o barco estiver ancorado, o motor ligado poderá ser útil para compensar a intensidade do vento e das ondas na âncora. O mesmo vale para os dias atuais, quanto mais estivermos “ligados” a nossos pensamentos e sentimentos nesse contexto, mais teremos recursos disponíveis para lidar com esta condição um tanto quanto nebulosa.

Sobre o Junho Violeta! Sobre a velhice!

Por Mariana Medeiros – Psicóloga – CRP 07/11721

Junho Violeta é o mês do combate e prevenção a violência contra a pessoa idosa. Desde 2006, o 15 de junho é conhecido como o dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção e Violência a Pessoa Idosa.
Estes marcos fizeram-se necessários para mobilizar a população sobre a importância da luta em prol da proteção e o respeito a esta população que cresce a cada dia. O objetivo é desenvolver uma conscientização mundial, social e política,sobre a existência da violência contra o idoso,além de, ao mesmo tempo, disseminar a ideia de não a aceitar como normal.
Vamos conversar sobre os nossos velhos?
Com o surgimento da pandemia do Corona vírus, a população idosa, por ser parte do grupo de risco, percebeu-se fragilizada ao ataque da doença que fatalmente poderá leva-las a internação em CTIs e, até a morte!E como estamos cuidando deles? Sabemos que temos que tomar todos os cuidados para prevenir e não levarmos o vírus aos nossos pais, avós e familiares idosos. Mas além disso, como ajuda-los nesse confinamento, nesse meio de solidão e medo?
Vamos pensar que os nossos idosos estão sofrendo muito com tudo isso. Já passaram por diversas situações na vida, mas este vírus e esta situação são novos, para eles e para todos nós. Estão assustados e com medo. Medo de morrer por fazerem parte do grupo de risco, medo de estarem a sós, assustados por não verem mais seus familiares. Desorientados, também, por não poderem mais viver suas rotinas.
E qual o papel do familiar, do parente, do amigo? Amor, carinho e atenção. E na prática, como ajudar a amenizar o sofrimento da solidão e medo? Em primeiro lugar ajustar uma nova rotina. Dar atenção, tanto pessoal como ao celular, de preferência nos mesmos dias/horários. Chamadas de vídeo como uma forma de ver como estão. Visitas. Atender as demandas necessárias, rotineiramente, com idas ao supermercado e farmácia. E, importante, tratar abertamente o assunto, falar sobre os sentimentos, o medo e o temor, a tristeza e a saudade. A escuta se faz necessária. A realidade coloca-os diante da concretude da vida, levando-os a reconhecer ou não os seus limites, podendo ou não utilizar os recursos que cada um tem a sua disposição.
Mas caso percebam a necessidade, não deixem de procurar ajuda. O profissional da saúde, com certeza, poderá agregar. Seja por ajuste de medicação, uma psicoterapia pode também ajudar o idoso a se reorganizar novamente. Percebemos que os idosos estão propensos a viver perdas e a se deprimirem. Podemos observar que nesse momento existem perdas de toda a natureza. Desde o corpo que muda, deixando para trás o viço da juventude, perda do status social, até a morte de entes queridos e os fantasmas de sua própria morte. Dessa forma, esse é o momento de necessidade de elaborar perdas e luto e, por outro lado, reinventar novos padrões de vida que possibilitem ganhos.
O momento é de muito stress, todos estamos passando situações traumáticas de necessidade, solidão e angústia. A luta entre o viver e o morrer cada um faz à sua maneira. Apenas aqueles que tiverem a ousadia para fazer este percurso, conseguem se defrontar com seu próprio desejo. E desta forma, poderemos ajudar os nossos velhos!

AS CRIANÇAS E A PANDEMIA

Produzido por Maria Rita Beltrão – CRP 07/06553

​Os casos de COVID-19 continuam aumentando progressivamente no Brasil e no mundo. Com tantas mortes, isolamento social e ínumeras mudanças na rotina por conta desta pandemia, é comum o surgimento de sentimentos de insegurança, apreensão e ansiedade. Muitas informações chegam desencontradas e confusas, quando chegam, nos forçando a pensar formas de como nos previnir e nos proteger deste vírus. Se é difícil para nós adultos, imaginem para as crianças.
​A pandemia pode afetar a saúde mental dos pequenos. A incerteza quanto à retomada do convívio social e familiar e a retomada da escola pode ser um fator de estresse, afetando a saúde mental e o comportamento das crianças. Além disso, os filhos costumam ser sensíveis às preocupações dos pais, podendo “absorver” a angústia e a tensão dos adultos. Como vimos, as dificuldades são muitas neste momento, mas um ato simples pode ajudar a proteger a saúde mental das nossas crianças: a conversa.
​Mas como conversar com elas neste momento tão delicado para todos? Essa conversa deve ser no sentido de informar e não assustar. É importante que os pais orientem os filhos quanto aos cuidados com higiene e com a proteção. Também é recomendado que os pais dêem atenção aos medos das crianças: acolhendo-as, tranquilizando-as e esclarecendo que o vírus não é nenhum monstro, evitando dessa forma que a ansiedade se intensifique. As conversas devem ser abertas e honestas, respondendo as indagações dos pequenos e acolhendo as angústias.
​E a psicoterapia online? Funciona com a crianças também? Pode ajudar neste momento? Certamente. Ainda mais importante é manter o acompanhamento se ela já o fazia antes da pandemia. A criança já está sendo privada de tantas coisas, não tem por que privá-la do tratamento também, ainda mais quando já existia um vínculo entre ela e a sua terapeuta. Afastada de vínculos importantes (amigos, colegas, familiares) e sobrecarregada com a nova rotina, as crianças podem vir a necessitar de um acompanhamento devido ao sofrimento psíquico que essas alterações todas podem gerar na sua vida e na vida de seus familiars. Os pais também podem ser incluídos nestas consultas online para terem um suporte e orientação para auxiliarem seus filhos no enfrentamento de todas essas questões que a pandemia trouxe.

CRISE

Produzido por Psicóloga Keylla T. Jung – CRP:07/07683

O futuro é uma medida do tempo que estamos sempre tentando adivinhar. Por um lado, pensar no amanhã nos convida a planejar a vida, redimensionando-a na melhor das hipóteses a partir da realidade, sempre motivados por nossos desejos. Por outro lado, a tentativa de garantir o porvir pode nos lançar a um estado de angústia permanente. Nosso desejo de soberania sobre o futuro em nada facilita a conciliação que precisamos fazer diariamente entre o que desejamos e o que podemos exigir da vida e dos relacionamentos que firmamos no transcorrer dela.
O ser humano deposita sua sensação de segurança em baluartes aos quais se condiciona de maneira a não contestá-las. Quando essas estruturas se vêem ameaçadas, surgem, num primeiro momento, medidas ilusórias que tentam aplacar o sentimento de desamparo. Nada mais do que frágeis reações defensivas e, por vezes, desesperadas frente ao tatear das adversidades diárias. Minimizar fatos ou distorcer a realidade denota atitudes de risco ou, no mínimo, com poucas chances de que a experiência assuma um caráter transformador.
O termo crise pode ser compreendido no seu sentido plural. É um conceito considerado por muitas áreas do conhecimento. Falamos de crise existencial, crise econômica, crise política, crise de relacionamento, crise da saúde, física ou psicológica, entre tantas outras. Porém, em todos os sentidos crise representa transformação. A Psicologia identifica crises inerentes e, de certa forma, inevitáveis, ao logo do desenvolvimento do ser humano. Elas implicam situações de mudanças que provocam rupturas na homeostase a nível biológico, psicológico ou social, exigindo do indivíduo ou do grupo, um esforço para manutenção do equilíbrio físico e emocional. Perde-se, portanto, aqueles elementos estabilizadores que tínhamos como certos.
O próprio sentido etimológico da palavra nos fornece as pistas quanto à relevância da experiência. Do latim crisis, refere-se a mudanças repentinas e necessidade de decisões. Do grego, a etimologia aponta que krísis é um momento ou período difícil de ser superado que exige capacidade para distinguir, separar, decidir e julgar, antes de agir.
Embora toda experiência de crise eleve o grau de vulnerabilidade dos elementos nela envolvidos, a evolução pode ser tanto maléfica quanto benéfica, uma vez que, o ponto de chegada ao fim dessa depende fundamentalmente de como o indivíduo ou grupo serão capazes de lidar com perdas, substituições, renúncias, readaptações, juízos e decisões. É determinante a forma como os componentes da crise são vividos, se de maneira mais dissociada, negada, projetada ou sublimada.
Por exemplo, estamos em meio a uma crise de muitas dimensões. A população mundial se encontra assolada por uma pandemia de proporções inimagináveis. Seus efeitos podem ser sentidos na saúde, nas instituições e na economia. As pessoas estão vendo suas vidas serem transformadas desde suas bases, sejam elas, laboral, social ou familiar, até nos detalhes de seu dia-a-dia.
Sendo assim, é preciso considerar que uma experiência de crise tem mais chances de evoluir negativamente na medida em que os recursos pessoais se tornam restritos ou insuficientes, ou ainda, quando o nível de estresse vivenciado ultrapassa a capacidade de adaptação e de reação do indivíduo.
A situação que o mundo enfrenta, ameaça nosso valor supremo – a vida, sem ela não há força de trabalho, não há Estado, não há instituições, não há sociedade, isso já é motivo suficiente para que nossas defesas sejam acionadas. O risco de perdermos pessoas que nos são caras, vermos nossos recursos financeiros diminuírem; nossa liberdade cerceada ou mesmo adaptações compulsórias, são desencadeadores inegáveis de crise.
Contudo, há que se considerar que crise também pode ser vista, como uma possibilidade de crescimento, pois quando a evolução é favorável o que se conquista é a ampliação da capacidade adaptativa, a criação de novos equilíbrios e o reforço da capacidade de reação frente a situações complicadas.
O período que vivemos tem nos cobrado reflexão, avaliação crítica das circunstâncias, planejamento, tomada de decisões e ações. Nesse sentido, passar por uma pandemia pode, na melhor das hipóteses, colocar em análise nossas prioridades e nossos valores, pois, diante de toda crise as pessoas se vêem exigidas a mobilizar seus recursos psíquicos, oportunizando o exercício e reconhecimento do seu potencial, proporcionando o desenvolvimento de autonomia, criatividade e reposicionamento subjetivo.

Entendendo o Cyberbullying

Produzido por Ingrid S. Petracco, psicóloga – CRP 07/11717

Vamos começar falando sobre a tecnologia e o mundo que se encontra cada vez mais interligado e globalizado, a internet, embora seja um importante meio de comunicação muito utilizado pela população de forma correta e com a sua finalidade sendo ajudar em diversas coisas traz junto os pontos negativos que dela advém, considerando sua evolução diária e as inúmeras possibilidades que a internet proporciona, constata-se como fica difícil o controle da mesma e como cada vez mais cedo os jovens a utilizam. Ate mesmo crianças de 2 anos já operam tablets e smartsphone.

Agora, vamos aos adolescentes, focados nos seus pares, nas amizades e na busca da expansão de sua rede de amigos. O uso da internet e redes sociais se faz imperativo ao desenvolvimento social. É nos seus pares que adolescentes buscam opiniões sobre si mesmos, sua autoestima e identidade. Estes jovens podem ser vítimas de “predadores online” especialmente aqueles mais vulneráveis, com risco ou histórico de problemas.

Cyberbullying de acordo com Slonje e Smith (2008), pode ser compreendido como um comportamento agressivo, intencional e repetitivo, realizado por intermédio de meios eletrônicos, ao longo de um determinado período, e perpetrado por um individuo ou grupo contra uma vítima que apresenta dificuldades em se defender. É um processo de interação e expressão de agressividade com abuso de poder e ocorre de forma sistemática pelo uso de tecnologias. Importante destacar, paraque a agressão online, seja considerada cyberbullying, é preciso que sejam identificados os critérios de desiquilíbrio de poder, intencionalidade e repetição.

É bastante usual os agressores criarem um perfil falso na internet com o objetivo de intimidar e ridicularizar sua vítima, o que é feito através de montagens de fotos pornográficas com o rosto do agredido, por exemplo. A pessoa que comete o cyberbullying é chamado de “cyberbulliecyberbullying é mais fácil para os agressores, porque podem fazê-lo de forma anônima nas diversas redes sociais, através de e-mails ou de torpedos com conteúdos ofensivos e caluniosos. O que dificulta a defesa da vítima, visto que se torna mais complexo responder efetivamente às agressões quando não se sabe a identidade de quem o faz. Uma das particularidades do Cyberbullying , diferente do bullying tradicional que é delimitado pelos limites físicos e temporais da escola, é que o mesmo pode ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar e capaz de alcançar uma audiência muito maior.

As pessoas agredidas pelo cyberbullying apresentam sintomas bastante similares com os do bullying, como:

distúrbio do sono

medo, desconfiança e insegurança

transtornos alimentares

irritabilidade

depressão

transtornos de ansiedade

dor de cabeça, falta de apetite

uso de. drogas

pensamentos destrutivos, como desejo de morrer, entre outros.

A forma como os jovens agem frente ao cyberbullying também podem desempenhar um papel fundamental no sentido de atenuar ou potencializar os efeitos negativos decorrentes da agressão. Reportar ou informar pais e professores sobre o ocorrido o quão logo aconteça são capazes de diminuir os efeitos, o que muitas vezes não acontece por medo de punições ou culpabilizacões, medo de os pais subestimarem o problema, ou medo de proibirem o uso da internet.

A orientação dos pais é fundamental, e estabelecer uma relação de confiança pode prevenir da manutenção deste tipo de violência e do risco de perpetuar o sofrimento das vítimas. Estratégias focadas na resolução do problema que envolvem soluções práticas, tais como sair de determinada rede social, permanecer offline por algum tempo, bloquear contatos, podem e devem ser estimuladas pelos pais e ou professores. Conversar abertamente sobre o assunto e explicar os perigos. Por vezes a busca de um profissional capacitado, psicólogos ou psiquiatras, se faz necessária. Outras ferramentas podem ajudar os pais a abordar com os filhos este assunto tão delicado como filmes, facilitam que os jovens se identifiquem e consigam se abrir. Vários filmes exibem este tema. Segue link do trailer do filme Ciberbully: https://www.youtube.com/watch?v=i1oF5pXq2bc, aborda de maneira muito clara como uma jovem, vitima de cyberbullying adoece e como com a ajuda dos pais e  profissionais especializados a jovem se recupera.

Os novos desafios familiares em épocA de Covid – homeschooling e homeoffice

Produzido por Psicóloga Fabiane Flores, Psicóloga – CRP 07/12685

Há cerca de um mês atrás estávamos retomando o início do ano letivo, retomando as atividades após o carnaval, programando as próximas datas festivas, feriados do mês de abril, … E de repente, tudo mudou, o mundo parou, …desaceleramos. E como um passe de mágica, as famílias passaram a enfrentar o excesso de horas livres sem saber o que fazer. Para quem estava acostumado com uma rotina intensa de atividades e compromissos; ter mais tempo era o desejado e agora não parecer ser tão espetacular assim. Nos foi concedido mais tempo para fazer o que é realmente essencial. Sabemos que é um período oportuno para cuidarmos do bem-estar, mas nem todos estão conseguindo ter sucesso em reinventar a escola com a educação domiciliar. Assim como qualquer conhecimento, este tempo em excesso também necessita ser aprendido. E como todo processo de aprendizado é necessário saber que há um ciclo para alcançarmos o melhor resultado. E como este ciclo ocorre? A primeira etapa é conhecer o que precisamos fazer. Compreender que estamos diante de um desafio enorme, tanto para os pais, filhos e escola é o primeiro passo. Em seguida sugerimos que as famílias tentem se aproximar dos sentimentos que realmente vão fazer a diferença e entendemos que reforçar os laços afetivos com os filhos, falar e demonstrar carinho e amor seja um deles. A Psicanalista francesa Françoise Dolto destaca a importância de conversar e falar a verdade para as crianças. Sempre obedecendo a faixa etária e com linguagem adequada é importante que haja diálogo sobre esse momento de isolamento social e que ele atinge a todos, independentemente de onde estejam localizados no mundo. Assim sendo é considerável que haja reflexão em conjunto sobre os efeitos da pandemia na família e como irão organizar-se, sem deixar de amparar e auxiliar seu filho. A segunda etapa está relacionada ao envolvimento das pessoas para realizar o plano. A educação domiciliar ou homescholing, assim como o tele trabalho ou home office exige muito dos pais e das crianças. Imaginávamos que as atividades que fossem realizadas em casa demandavam menos envolvimento e não é o que constatamos. A escola representa um local de trocas, de aprendizados e de vínculos. Certamente estão sentindo mais falta do ambiente escolar do que concebemos. Naturalmente a ausência da escola representa a privação de sua rotina, de seu cotidiano e de seu convívio com amigos e colegas. Há instituições que baseiam e realizam seu trabalho com base na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e estabelecem o ensino a partir das habilidades e competências. Desta forma, Jorge Cascardo (especialista em Neurociência) acrescenta que os conteúdos oferecem situações do seu cotidiano e preparam o aluno para ser capaz de resolver problemas reais. É importante salientar que as escolas precisam ser parceiras da família e auxiliá-las na gestão do tempo e nas dificuldades em conciliar os estudos e manutenção da rotina. Cabe também as famílias estabelecer, na medida do possível, uma rotina dentro do dia-a-dia de todos, como: horário da TV, uso de celular, tarefas domésticas, preparo das refeições,…incluir e atribuir responsabilidades aos filhos faz parte da primeira etapa. A terceira etapa está relacionada a necessidade de analisar os resultados alcançados. É imprescindível recordar aos pais que as crianças possuem ritmos e interesses diferentes e o que serve para um nem sempre servirá para todos. É importante estabelecer uma rotina e flexibilizar o tempo pois também compreendemos que o ócio criativo poderá ser benéfico para o aprendizado. A quarta e última etapa é ajustar o que não deu certo, refletir sobre outras possibilidades e retomar a primeira etapa. O ciclo não para…E cabe a você definir se este ambiente está gerando estressores difíceis de suportar. O atendimento psicológico on line é uma possibilidade de tratamento através da internet, difundida em muitos países e regulamentado pelo conselho de psicologia. Cuide-se e viva melhor.

Pensando o vírus “CO(n)VID(a)”

Por Psicóloga Tanise G. Mateus, Psicóloga – CRP 07/10230

Essa semana o governador do Rio Grande do Sul anunciou um novo decreto em que as escolas e faculdades não retomam as atividades na forma presencial em 5 de maio, como o decreto anterior. Recebo pelo celular, junto com alguns comentários a respeito do novo decreto, algumas fotos do aniversário de uma amiga nesse mesmo dia, alguns anos atrás. Boas lembranças do tempo de festas e muita “muvuca social” me fazem pensar que atualmente vivemos um momento um tanto diferente.
O mundo pede socorro. Não só por conta dessa pandemia maluca que provoca a covid_19. Mas por conta de tanta fome, tanta desumanidade e tanta tristeza. A sociedade está adoecida. Nunca se soube de tantos adolescentes se automutilando. Nunca se questionou tanto sobre a sexualidade das pessoas.
Dizem que a doença do século passado foi a depressão. E a desse século, qual será? Arrisco dizer que o -vazio- é a psicopatologia da década. Solidão, incertezas, medo, impotência…
O vazio preenche o espaço destinado aos relacionamentos, o vazio do ser aceito exige que eu seja o-que-eu-imagino-que-o-outro-quer-que-eu-seja. A expectativa fantasma prende com correntes de areia. Preenche com fumaça.
O abraço é substituído por um bonequinho emoji amarelo sorrindo, com bracinhos curtos e olhinhos fechados. Braços que não alcançam. Olhos que não enxergam a necessidade do outro. A real busca pelo toque, pelo olhar… E surge uma doença que nos exige olhar para o outro, cuidar da saúde do outro, controlar a curva de contágio do povo para preservar a saúde coletiva, e a minha.
Uma doença que me convida a ficar em casa com a família e somente ela. A acompanhar as aulas dos filhos e observar de perto as suas dificuldades e o empenho dos professores. Saber o que está acontecendo na sala de aula de fato.
Saber o que os filhos, o marido e os pais estão comprando no mercado. Ou o que estão precisando em casa. E sentir falta de um abraço, aquele real, que o emoji não supre. Um vírus que pede que a gente olhe um para o outro. E quem sabe, preencha o tal vazio com realidade.

No meio disso tudo…

Por Fernanda F. da Costa GarciaPsicóloga – CRP 07/14007

Que estamos vivendo um momento impar todos já sabemos. Momentos como estes, onde não temos registro de comportamento ou defesas emocionais, faz com tenhamos que nos reinventar e buscarmos novas maneiras de lidar com situações extremas e nos adaptarmos a elas. É comum acompanharmos nas redes sociais e grupos entre amigos um desabafo por estar tudo muito pesado, tudo muito diferente, tudo muito. O que é novo não tem registro em nosso cérebro, então o que resta é sentirmos. Respeitarmos o que estamos sentindo e nos conectarmos com o que somos e podemos ser.

Quando ficamos inseguros buscamos os nossos referenciais simbólicos, nossas lembranças familiares e de família. É uma busca narcísica importante, uma maneira de nos voltarmos para nossas origens e o que andava esquecido no turbilhão de afazeres diários. Uma dessas lembranças é a comida. A alimentação saudável. O que seria uma alimentação saudável? Vemos muitas musas fitness dando receitas de comidas, o que comer e não comer. Esquecemos que o que é saudável está no sentir. Percebermos nossa fome, nossa saciedade e escutarmos nosso corpo que é tão inteligente e sabe do que precisamos.

É comum na clínica se ouvir relatos de um comer transtornado entre pacientes com esta dificuldade, mas neste momento até mesmo quem não tem um comer compulsivo está preocupado com sua alimentação e sua forma de comer. Os transtornos alimentares estão relacionados a períodos arcaicos de nossas vidas, períodos primitivos em que a relação mãe-bebê dita afetos, pensamentos e desejos futuros. A alimentação é o primeiro contato entre esta nova mãe e este bebê que estão se conhecendo e se reconhecendo. Com isso, é comum que misturemos nossos sentimentos com os alimentos e com a fome que sentimos. Acredito que mais do que uma alimentação saudável, podemos pensar em uma fome saudável. Colocar os sentimentos no lugar certo, sabermos o que é fome, o que é medo, insegurança, cansaço, tristeza e alegria.

Para conseguirmos pensar precisamos estar dispostos a sentirmos e até mesmo brigarmos de forma silenciosacom lembranças, pessoas e dores internas que nos atormentam e nos obstruem o pensamento. Roland Barthes (1977), teórico francês, relata que o Saber e o Sabor vêm da mesma origem em latim e, explica que é o gosto das palavras que faz o saber profundo e fecundo. Ou seja, quando colocamos em palavras na terapia e organizamos o nosso saber o pensamento flui e se organiza da maneira que cada um consegue. Se não conseguimos ter sabor no saber o pensamento fica obstruído. Somos um ser só com o corpo e as emoções interligadas e que buscam um no outro apoio para suas dores e sabores. Precisamos comer para viver, pensarmos e nos relacionarmos, mesmo distante, mas com afeto.

Saúde mental para os profissionais de cuidados em saúde: o front das epidemias

Por Fernanda Thones Mendes, Psicóloga – CRP 07/13782

Diante de um momento sem precedentes não dispomos de estudos anteriores capazes de nortear nossas ações, além das atuais constatadas pelos primeiros países afetados pela COVID-19, bem como epidemias mais recentes como a SARS-2002 ou MERS-2012. Epidemias de anos muito anteriores ao nosso, apenas nos trazem a história de como nossos ancestrais a vivenciaram e representaram, como por exemplo, a chamada gripe espanhola e todas as suas consequências e impactos gerados. No entanto, naquela época não haviam estudos capazes de dimensionar o que aconteceu cientificamente.

Além da ansiedade gerada pelo novo Coronavírus frente à imprecisão que nos traz, muitas pessoas acabam reagindo a tudo isso de uma forma fria, não conseguindo dar a devida atenção para a dimensão dessa pandemia, ou mesmo tentando minimizar os seus efeitos. De um outro extemo aparece o agravamento de patologias anteriores como transtornos depressivos, ansiosos, muitas vezes nem devidamente tratados que acabam por gerar ainda mais sofrimento e dor.

Profissionais de saúde são treinados a lidar com situações críticas, trabalhando em ambientes de extrema complexidade como as unidades de terapia intensiva, as U.T.Is, onde estão acostumados a adiar a morte. No entanto, no atual quadro de limitações, veem se diante de várias conflitivas, as quais envolvem a rápida disseminação da doença. Dentre elas a escassez de recursos, como por exemplo, dos equipamentos de proteção individual – EPIS, da necessidade de isolamento social mais intenso, principalmente de suas famílias para a proteção das mesmas, bem como do impasse de priorizar o adiamento da morte para um paciente em detrimento de outro em poucas horas. São muitas vezes assolados por uma sensação de fracasso frente ao insucesso na luta pela vida ao qual juraram buscar incansavelmente. Mesmo embasados em decisões regidas por protocolos médicos, acabam sendo envolvidos inevitavelmente em seu mais íntimo subjetivo tanto profissional, como quanto pacientes, quando precisam se ver muitas vezes do outro lado da relação.

Não sabemos com exatidão a respeito dos impactos dessa pandemia, mas sabemos que altos níveis de traumas aos profissionais de cuidados em saúde os acompanharão ao longo de meses após o surto, por isso a necessidade de logo já irmos pensando em terapêuticas e modalidades possíveis a serem oferecidas aos mesmos.

Segundo o Dr. Huremovic, autor de “Psychiatry of Pandemics” ainda não existem orientações para lidar com a atual realidade e nesse sentido nos motiva a realizar pesquisas e estudos que deem conta de nossas emoções e o endereçando das mesmas. Sugere o trabalho, com Grupos Balint para equipes de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais cuidadores, buscando trabalhar a relação médico-paciente. Ele destaca a necessidade de um trabalho de prevenção e tratamento do sofrimento psíquico, com a criação de espaços de fala para esses profissionais em hospitais, criando novas modalidades de tratamento com uso de telecomunicação, além de plataformas –softwears – para o suporte desses profissionais. Essas medidas buscam auxiliar nas relações médico-paciente, nas respostas emocionais, como forma até mesmo de superar a distância pessoal, causada pelo isolamento social. Para isso enfatiza que precisamos dar suporte as nossas comunidades, quebrando os muros do isolamento e assim estabelecer outras formas de comunicação, oferecendo esperança, ajuda e perspectivas apesar do luto e da dor que inevitavelmente enfrentaremos.