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SOBRE O VÍNCULO AFETIVO ENTRE PAIS E FILHOS

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Desenvolvida pelo psicólogo inglês John Bowlby a teoria do vínculo afetivo, também conhecida como apego, entende o crescimento de uma criança como resultado da relação que ela mantém com seus pais. De acordo com este autor o apego é uma necessidade tão primária e vital quanto o alimento. Um bebê que se sente protegido terá muito mais chance de se tornar um adulto seguro de si mesmo e capaz de amar e se sentir amado. Bowlby designou como “teoria do apego”, um modo de conceituar a propensão dos seres humanos a estabelecerem vínculos afetivos, bem como, de explicar as múltiplas formas de consternação emocional e perturbações da personalidade a que a separação e a perda involuntária dão origem.

O comportamento de apego pode ser definido como qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo claramente identificado, considerado mais apto para lidar com o mundo. O conhecimento da existência de uma figura de apego disponível e que oferece respostas, fornece um sentimento de segurança importante que encoraja a pessoa a valorizar e dar continuidade à relação. Assim, os padrões de comportamento de ligação manifestados por um indivíduo dependem, em parte, de sua vida atual e, em parte, das experiências que teve com as figuras de ligação nos primeiros anos de vida.

O ponto de vista de Bowlby, apoiado por inúmeras pesquisas, é de que o alimento desempenha apenas um papel secundário no comportamento de ligação do bebê à sua mãe. A função básica do comportamento de ligação seria a proteção. Segundo o autor, é tão importante estudar a maneira pela qual uma criança é realmente tratada pelos seus pais, como é necessário estudar as representações internas que a criança tem deles e vice-versa, valorizando a interação de um com o outro, do interno com o externo. Além disso, ressalta a interação afetiva mãe-bebê como formadora do mundo interno da criança, decorrendo daí suas fantasias. Portanto, o modelo que a criança constrói de si mesma também reflete a imagem que os pais têm dela, imagem esta que é comunicada não só pela forma como a tratam, mas também, pelo que cada um diz sobre ela.

No momento do nascimento de um filho, a situação do casamento, da vida da família ou mesmo da sociedade mais ampla, interferem positiva ou negativamente na relação de apego entre pais e filhos. É verdade que as fantasias relacionadas às vivências infantis têm um peso importante na relação dos pais com seus filhos, podendo muitas vezes ser um fator determinante de dificuldades nesta relação. Mas também é verdade que a realidade presente, a relação atual do casal e o momento da família, com todos os seus sentimentos e implicações, pode ser codeterminante no melhor ou pior apego que se estabeleça nesta relação. Também ao bebê, sendo parte ativa neste processo, determinará correções ou reforçará os sentimentos a respeito dele, conforme sua bagagem constitucional. Assim, um bebê ativo e cheio de vida poderá modificar as expectativas negativas que sobre ele são projetadas. Ao contrário, um bebê mais voraz e exigente, corre o risco de confirmar as expectativas negativas oriundas dos conflitos inconscientes de seus pais ligadas as suas vivências infantis.

Quando as expectativas negativas superam as positivas faz-se necessário uma intervenção terapêutica precoce para ajudar os pais a modificarem esta trajetória, possibilitando a estes e ao seu bebê uma interação mais saudável e gratificante.

 

A sexualidade na infância

Por Maíra Pasin Pozzer, Psicóloga – CRP 07/14830

O desenvolvimento do ser humano é pautado por etapas e fases que compreendem a vida como um todo, desde a gestação. Na infância ocorrem as principais aquisições e aprendizados, os quais, serão a base para a formação da personalidade de cada um. Em se tratando de sexualidade, muitos adultos pensam que as crianças não a possuem, confundido a sexualidade infantil com a sexualidade adulta. Porém, a sexualidade na infância pode se manifestar através de brincadeiras, curiosidades e interesse pelas diferenças entre os sexos, diferentemente do que ocorre na vida adulta.

A criança explora seu corpo e questiona os adultos sobre suas dúvidas, percepções e curiosidades. A maneira como os pais e adultos que convivem no seu dia-a-dia vão lidar com estas questões, fará grande diferença em como esta criança irá lidar futuramente com sua sexualidade. Cabe aos adultos compreender a diferença existente entre a sexualidade infantil e a adulta, para que possam orientar da melhor maneira, sem causar censuras desnecessárias para este momento de descobertas.

Gradativamente se dá a descoberta de partes do corpo, juntamente com sensações prazerosas causadas pelo seu próprio toque nas zonas erógenas. Tais descobertas são naturais e saudáveis para o desenvolvimento, sendo constitutivas não apenas do ponto de vista físico, como também psíquico.

Nesta fase do desenvolvimento é comum que os pais se sintam perdidos e sem saber como agir e o que dizer frente os questionamentos de seus filhos. É importante que ajam com o máximo de naturalidade possível e esclareçam aquilo que foi perguntado, sempre com uma linguagem clara e acessível à idade da criança. Sempre lembrando que para a criança a conotação erótica da sexualidade adulta não está em jogo, se fazendo presente apenas as curiosidades presentes nas descobertas infantis.

Uma situação que costuma causar angústia nos pais e adultos em geral é a masturbação infantil na qual, a criança se depara com sensações prazerosas causadas no seu próprio corpo, porém é fundamental ressaltar que tal experiência nada tem em comum com a excitação sexual vivida pelos adultos. Em situações como esta, os pais devem orientar que a criança pode se tocar, porém que o faça quando estiver sozinha, ensinando desta forma que a intimidade deve ser preservada e que nada há de errado em sentir prazer. Assim, a privacidade e cuidado protetivo com seu corpo vão sendo introjetados pela criança desde já.

Por se tratar de um tema que envolve censura, tabus e polêmicas, se faz necessário que quando os pais tenham dúvidas não hesitem em procurar ajuda profissional para lidar com a situação posta em cena. Pois, a sexualidade deve ser tratada e trabalhada com naturalidade, pois é parte fundamental e intrínseca da vida do ser humano. Desta forma, prevenimos que se instaurem traumas e distorções que podem desencadear dificuldades e patologias na vida sexual adulta.

CONVERSANDO SOBRE LUTO

Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Quando falamos de luto não nos referimos a perdas apenas por morte, mas sim a todo tipo de perda: fim de um relacionamento amoroso, namoro ou casamento, perda do emprego, briga com amigos ou familiares, esterilidade/infertilidade, doença ou por situações de crescimento como formatura de colégio e/ou de faculdade, mudança de cidade ou de país para exercer um novo emprego ou cargo ou mesmo para estudar e se especializar. Também a aposentadoria é uma situação de luto, quando o indivíduo está deixando sua fase mais produtiva para “descansar”. O que o faz se deparar com o envelhecimento.

Portanto o luto é toda situação de perda que provoca intensos sentimentos de dor, que pode  remeter a  situações anteriores de perdas que não foram elaboradas como o próprio crescimento. Por exemplo, a criança para crescer, na fase da adolescência,  precisa se despedir da infância, é um momento de luto e pode ser bem difícil. E assim são as várias fases : entrada na vida adulta, casamento, nascimento dos filhos, etc., onde sentimentos ambivalentes surgem diante de novos acontecimentos, sentimentos que podem ser de perda por um lado e ganho por outro. Exemplo é o casamento de uma filha onde a mãe pode sentir que está perdendo a filha ou ganhando um filho, conforme suas vivências.

Em várias etapas da vida, para irmos adiante, precisamos nos despedir da fase anterior. Cada situação dessas é um luto que precisamos elaborar e elaboramos muitos deles, mas alguns ficam pra trás. Estas situações “mal resolvidas” podem emergir num momento de dor intensa de uma situação semelhante, ou seja, os sentimentos atuais podem remeter a sentimentos já experimentados. Pode também a perda ser tão difícil, tão dolorosa, que cause sintomas físicos e emocionais tais como ansiedade, depressão, confusão, medo, isolamento,  alteração do sono, perda de apetite, etc.

Em cada etapa, a cada degrau que subimos deixamos um pra trás, cada vez que isso acontece precisamos nos despedir e nos adaptar a uma nova realidade. É comum termos dificuldade nesses momentos de transição e nem sempre nos damos conta que podemos buscar ajuda. A primeira fonte de apoio é a família. Podemos ainda contar com os amigos e com profissionais da área da saúde como os psicólogos. Precisamos nomear os sentimentos, falar de nossas dores, expressar os pensamentos e sentimentos.

“Os tempos de transição são também tempos de oportunidade e qualquer confronto com um mundo desconhecido é tanto uma oportunidade para um domínio autônomo como uma ameaça para o próprio ajustamento à vida.” (Parkes)

Psicoterapia: uma relação de confiança

Por Keylla Jung , Psicóloga – CRP 07/07683

É possível pensar a psicoterapia desde a perspectiva de uma prestação de serviço. No entanto, é assunto delicado estabelecer um valor monetário sobre as intervenções e cuidados que um profissional da saúde oferece à pessoa que o procura. Terapeuta e paciente trabalham, basicamente, no campo das subjetividades, o que torna a tarefa complexa. Psicoterapia, como o próprio termo traduz, significa tratamento da psique através de técnicas específicas, ou, simplesmente, terapia da mente.

Parto do princípio de que a vida emocional de qualquer pessoa é de grande valor. A mente, os pensamentos e as emoções frequentemente dão sinais de interferência em nossa vida prática, tanto no aspecto positivo como no aspecto negativo. Portanto, costumo dizer que psicoterapia é um processo caro, porém insisto que não me refiro ao valor monetário. Psicoterapia é um investimento bilateral que envolve paciente e terapeuta, no qual ambos dedicarão tempo, dinheiro, desejo e expectativas. Nessa relação, o paciente assume certos compromissos diante de combinações previamente acordadas entre ambas as partes, tais como o comparecimento nas sessões, honorários, alterações de horários e faltas. O terapeuta, por sua vez, se compromete com a organização de sua agenda para que o paciente tenha garantido seu espaço e horário. É dever do profissional zelar pela ética e o acesso aos recursos técnicos visando a terapêutica do paciente. Um profissional atento está em constante formação, estudando, pesquisando e se atualizando. São formas de tentar oferecer os melhores recursos e a melhor compreensão para cada caso de seus pacientes.

A formação de um psicoterapeuta, quando comprometido com sua profissão, exige longo tempo, investimento em aulas e supervisões, muito estudo e tratamento pessoal. Tudo justificado pelo fato de que a principal ferramenta de trabalho de um psicoterapeuta é sua própria mente.

No caso dos psicólogos, embora os conselhos de psicologia prestem orientações sobre como formalizar um acordo por escrito entre ambas as partes de um processo terapêutico, o mais comum ainda é o estabelecimento de um contrato apoiado na relação de confiança. Creio que aí se instala um importante desafio.

O paciente, quando procura uma psicoterapia, na maioria das vezes encontra-se em uma situação de fragilidade ou sofrimento. Na melhor das hipóteses busca o autoconhecimento com o auxilio profissional, o que significa um inevitável confronto com aspectos de sua personalidade que talvez preferisse manter em reserva. Esses fatores colaboram para que, nas primeiras sessões, a ansiedade se apresente de forma intensa, o que torna nada fácil a tarefa de pôr em prática uma relação de confiança.

Imagine-se frente a um desconhecido que, por melhor referência que possa ter, está ali com acesso a fatos de sua vida privada e interagindo com suas emoções. Trata-se de uma situação de exposição que pode ser particularmente ainda mais difícil para algumas pessoas. Tudo isso porque a confiança é algo construído, um processo que precisa de tempo e interação. A confiança pode iniciar com a empatia, com o sentimento de ser compreendido, com a certeza de não estar sendo julgado. O espaço terapêutico alia esses fatores ao desejo de transformação em que ambos, paciente e terapeuta, se envolvem numa relação de escuta, acolhimento e respeito ao outro.

AUTONOMIA E SUPERPROTEÇÃO

Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

O que é cuidar? O que é superproteger? Onde está a linha que marca cuidado e crescimento pessoal ou superproteção e atrasos no desenvolvimento? Este tema sempre trouxe dúvidas! Atualmente ainda mais, em função dos riscos que a vida moderna apresenta. Esta realidade não pode servir como justificativa para encerrar o assunto e evitar outros questionamentos.

Muitos pais acreditam que, sendo  “super presentes”, atuam como melhores pais.  Tornam-se proibitivos e exigentes, eternos acompanhantes para realizar atividades ou resolver problemas para a criança.  Na verdade a tarefa dos pais será identificar  as situações de risco real à serem evitadas e aquelas que devem ser permitidas e até incentivadas. Assim serão bons pais ao proporcionar o desenvolvimento da autonomia. Esta tarefa depende do bem estar emocional dos pais. Muitas vezes, aparecem conflitos! A autonomia da criança, leva a um certo grau de afastamento e quebra de dependência, podendo ser sentida como abandono, rejeição ou perda de controle.

Desenvolver a autonomia da criança, desde as primeiras tarefas do desenvolvimento, proporcionará maiores recursos, capacidades, segurança e adequação para as tarefas futuras, inevitavelmente maiores, mais complexas e algumas vezes mais solitárias.

As crianças demonstram muito prazer quando sentem-se capazes de realizar tarefas sem a ajuda dos adultos. Logicamente às responsabilidades e permissões devem estar em acordo com a etapa de desenvolvimento. Sentir que é capaz é fundamental para que desenvolva boa auto estima, desenvolva habilidades e tenha confiança em si mesmo. Por outro lado, ao perceber que tudo é feito para ela e por ela, aparecem sentimentos de insegurança, desconfiança e intolerância à frustração. Não amadurece! Passa a acreditar, que o mundo está sempre pronto para resolver suas dificuldades, e imediatamente disponível para realizar seus desejos. Ainda poderá sentir o mundo, como um lugar perigoso, sendo melhor não arriscar-se.

Na verdade, os adultos não conseguem impedir a autonomia da criança. Conseguem apenas atrapalhar, mas gerando prejuízos importantes. Poderão aparecer dificuldades variadas e em diferentes intensidades. Dificuldades no relacionamento social, timidez, estados de medo e ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem, crises de birra, entre tantos outros. Problemas futuros, já na vida adulta, também poderão aparecer, em consequência da superproteção. Pessoas marcadas pela insegurança e medo, sentem-se incapazes para enfrentar os desafios da vida, podendo apresentar insucessos na vida pessoal, profissional e afetiva.

A criança precisa sentir-se competente, capaz de realizar as tarefas de seu desenvolvimento. Precisa também sentir que pode contar com seus pais e buscar ajuda, se necessário. Os pais precisam festejar sua condição de formar um ser independente. Todos precisam confiar na estrutura do vínculo construído e perceber que ele não se perde, apenas se transforma conforme a etapa da vida.

TPM: Mitos e Verdades

Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

Então, TPM existe mesmo ou é frescura de mulher? Existe sim e, desde o último lançamento do DSM-V em 2012, ela se encontra junto na categoria dos Transtornos Depressivos, logo é séria e precisa ser tratada como tal.

Primeiramente vamos começar falando que a tão conhecida TPM, tensão pré-menstrual, na verdade se divide em duas categorias, a síndrome pré-menstrual e a TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual), forma mais intensa da TPM (tensão pré-menstrual). A TPM e a TDPM foram, por muito tempo, erroneamente associada ao temperamento de mulheres mais sensíveis. Contudo, os novos achados mostram que existem causas biológicas e genéticas para as alterações físicas, comportamentais e emocionais por que passam as mulheres com o transtorno.

A TPM atrapalha a vida pessoal e profissional de diversas mulheres por  todos os meses e essa tensão é gerada por alterações hormonais que antecedem a menstruação. Em geral, os sinais da TPM aparecem na metade do ciclo menstrual e desaparecem em até dois dias após o início da menstruação.

A TDPM, que afeta as mulheres em idade fértil, é marcada por sintomas físicos e comportamentais semelhantes aos da TPM, mas muito mais intensos e severos. Além da sensibilidade alterada nas mamas e o inchaço na barriga, a irritabilidade, tristeza e ansiedade chegam a ser tão extremados que incapacitam as mulheres de realizarem suas tarefas de cotidiano, prejudicando a vida destas e, consequentemente, das pessoas que com elas convivem.

Segundo o DSM-V os critérios diagnósticos são:

-A. Na maioria dos ciclos menstruais, pelo menos cinco sintomas devem estar presentes na semana final antes do inicio da menstruação, começar a melhorar poucos dias depois do inicio da menstruação e tornar-se mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual.

-B. Um (ou mais) dos seguintes sintomas deve estar presente:

  1. Labilidade afetiva acentuada ( por ex, mudanças de humor, sentir-se triste ou chorosa, sensibilidade aumentada a rejeição)
  2. Irritabilidade ou raiva acentuadas ou aumento nos conflitos interpessoais.
  3. Humor deprimido acentuado, sentimentos de desesperança ou pensamentos autodepreciativos.
  4. Ansiedade acentuada, tensão e/ou sentimentos de estar nervosa ou no limite.

-C. Um (ou mais) dos seguintes sintomas deve adicionalmente estar presente para atingir um total de cinco sintomas quando combinados com os sintomas do critério B.

  1. Interesse diminuído pelas atividades habituais.
  2. Sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar.
  3. Letargia, fadiga fácil ou falta de energia acentuada.
  4. Alteração acentuada do apetite; comer em demasia; ou avidez por alimentos específicos.
  5. Hipersonia ou insônia.
  6. Sentir-se sobrecarregada ou fora de controle.
  7. Sintomas físicos como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor articular ou muscular, sensação de inchaço ou ganho de peso.

Nos casos graves, é necessária uma medicação mais específica. Atualmente, o tratamento usado com melhores resultados são os antidepressivos. Estudos recentes mostram que essa medicação usada na menor dose possível e durante a fase de tensão pré-menstrual tem melhorado muito a qualidade de vida das mulheres que experimentam essa disfunção.

Na psicoterapia, a mulher vai compreender sua oscilação de humor e aprender a lidar melhor com suas habilidades de manejo quando as “crises” estiverem chegando, bem como aprender a conhecer melhor tanto a si como o seu corpo, que também faz parte do processo de amadurecimento feminino.

O que esperar da Psicoterapia

Por Anna Paula Luz Flores , Psicóloga e Psicanalista – CRP 07/04536

A psicoterapia é uma modalidade de tratamento psicológico destinado tanto às pessoas que apresentam alguma patologia psíquica diagnosticada, manifestada através de transtornos mentais ou emocionais, bem como às pessoas que sentem necessidade de uma ajuda para lidar com questões da vida, que desejam se conhecer melhor, entender certos padrões de comportamento, lidar com as ansiedades, frustrações, medos e desejos. Existem também determinados períodos da vida, tais como, separação, luto, casamento, nascimento de filho, escolha profissional, novo relacionamento e mudanças de modo geral que também podem despertar a necessidade de busca de auxílio profissional.

Apesar disso, muitas pessoas acabam não sendo beneficiadas pela psicoterapia justamente por desconhecerem os seus benefícios, sendo comum a crença de que a ausência de um transtorno mental ou emocional específico e de que apenas estão enfrentando um período difícil da vida as impedem de ir em busca de tratamento.  São pensamentos comuns em relação ao tratamento psicológico e que podem impedir a pessoa de se desenvolver emocionalmente e de melhorar muito a sua qualidade de vida por desconhecimento ou uma crença inadequada.

A psicoterapia é, muito mais do que uma técnica utilizada pelo psicólogo, uma construção a dois, na qual cabe ao terapeuta contribuir para o processo de amadurecimento pessoal do seu paciente, respeitando seu ritmo e trajetória, ajudando-o a compreender melhor seus pensamentos, atitudes e como entende e age no ambiente em que vive, não estando ali para efetuar qualquer julgamento ou impor a sua opinião pessoal.

Muitas vezes a psicoterapia é confundida com o modelo médico, existindo a expectativa de que, em uma consulta, já possa ser definido um diagnóstico e encontrada uma solução para conflitiva em questão. No entanto, a psicoterapia necessita de um acompanhamento, pois o ser humano é muito complexo e apresenta uma subjetividade muito particular. Algo que diz respeito ao seu espaço interno, resultante de sua história de vida e que influenciam na formação da sua personalidade e determinam como ele interage no mundo.

Sendo assim, o acompanhamento psicoterápico é um processo que demanda tempo e investimento, tanto financeiro quanto e, especialmente, emocional. O psicoterapeuta é um agente facilitador de mudanças, que auxilia no processo de autoconhecimento e a encontrar uma melhor alternativa para lidar com as questões emocionais. O paciente que recorre ao tratamento psicológico deve estar implicado com o mesmo e é bem por isso que é impossível obrigar alguém a se tratar.

O processo psicoterápico é marcado pela mútua confiança, disponibilidade, implicação e entrega tanto do paciente quanto do terapeuta. Sendo assim, de nada adiantaria qualquer pessoa, mesmo um profissional da área, indicar este tipo de acompanhamento para alguém se esta pessoa não estiver mobilizada e disposta a vivenciar esse tratamento. Esse desejo de mudança já faz parte do processo da psicoterapia. Através do autoconhecimento propiciado pelo tratamento, o paciente consegue entender melhor muitos de seus pensamentos e sentimentos e, ao se apropriar deste conhecimento, desenvolve habilidades mais adequadas para lidar em diversas situações da vida.

O papel do terapeuta vai muito além de apenas ouvir, como muitas vezes pode parecer e não tem respostas prontas para fornecer, jamais afirmando diretamente o que o paciente deve ou não fazer (o que não quer dizer que não forneça determinadas orientações, quando necessário). Seu trabalho não é o de tutelar pessoas, mas de promover espaços de reflexão, facilitando o processo de emancipação dessas pessoas, ajudando-as a construírem suas próprias respostas às perguntas que surgem ao longo de suas vidas. Procura, progressivamente, o fortalecimento emocional do paciente, auxiliando a tornar menos obscuras as resoluções de suas próprias questões e na compreensão de que a vida é vivida no equilíbrio, que o ser humano encontra-se em constante mutação e que não existe um estado absoluto de prazer e satisfação definitivos.

Transtorno de Terror Noturno

Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

As patologias do sono cada vez mais acometem as crianças.  Hoje vamos falar sobre terror noturno. Trata-se de uma conduta alucinatória noturna, caracterizada por episódios de pânico no decorrer da noite.  A criança urra em sua cama, ficando com o rosto assustado, não reconhecendo as pessoas a sua volta, como se estivesse em perigo. Normalmente vem acompanhado de sintomas físicos como: taquicardia, palidez e suores.

A crise dura no máximo alguns minutos e logo a criança volta a dormir. Este quadro de terror noturno é mais comum em crianças entre dois e cinco anos, mas pode começar antes mesmo de um ano.  Ainda desconhecemos as causas desta patologia, normalmente acomete crianças ansiosas ou com algum quadro de depressão. Pais que tenham apresentado a mesma patologia ou sonambulismo podem explicar o quadro da criança.

Segundo o DSM IV 307.46 os critérios diagnósticos são:

  • Episódios recorrentes de despertar abrupto, geralmente ocorrendo na primeira terca parte do episodio de sono, iniciando com grito de pânico;
  • Medo intenso e sinais de excitação autonômica, tais como taquicardia, taquipneia e sudorese durante cada episodio;
  • Relativa ausência de respostas a esforços de outros para confrontar o individuo durante o episodio;
  • Não há recordação detalhada de algum sonho e existe amnésia para o episodio;
  • Os episódios causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional;
  • O distúrbio não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substancia (drogas, medicamentos ou condição medica em geral)

Quanto à freqüência depende muito cada criança, algumas apresentam semanalmente e outras num espaço de uma semana a dez dias.  Os pais devem ter alguns cuidados com o sono dos filhos como: regularidade no sono, cuidados com a alimentação, uso de medicamentos, contato físico e emocional com a criança neste momento. O ambiente deve ser calmo, com pouco som e luz e a criança deve dormir no mesmo horário. Outro aspecto importante para um sono tranqüilo é não ter a noite contato com eletrônicos.

Sabemos que o sono é fundamental para um desenvolvimento saudável, a criança deve dormir no mínimo oito horas para ter uma rotina saudável e energia para as atividades. Durante a crise não e aconselhável acordar a criança, os pais devem acolher, tranqüilizar e ficarem atentos.

Os responsáveis devem estar atentos a freqüência e intensidade do terror noturno. Caso este quadro se estenda devem buscar ajuda de um profissional para avaliar a criança, pois podem ter outros aspectos emocionais importantes encobrindo este quadro.

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Aliança Terapêutica e Empatia

Por Carolina Fernandes de Abreu Marques, Psicóloga – CRP 07/11647 

Quando falamos em aliança terapêutica, falamos na relação que ocorre entre terapeuta e paciente. Quando essa relação se dá de forma afinada, existe uma boa possibilidade do tratamento ter bons resultados. Quando esse vínculo é bom, observamos o paciente mais engajado no processo e demonstrando maior confiabilidade no trabalho do terapeuta. Além disso, as pesquisas demonstram que alianças terapêuticas positivas estão relacionadas aos resultados positivos no tratamento e à minimização de possíveis resistências.

Para que se estabeleça uma sólida e confiante relação terapêutica, entre outros fatores, é necessário que se desenvolva um sentimento de empatia por parte do terapeuta. A capacidade de compreender os problemas do paciente, seu modo de funcionar, sua capacidade de trabalha e entender seus próprios conflitos. O terapeuta pode demonstrar sua capacidade empática através de seu tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal, fazendo com que assim o paciente se sinta entendido e valorizado.

Penso ser importante diferenciarmos o conceito de empatia de simpatia. O primeiro é a habilidade de se colocar no lugar do outro, enxergar como se fosse a outra pessoa. Já a simpatia é que nós sentimos em relação ao outro. É mais um sentimento de piedade e respeito que sentimos pelos sentimentos dos outros.

Para o desenvolvimento de uma boa e sólida aliança terapêutica é essencial que o terapeuta tenha essa capacidade empática desenvolvida.  Que seja capaz de colocar-se no lugar do paciente e que consiga pensar como “se fosse ele”. Nesses momentos outro conceito importante surge que é  o da neutralidade, que refere-se a capacidade do terapeuta não colocar suas experiências e vivências como forma do paciente resolver seus conflitos. Ou seja, o que o terapeuta acha ou pensa para sua própria vida não deve servir de referência para o paciente seguir na sua.

Sendo assim,dentre outros aspectos, é com o desenrolar desses três conceitos aqui expostos que poderemos esperar um bom resultado do processo terapêutico, com experiências de sucesso entre paciente e terapeuta.

As complexas relações entre pais e filhos

Por Anna Paula Luz Flores , Psicóloga e Psicanalista – CRP 07/04536

A instituição familiar vem passando por muitas transformações nos últimos tempos, apresentando vários tipos de arranjos. No entanto, as funções básicas desempenhadas pela família no decorrer do desenvolvimento psicológico do indivíduo permanecem as mesmas. Trata-se do primeiro grupo social do qual o indivíduo faz parte e, as transformações ocorridas na sociedade, na estrutura familiar e na forma como os pais foram educados vem provocando muitos questionamentos no que diz respeito à relação com os filhos.

Os conflitos nesta relação entre pais e filhos ultrapassam gerações e são motivos de muitos debates e reflexões. Na maioria das vezes se origina em um ruído de comunicação dentro de casa, aonde uns se sentem controlados e não reconhecidos em sua autonomia enquanto outros sentem-se desconsiderados, desvalorizados e por vezes, até mesmo, desrespeitados.

Aparece, então, a dificuldade dos pais em se colocarem adequadamente como figuras de autoridade, quando isso se faz necessário, e dos filhos em manifestar aquilo que sentem falta e esperam receber. O resultado é um processo de mútuas acusações que acaba por não revelar a intensidade dos afetos envolvidos, escondendo o real desejo, que, na grande maioria das vezes, é de sentir-se amado pelo outro.

Cada período do desenvolvimento do indivíduo tem as suas peculiaridades e, na relação entre pais e filhos, este aspecto acaba implicando em novos desafios a serem enfrentados. A atenção e o respeito que devem ser dados ao filho não podem provocar uma inversão na ordem das gerações, pois torna-se um fator de intensa desorganização para toda a família. Os filhos precisam de um direcionamento que cabe aos pais dar.

Além de conhecer o amor, a amizade, o respeito e a consideração, os filhos também precisam ter clareza de quais são os limites que têm que respeitar para que possam tornar-se pessoas capazes para a vida em comunidade. Assim, fica evidente a importância do equilíbrio entre a amizade e autoridade, cuidando para não confundir autoridade com autoritarismo, procurando basear o relacionamento na troca afetiva, na confiança, na transparência e no diálogo constante.

Outro fator que influencia grandemente esta relação refere-se ao tempo, ou melhor, à ausência dele. A rotina de todos, cheias de compromissos é, muitas vezes, um entrave relevante no relacionamento familiar, dificultando uma intimidade necessária para que haja uma troca maior, para que os pais conheçam verdadeiramente seus filhos, participem de suas vidas e saibam como abordá-los adequadamente.

Faz-se necessários pais e mães mais próximos, mais disponíveis, abertos a discutir e orientar naquilo que se fizer preciso, mas igualmente capazes de dizer não e de estabelecer os limites que precisam ser respeitados. Caso contrário, é grande o risco dos filhos sentirem-se sozinhos e desconectadas de sua própria família, sem uma verdadeira identificação com esses pais, pois lhes faltam um modelo firme, seguro e afetivo, com o qual possam se identificar.

As relações familiares são de natureza complexa, pois cada filho e cada pai e mãe são únicos e precisam ser respeitados, embora a convivência nem sempre seja fácil. O núcleo familiar é fundamental na educação de qualquer pessoa, pois é através da família que o indivíduo aprende seus primeiros comportamentos, sendo que essas relações iniciais irão interferir na maneira de viver e de ver o mundo, durante a vida futura. A família, portanto, é o lugar adequado e privilegiado para promoção da educação e desenvolvimento do sujeito e, a maneira como pais lidam com os desafios da vida, são de extrema importância para conduzir à maturidade familiar e servir de modelo de identificação para os filhos.